
Flávio Bolsonaro diz que abrirá mão de segurança da PF na campanha: “Não confio”
Pré-candidato do PL afirma temer a presença de “infiltrados” em sua equipe e critica a direção da Polícia Federal; operação de proteção eleitoral mobilizará até 458 agentes
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não pretende utilizar a equipe de segurança da Polícia Federal disponibilizada aos candidatos ao Palácio do Planalto durante a campanha eleitoral de 2026.
Em uma publicação nas redes sociais, Flávio declarou não confiar no atual diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e disse temer que agentes infiltrados possam ser colocados em sua equipe de campanha.
“Não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, escreveu o senador.
Flávio afirmou ainda que pretende pedir que os agentes que seriam destinados à sua proteção sejam direcionados para investigações relacionadas às fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Flávio critica PF e cita investigações sobre o INSS
Na mesma publicação, o senador voltou a cobrar investigações sobre Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Peço que os servidores da PF que estariam à minha disposição sejam destinados, imediatamente, para a investigação do roubo dos aposentados do INSS”, afirmou.
Flávio também fez referência a acusações envolvendo Lulinha e mencionou a justificativa de falta de efetivo que, segundo ele, teria sido apresentada para explicar a ausência de determinadas investigações.
“Se a desculpa oficial do chefe da PF para não investigar Lulinha — acusado de receber mensalinho do Careca do INSS — foi a falta de efetivo, quero dar a minha contribuição para que o dinheiro roubado no governo Lula seja devolvido aos aposentados”, acrescentou.
As acusações mencionadas pelo senador fazem parte de declarações políticas e devem ser analisadas pelas autoridades competentes. Flávio não detalhou como será organizada sua segurança caso formalize a decisão de não utilizar a estrutura da Polícia Federal.
Pré-candidato já utiliza segurança particular
Flávio Bolsonaro já vem sendo acompanhado por seguranças em compromissos públicos e também passou a utilizar colete à prova de balas em algumas aparições.
A decisão anunciada pelo senador ocorre justamente no momento em que a Polícia Federal inicia uma operação nacional voltada à proteção dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.
PF prepara estrutura de R$ 95 milhões para proteger candidatos
A operação da PF deverá mobilizar até 458 servidores e contará com veículos blindados, equipamentos para bloquear drones e kits de vistoria antibomba. O orçamento estimado para a estrutura é de aproximadamente R$ 95 milhões.
A proteção poderá ser acionada após a homologação das candidaturas nas convenções partidárias e mediante solicitação formal das campanhas.
As convenções partidárias começam em 20 de julho, enquanto o registro das candidaturas deverá ser feito até 15 de agosto.
A estrutura foi planejada para atender simultaneamente até dez candidaturas à Presidência. Segundo a Polícia Federal, equipes especializadas poderão atuar em diferentes estados e acompanhar de forma permanente as agendas dos candidatos.
A corporação afirma que aplicará critérios técnicos iguais a todas as candidaturas, com a definição do efetivo e dos recursos de acordo com a avaliação individual do nível de risco de cada candidato.
Mesmo com a declaração pública, a decisão final sobre a utilização ou não da estrutura oficial de segurança dependerá dos procedimentos formais previstos para a proteção dos candidatos durante o período eleitoral.