
Estudante de Direito é preso no ABC Paulista após se passar por juiz durante abordagem policial
Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos, apresentou documento adulterado e afirmou ser magistrado da 3ª Vara Criminal de Santo André; investigação aponta 78 processos e 34 inquéritos em seu nome, incluindo 22 relacionados a estelionato
Um estudante de Direito de 53 anos, identificado como Selmo dos Santos Pereira, foi preso na noite de segunda-feira (31), em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, depois de tentar se passar por juiz durante uma abordagem da Polícia Militar. O homem apresentou aos policiais um documento com sinais de adulteração e afirmou que era magistrado da 3ª Vara Criminal de Santo André.
A farsa foi descoberta durante a própria abordagem. Segundo informações do registro da ocorrência, policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano realizavam patrulhamento por volta das 21h20 quando perceberam um veículo trafegando em velocidade considerada incompatível com a via. A equipe decidiu fazer a abordagem.
Durante a vistoria, os policiais não encontraram objetos ilícitos no veículo. A situação, entretanto, mudou quando Selmo apresentou sua identificação.
Homem usou nome de verdadeiro juiz
De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, Selmo teria apresentado um documento em nome de Jarbas Luiz dos Santos, verdadeiro juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André.
Além de utilizar a identidade do magistrado, o estudante teria afirmado aos policiais que exercia a função de juiz e que também dava aulas em uma instituição de ensino jurídico de São Bernardo do Campo.
A história começou a ser desmontada quando uma testemunha que estava no local reconheceu Selmo como estudante de Direito. Os policiais passaram então a verificar as informações apresentadas por ele e encontraram inconsistências entre os dados fornecidos, a documentação e a identidade física do homem abordado.
A consulta aos sistemas policiais confirmou posteriormente que ele não era o magistrado que dizia ser.
O verdadeiro juiz, Jarbas Luiz dos Santos, também foi localizado e confirmou sua identidade. Segundo os relatos divulgados sobre a ocorrência, o magistrado afirmou não conhecer Selmo.
Farsa também teria utilizado documento adulterado
A Polícia Militar identificou sinais de adulteração no documento apresentado pelo suspeito. A utilização da identidade de outra pessoa aumentou a gravidade da ocorrência e levou à prisão de Selmo por suspeita de uso de documento falso.
O caso chamou atenção não apenas pela tentativa de se apresentar como integrante do Judiciário, mas também pelo histórico judicial encontrado em nome do suspeito.
Segundo informações divulgadas pela imprensa com base nos registros consultados pelas autoridades, Selmo dos Santos Pereira responde a 78 processos e possui 34 inquéritos.
Desse total, 22 processos estão relacionados a estelionato, de acordo com informações divulgadas sobre o levantamento realizado após a abordagem.
O histórico também inclui registros relacionados a outras acusações e uma ordem de prisão que já estava em aberto contra ele.
Procurado pela Justiça
A consulta realizada pelos policiais revelou que Selmo já era procurado pela Justiça. Ele tinha uma condenação que previa cumprimento de pena em regime fechado e permanecia com mandado de prisão em aberto.
As informações disponíveis apontam ainda que havia registros envolvendo estelionato, uso de documento falso e crime eleitoral, além de outros procedimentos.
Segundo as informações divulgadas, o mandado relacionado ao histórico criminal permanecia ativo, o que fez com que a abordagem terminasse não apenas com a descoberta da falsa identidade, mas também com o cumprimento da ordem de prisão.
Tentativa de utilizar identidade de magistrado
O episódio envolvendo o nome do juiz Jarbas Luiz dos Santos acrescentou uma circunstância particular ao caso.
Segundo os relatos divulgados, o verdadeiro magistrado já havia enfrentado anteriormente uma situação relacionada ao uso indevido de seus dados. Ele teria relatado uma tentativa de utilização de sua identidade para a aquisição de um imóvel.
A Polícia Civil deverá apurar se o episódio registrado durante a abordagem faz parte de um conjunto maior de tentativas de utilização fraudulenta da identidade do juiz.
Por enquanto, o que está confirmado é que o homem abordado não era o magistrado que dizia ser e que o documento apresentado pelos policiais apresentava sinais de adulteração.
Estudante de Direito chegou a disputar eleição
O histórico de Selmo também apresenta um detalhe incomum. Segundo informações divulgadas após a prisão, ele já havia ingressado na política.
Em 2012, Selmo foi candidato a prefeito de Juquitiba, no interior de São Paulo, e recebeu apenas 43 votos.
O episódio eleitoral aparece entre os registros relacionados ao suspeito e integra o levantamento feito pelas autoridades sobre seu histórico.
Abordagem terminou com prisão
A ocorrência começou como uma abordagem de trânsito e terminou com a descoberta de uma identidade falsa e de um mandado de prisão.
Os policiais que participaram da ação desconfiaram da documentação apresentada e passaram a conferir as informações. A confirmação de que Selmo não era o juiz citado no documento foi fundamental para desmontar a versão apresentada pelo suspeito.
A investigação agora deverá esclarecer a origem do documento adulterado, como Selmo teve acesso aos dados do magistrado e se a identidade de Jarbas Luiz dos Santos foi utilizada em outras situações.
Também deverão ser analisados os procedimentos e processos anteriores envolvendo Selmo para verificar a eventual existência de outras vítimas e possíveis fraudes.
O que acontece agora
Após a prisão, Selmo foi encaminhado às autoridades policiais e deverá passar por audiência de custódia, procedimento no qual a Justiça avalia a legalidade da prisão e as condições para eventual manutenção da custódia.
A suspeita de uso de documento falso é independente dos processos anteriores que aparecem em seu histórico. A existência de processos ou inquéritos não significa, por si só, que tenha havido condenação definitiva em todos eles.
Até a publicação das informações consultadas, a defesa de Selmo dos Santos Pereira não havia se manifestado sobre as acusações.
O caso permanece sob investigação, especialmente para esclarecer a utilização da identidade do juiz Jarbas Luiz dos Santos e verificar se o suspeito teria empregado o mesmo método em outras possíveis fraudes.
A prisão expõe uma situação peculiar: um homem que ainda estudava Direito teria tentado utilizar justamente a imagem e a autoridade de um magistrado para se apresentar aos policiais, mas acabou tendo a verdadeira identidade descoberta durante a abordagem. O levantamento posterior revelou um histórico de dezenas de procedimentos judiciais, incluindo 22 relacionados a estelionato, além de um mandado de prisão que já o colocava na condição de procurado pela Justiça.