
Jerônimo Rodrigues sai em defesa de Jaques Wagner após operação da PF e reafirma confiança no senador
Governador da Bahia declara apoio ao aliado durante evento em Barreiras, enquanto Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado para concentrar esforços em sua defesa
A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA) continua repercutindo nos bastidores da política nacional. Nesta sexta-feira (26), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), fez uma defesa pública do senador durante um evento realizado em Barreiras, no oeste baiano, reforçando sua confiança na inocência do aliado histórico.
Ao lado de Jaques Wagner, Jerônimo afirmou acreditar que o senador conseguirá esclarecer todas as acusações apresentadas no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades relacionadas ao chamado Caso Master.
Durante o discurso, o governador afirmou que o parlamentar construiu uma trajetória dedicada à vida pública e declarou que as acusações serão respondidas no decorrer da investigação.
“Nós vamos mostrar e provar que você dedicou sua vida ao povo da Bahia e ao Brasil”, afirmou Jerônimo durante o evento.
Operação da Polícia Federal
Na semana passada, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Jaques Wagner, incluindo sua residência em Brasília.
Durante a operação, foram apreendidos dólares, euros e relógios de alto valor. Segundo a investigação, o senador é suspeito dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, em apuração que ainda está em andamento.
A Polícia Federal investiga se Wagner teria recebido vantagens indevidas relacionadas a empresários ligados ao antigo Banco Master. Entre os elementos analisados estão o uso de aeronaves particulares, ingressos para eventos internacionais, negociações imobiliárias e pagamentos destinados a empresas ligadas ao núcleo familiar do senador.
Saída da liderança do governo
Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jaques Wagner anunciou seu afastamento da liderança do governo no Senado.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo com Lula para evitar que a investigação prejudicasse a atuação política do governo.
Segundo Wagner, sua prioridade agora será apresentar sua defesa e colaborar com o esclarecimento dos fatos perante as autoridades competentes.
Defesa do senador
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade.
O senador afirma que os recursos em moeda estrangeira encontrados durante a operação são provenientes de diárias recebidas em viagens oficiais realizadas pelo Senado ao longo dos últimos anos e que a origem dos valores pode ser comprovada documentalmente.
Sobre o apartamento citado pela investigação, Wagner declarou que contou com auxílio de um empresário para viabilizar a aquisição do imóvel destinado à filha, negando qualquer benefício financeiro ilícito.
Ele também criticou a divulgação das imagens da operação, classificando a exposição dos valores apreendidos como uma “espetacularização” da investigação.
Caso segue em investigação
Até o momento, não há condenação contra Jaques Wagner. As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal, que analisarão os elementos reunidos antes de qualquer eventual denúncia ou julgamento.
O caso segue repercutindo no cenário político por envolver uma das principais lideranças do PT e um aliado próximo do presidente Lula, ampliando o debate sobre transparência, responsabilidade pública e o andamento das investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado.
Enquanto aliados reforçam confiança na inocência do senador, opositores cobram esclarecimentos rápidos e rigor na apuração. O desfecho dependerá da conclusão das investigações e das decisões que serão tomadas pelos órgãos responsáveis.