Dino manda PF investigar ataques a imagens religiosas em meio à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida

Dino manda PF investigar ataques a imagens religiosas em meio à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida

Ministro cita ocorrências em diferentes estados e determina investigação de possíveis crimes contra símbolos e locais religiosos; casos envolvem imagens católicas e religiões de matriz africana

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (30) que a Polícia Federal investigue uma série de ataques e atos de vandalismo contra imagens e símbolos religiosos registrados em diferentes regiões do país. A decisão ocorre em meio à intensa disputa judicial envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

Segundo Dino, chegaram ao seu gabinete relatos de uma “aparente onda de ataques” ocorridos nos últimos meses. O ministro relacionou episódios registrados entre março e setembro de 2026 e determinou o encaminhamento de sua decisão à PGR e à direção-geral da Polícia Federal para as providências cabíveis.

Entre os locais citados estão Salvador e Santo Amaro, na Bahia; Londrina, no Paraná; Rio Grande, no Rio Grande do Sul; Maceió, em Alagoas; Esmeraldas, em Minas Gerais; Jauru, em Mato Grosso; e Novo Progresso, no Pará.

A decisão reúne episódios distintos. Em Salvador, foram relatados danos a imagens de Nossa Senhora das Graças e Santa Dulce dos Pobres. Em Londrina, uma loja de artigos religiosos teria sofrido ataques recorrentes, com imagens de santos quebradas. Em Rio Grande, duas esculturas de anjos foram danificadas dentro da Catedral de São Pedro. Em Maceió, uma imagem de Nossa Senhora das Graças teria sido parcialmente destruída.

Também foram mencionados ataques contra símbolos de religiões de matriz africana. Em Esmeraldas, segundo o relato incorporado ao despacho, imagens de orixás, plantas, oferendas e outros objetos religiosos teriam sido destruídos ou furtados. Em Santo Amaro, uma mãe de santo relatou ataques contra um assentamento de Exu.

Em Jauru (MT), o caso citado envolve a destruição, com um machado, de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada em uma capela. Já em Novo Progresso (PA), uma imagem da santa instalada às margens da BR-163 foi destruída em um incêndio apontado no relato como criminoso.

Dino afirmou que os fatos podem apresentar indícios de crimes como preconceito religioso, ultraje a culto, violência contra práticas religiosas, ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio. A investigação deverá justamente verificar o que ocorreu em cada episódio, identificar eventuais responsáveis e estabelecer se existe ou não alguma conexão entre os casos.

O caso Nossa Senhora Aparecida

A determinação acontece poucos dias depois de Dino ter derrubado uma decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia determinado a retirada de publicações relacionando Flávio Bolsonaro a um suposto projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Dino considerou que uma das publicações analisadas, feita pelo humorista Antonio Tabet, não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro e decidiu restabelecer o conteúdo, invocando a proteção à liberdade de expressão e religiosa.

Posteriormente, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu provisoriamente a retirada das publicações até que o plenário do STF analise a controvérsia.

A origem da polêmica também envolve uma informação sobre um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que propunha alterar a forma como o título de Nossa Senhora Aparecida era definido. O projeto foi arquivado em 2008. O Projeto Comprova registrou que Flávio Bolsonaro não apresentou esse projeto nem declarou que pretendia retirar o título da santa.

Jornalismo e a polêmica

A discussão também alcançou a GloboNews, depois de uma declaração da jornalista Maria Cristina Fernandes sobre a existência de uma mobilização envolvendo setores evangélicos e o simbolismo de Nossa Senhora Aparecida. Posteriormente, a emissora publicou uma retratação sobre a informação relacionada ao projeto de lei de 2007.

É importante separar os fatos: não há, nas fontes consultadas, comprovação de que os ataques físicos às imagens religiosas tenham sido praticados por jornalistas da Globo ou que exista uma ligação entre esses episódios e a jornalista Maria Cristina Fernandes. A investigação determinada por Dino deverá justamente apurar autoria, circunstâncias e eventual conexão entre os casos.

O que existe até agora são dois acontecimentos diferentes que passaram a ocorrer no mesmo ambiente de forte disputa política e religiosa: de um lado, a controvérsia eleitoral envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida; de outro, relatos de ataques físicos contra imagens e símbolos religiosos em diferentes estados.

Agora caberá à Polícia Federal e às demais autoridades competentes verificar os fatos, ouvir testemunhas, reunir provas e identificar os responsáveis. Somente depois dessa apuração será possível afirmar se existe alguma ligação entre os episódios ou se são ocorrências independentes.

O ponto central é que ataques contra símbolos religiosos, sejam católicos, sejam de religiões de matriz africana, precisam ser investigados com base em provas e autoria identificada, sem transformar acusações ainda não comprovadas em fatos consumados.

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