Janja descarta disputar eleições e diz que deseja viver “vida de mulher casada” ao lado de Lula após o fim do mandato

Janja descarta disputar eleições e diz que deseja viver “vida de mulher casada” ao lado de Lula após o fim do mandato

Primeira-dama afirma que não pretende concorrer a cargos públicos, defende que o PT forme novas lideranças para o futuro e rebate críticas sobre viagens internacionais; Janja relembra os anos em que acompanhou Lula durante sua prisão e diz que espera viver uma rotina mais tranquila ao lado do presidente

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou que não pretende disputar cargos eletivos e descartou qualquer possibilidade de concorrer à Presidência da República ou a outra função política no futuro. Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo e ao UOL, ela disse que seu foco continua sendo apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o atual mandato e, caso ele seja reeleito, aproveitar a vida ao lado do marido quando deixar o Palácio do Planalto.

Segundo Janja, a prioridade neste momento é a campanha de Lula pela reeleição. Ela afirmou que não se vê como candidata e que seu desejo, após o encerramento de um eventual novo mandato presidencial, é viver uma rotina que, segundo ela, o casal ainda não conseguiu experimentar.

“Não sou candidata a nada, não pretendo ser. Meu marido tem a responsabilidade de conduzir o país nessas próximas eleições e, se tudo der certo, ter mais quatro anos de mandato.”

Ao falar sobre os planos para o futuro, Janja afirmou que deseja viver uma vida simples ao lado de Lula, longe da rotina intensa da Presidência da República.

“Depois, eu quero realmente viver minha vida de mulher casada, de a gente poder viajar tranquilo. A gente não viveu ainda. A gente não teve lua de mel, não viveu uma vida normal de um casal normal.”

Construção de novas lideranças no PT

Durante a entrevista, Janja também foi questionada sobre quem poderá representar o campo progressista após Lula. Para ela, essa responsabilidade não deve recair exclusivamente sobre o presidente.

A primeira-dama afirmou que cabe ao Partido dos Trabalhadores preparar novas lideranças capazes de dar continuidade ao projeto político da legenda.

Segundo Janja, o PT precisa assumir protagonismo na formação de novos quadros e construir nomes competitivos para o futuro, evitando concentrar toda a responsabilidade política na figura de Lula.

Resposta às críticas sobre viagens

Outro tema abordado foi a repercussão das viagens internacionais realizadas pela primeira-dama durante o atual governo.

Janja rebateu as críticas relacionadas aos custos dessas viagens e afirmou que muitas delas têm origem em ataques misóginos.

Segundo ela, as viagens seguem protocolos oficiais de segurança e logística estabelecidos para a função de primeira-dama.

Ela explicou que costuma viajar antes do presidente em algumas agendas internacionais para organizar compromissos oficiais e facilitar o trabalho das equipes diplomáticas.

Janja também afirmou que normalmente procura se hospedar nas embaixadas brasileiras durante as missões internacionais e que utiliza classe executiva por determinação dos protocolos de segurança aplicáveis à função.

Para a primeira-dama, as acusações de que seria “gastadeira” ignoram o trabalho institucional que realiza e refletem preconceitos dirigidos às mulheres em posições públicas.

Defesa do trabalho no Palácio do Planalto

Janja também comentou sua atuação dentro do governo federal.

Ela destacou que mantém um gabinete no Palácio do Planalto, participa diariamente de reuniões, acompanha agendas institucionais e realiza viagens de trabalho.

Segundo a primeira-dama, sua agenda oficial passou a ser divulgada regularmente após a adoção de normas internas voltadas à transparência.

Na avaliação dela, a sociedade brasileira não estava acostumada com uma primeira-dama exercendo atividades permanentes de apoio institucional dentro do governo.

Trajetória ao lado de Lula

Ao falar sobre sua vida pessoal, Janja voltou a destacar a longa trajetória construída ao lado de Lula.

Durante o período em que o atual presidente esteve preso entre 2018 e 2019, ela realizou visitas autorizadas ao então ex-presidente enquanto ele cumpria pena na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Na época, os dois ainda não eram casados, mas mantinham um relacionamento e oficializaram a união posteriormente, em 2022.

Agora como primeira-dama, Janja afirma que espera que, após o encerramento da vida pública de Lula, o casal possa viver uma rotina mais tranquila, dedicando tempo à vida pessoal e realizando planos que, segundo ela, foram adiados durante anos em razão da intensa atividade política do presidente.

As declarações ocorrem em um momento em que crescem as discussões sobre a sucessão política dentro do campo governista. Apesar das especulações, Janja reiterou que não pretende disputar eleições e reforçou que sua participação continuará voltada ao apoio institucional ao governo e às agendas sociais desenvolvidas durante o mandato de Lula.

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