
Flávio Bolsonaro vai ao Ceará para fortalecer aliança com Ciro Gomes e reduzir impactos de crise com Michelle
Pré-candidato do PL à Presidência participa de evento de Alcides Fernandes ao Senado e tenta consolidar acordo estadual que provocou divergências dentro do bolsonarismo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, desembarca nesta sexta-feira (10) no Ceará em uma agenda considerada estratégica para sua campanha nacional. O objetivo da visita é reforçar alianças regionais e confirmar a manutenção do acordo político firmado entre o Partido Liberal e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo estadual.
A principal atividade da viagem será o lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL) ao Senado. O evento também funciona como um gesto político para demonstrar que a composição no Ceará permanece de pé, mesmo após a crise interna envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se posicionou contra a estratégia adotada pelo partido no estado.
A aliança prevê que o PL apoie Ciro Gomes na disputa pelo governo cearense, enquanto o tucano deverá declarar apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro durante a campanha nacional. A articulação foi conduzida principalmente pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE), uma das principais lideranças ligadas ao bolsonarismo no Nordeste.
Ceará como peça estratégica para a campanha presidencial
Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que o Ceará representa um teste importante para a estratégia de Flávio Bolsonaro de ampliar seus apoios para além da base tradicional do bolsonarismo.
A avaliação de aliados é que a disputa presidencial de 2026 exigirá alianças regionais mais amplas, especialmente diante da divisão entre diferentes grupos da direita brasileira. Para dirigentes do partido, acordos com lideranças locais de perfil independente podem aumentar a competitividade eleitoral e garantir palanques mais fortes nos estados.
A estratégia, porém, encontrou resistência dentro do próprio grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro foi principal voz contrária ao acordo
A maior oposição à aliança com Ciro Gomes veio de Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama defendia que o PL apoiasse o senador Eduardo Girão (Novo) para a disputa pelo governo do Ceará.
Segundo aliados de Michelle, Girão representaria uma posição mais alinhada aos princípios defendidos pelo núcleo mais fiel do bolsonarismo. Para ela, uma aproximação com Ciro Gomes deveria acontecer apenas em um eventual segundo turno, e não já na primeira fase da eleição.
A divergência sobre o Ceará acabou aumentando uma crise política e pessoal entre Michelle e Flávio Bolsonaro.
Desentendimento expôs divisão dentro do PL
O conflito ganhou repercussão nacional após Michelle publicar vídeos nas redes sociais afirmando que teria sido desrespeitada durante uma conversa telefônica com Flávio.
A ex-primeira-dama afirmou que se sentiu tratada de maneira inadequada após questionar a aliança no Ceará e disse ter entendido que sua participação na campanha presidencial do senador não seria desejada.
O episódio agravou a relação entre os dois e levou Michelle a deixar a presidência do PL Mulher, aumentando as especulações sobre seu futuro político e sobre uma possível candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro publicou uma manifestação pedindo desculpas e afirmou que não teve intenção de ofender Michelle. O senador declarou estar aberto ao diálogo e reconheceu a importância política da ex-primeira-dama dentro do movimento conservador.
Valdemar Costa Neto tenta reconstruir unidade
Diante do desgaste público, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, passou a atuar para aproximar Flávio e Michelle.
Valdemar afirmou que a direita precisa estar unida para enfrentar seus adversários nas eleições de 2026 e defendeu que divergências internas sejam resolvidas antes do início oficial da campanha.
Para a direção do partido, a prioridade agora é evitar novos conflitos públicos e preservar os acordos estaduais já estabelecidos.
Flávio tenta mostrar força política
A presença de Flávio Bolsonaro no Ceará é interpretada por aliados como uma demonstração de confiança na estratégia adotada pelo partido e uma tentativa de mostrar que a crise interna não compromete a construção de sua candidatura.
O senador busca consolidar alianças fora do eixo tradicional do bolsonarismo e apresentar uma candidatura capaz de reunir diferentes setores da direita.
Mesmo com as divergências internas, a direção do PL avalia que a manutenção dos palanques estaduais será fundamental para ampliar a presença do partido nas eleições presidenciais de 2026.