Irã afirma ter atacado aviões militares dos EUA na Jordânia e relata explosões de navios no Estreito de Ormuz

Irã afirma ter atacado aviões militares dos EUA na Jordânia e relata explosões de navios no Estreito de Ormuz

Escalada entre Irã e Estados Unidos entra na nona noite consecutiva de ataques, enquanto Teerã afirma ter atingido aeronaves americanas e Washington amplia ofensiva contra alvos iranianos

A tensão entre o Irã e os Estados Unidos atingiu um novo nível nesta segunda-feira (20). A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ter atacado aeronaves militares norte-americanas estacionadas no Aeroporto de Aqaba, na Jordânia, durante a 21ª fase da chamada Operação Nasr 2. A ofensiva ocorreu em meio à nona noite consecutiva de ataques dos Estados Unidos contra alvos iranianos.

Segundo a agência estatal iraniana IRNA, a Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária teria atingido aviões militares americanos dos modelos C-17 Globemaster III, utilizados para transporte pesado, e P-8 Poseidon, empregado em missões de patrulha, reconhecimento e comando.

Em comunicado, a Guarda Revolucionária classificou a operação como bem-sucedida e afirmou ter atacado aeronaves pertencentes ao que chamou de “exército agressor dos Estados Unidos”.

Até o momento, não havia confirmação independente sobre a extensão dos danos provocados nos aviões ou sobre possíveis vítimas no ataque.

Irã relata ataques a outras bases americanas

Além da ação na Jordânia, Teerã afirmou ter realizado ataques contra posições militares dos Estados Unidos em outros pontos do Oriente Médio.

Entre os locais mencionados estão o acampamento de Al-Adiri e a Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, além de instalações militares na Síria. O governo kuwaitiano informou ter interceptado drones durante o que classificou como um ataque iraniano.

Na Síria, sirenes foram ouvidas durante a manhã, mas não havia relatos imediatos de vítimas.

A sequência de ataques mostra como o conflito deixou de estar restrito ao território iraniano e passou a envolver uma ampla rede de bases, instalações militares e rotas estratégicas espalhadas por diferentes países da região.

Explosões envolvendo navios aumentam tensão no Estreito de Ormuz

O cenário ficou ainda mais tenso com a informação divulgada pela Guarda Revolucionária de que dois petroleiros teriam explodido e ficado imobilizados ao tentar atravessar o Estreito de Ormuz.

As forças iranianas disseram que as embarcações navegavam por uma rota considerada “insegura e perigosa” e alegaram que os navios teriam sido incentivados por forças americanas a utilizar a passagem marítima.

A informação, no entanto, foi contestada pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), que negou a versão iraniana.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido também informou que uma embarcação foi vista em chamas nas proximidades da costa de Omã. Até o momento, não havia confirmação de que o episódio estivesse diretamente relacionado a um ataque iraniano.

A instabilidade já provocou uma redução no tráfego marítimo da região. No domingo, apenas quatro embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz, contra oito no dia anterior.

Estreito de Ormuz se transforma em um dos principais pontos de tensão

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo e concentra uma parcela significativa do transporte internacional de petróleo e gás.

A Guarda Revolucionária afirmou que a passagem não será segura para o transporte de produtos petroquímicos enquanto os ataques americanos continuarem. O grupo também ameaçou realizar uma “operação punitiva” contra os Estados Unidos.

A ameaça aumenta o temor de que a guerra provoque impactos no comércio internacional e nos preços da energia, caso o tráfego de navios seja interrompido ou severamente limitado.

Trump diz que ataques dos EUA honram soldados mortos

A ofensiva americana contra o Irã também foi intensificada após a morte de três militares dos Estados Unidos nos últimos dias.

Dois soldados morreram após um ataque contra uma base americana na Jordânia. Outro militar morreu no norte do Iraque. Segundo informações divulgadas pelas autoridades americanas, os episódios ocorreram em meio à escalada dos confrontos na região.

O presidente Donald Trump afirmou que os novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã foram realizados “com muita força” e em homenagem aos militares mortos.

Trump também ameaçou o regime iraniano e disse que Teerã pagará “muitas vezes mais” por cada soldado americano morto no conflito. A orientação, segundo o presidente, já teria sido transmitida à cúpula militar americana.

EUA afirmam que ataques têm como alvo estruturas militares iranianas

O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que a nova onda de ataques teve como alvo instalações militares, centros de comando, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e redes de comunicação.

Washington diz que a operação tem como objetivo reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais que utilizam o Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos também confirmaram ataques contra instalações no Irã, incluindo alvos próximos a áreas estratégicas e portuárias. A ofensiva ocorre em meio a uma sequência de ataques que já dura nove noites consecutivas.

Explosões foram registradas em diferentes cidades iranianas, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

Irã afirma ter respondido com “ataque surpresa”

O governo iraniano declarou que respondeu à ofensiva americana com um “ataque surpresa” contra posições militares dos Estados Unidos na região.

Além dos ataques atribuídos ao Irã na Jordânia e no Kuwait, sirenes foram acionadas em diferentes pontos do Oriente Médio.

A escalada ocorre depois do fracasso de um acordo preliminar que havia sido firmado em junho para interromper as hostilidades. As negociações para um acordo permanente avançaram pouco e, em julho, Trump declarou que o entendimento estava encerrado.

Apesar da intensificação dos combates, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos continuam abertos a uma solução diplomática.

Ao comentar a crise no Estreito de Ormuz, Rubio disse que a comunidade internacional precisa decidir se permitirá que uma rota marítima internacional estratégica fique sob controle iraniano.

Conflito ameaça se espalhar pelo Oriente Médio

A troca de ataques entre Washington e Teerã ocorre em um momento de crescente instabilidade regional. Com bases americanas espalhadas por países aliados, a ofensiva iraniana pode ampliar o número de países envolvidos direta ou indiretamente no conflito.

A Jordânia, o Iraque, o Kuwait, a Síria e o Golfo de Omã já aparecem no centro dos acontecimentos, enquanto o Estreito de Ormuz se transforma em um dos principais pontos de pressão entre os dois lados.

O risco de novos ataques contra instalações militares e embarcações comerciais aumenta a preocupação internacional com a possibilidade de uma guerra prolongada e com consequências para o abastecimento global de energia.

Enquanto Washington promete ampliar a resposta às mortes de seus militares, Teerã afirma que continuará reagindo aos ataques americanos. A escalada, que já dura nove noites consecutivas, mantém o Oriente Médio diante de um dos momentos mais perigosos dos últimos anos.

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