
Polícia prende três suspeitos de aplicar golpes em passageiros no Aeroporto de Guarulhos durante Operação Rapere
Investigação da Polícia Civil aponta que grupo extorquia turistas, idosos e estrangeiros com falsas corridas de aplicativo; esquema atuava havia anos no maior aeroporto do país.
A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra o transporte clandestino no Aeroporto Internacional de Guarulhos e prendeu, nesta sexta-feira (19), três pessoas suspeitas de integrar a chamada quadrilha dos “arrastadores”, grupo investigado por aplicar golpes em passageiros que desembarcam no maior terminal aéreo do Brasil.
A ação faz parte da Operação Rapere, nome inspirado no termo em latim que significa “roubar”. Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão, cumpridos em imóveis localizados em Guarulhos e na capital paulista, nos bairros de Itaquera, Capão Redondo e São Miguel Paulista.
Até o momento, três investigados foram presos. As equipes policiais continuam as buscas para localizar os demais suspeitos. A identidade dos envolvidos não foi divulgada pelas autoridades.
Como funcionava o golpe
Segundo as investigações, os criminosos abordavam passageiros nas áreas de desembarque do aeroporto oferecendo supostas corridas por aplicativo ou serviço de táxi.
Após convencerem as vítimas a embarcar, os suspeitos cobravam valores muito superiores aos praticados pelos serviços regulares e credenciados. Em diversos casos, os passageiros eram coagidos e intimidados para efetuar o pagamento.
As principais vítimas eram turistas brasileiros, estrangeiros, idosos e pessoas que não conheciam a dinâmica do aeroporto.
Investigação começou após dezenas de denúncias
As apurações tiveram início depois que a Polícia Civil analisou aproximadamente 30 boletins de ocorrência registrados por vítimas do esquema.
Durante a investigação, sete passageiros foram oficialmente identificados como vítimas da quadrilha, incluindo pessoas vindas de outros países. Além dos depoimentos, os investigadores reuniram imagens recentes que mostram a atuação dos suspeitos nas áreas de embarque e desembarque do aeroporto.
Polícia diz que organização atuava de forma estruturada
O delegado Luiz Romani, responsável pela investigação, afirmou que a operação representa uma resposta ao crescimento desse tipo de crime no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Segundo ele, os suspeitos agiam de maneira organizada e vinham provocando prejuízos financeiros e sensação de insegurança entre passageiros que chegavam ao terminal.
Romani destacou que o objetivo da operação é enfraquecer definitivamente a atuação dos chamados “arrastadores” e impedir que novas vítimas sejam alvo do grupo.
GRU Airport reforça ações de segurança
Em nota, a GRU Airport, concessionária responsável pela administração do aeroporto, informou que trabalha em conjunto com as forças de segurança para combater o transporte clandestino e aumentar a proteção aos passageiros.
A empresa explicou que mantém avisos sonoros e painéis informativos orientando os viajantes a não aceitarem abordagens espontâneas nas áreas públicas do terminal. Os usuários também são direcionados aos pontos oficiais de embarque de táxis credenciados e da Praça Pick-Up do Terminal 2, destinada aos aplicativos autorizados.
A concessionária informou ainda que disponibiliza imagens do sistema de monitoramento para auxiliar as investigações conduzidas pelas autoridades e afirmou que novas medidas preventivas, incluindo tecnologias de vigilância e reforço das equipes de segurança, estão sendo implementadas em parceria com os órgãos públicos.
Orientação aos passageiros
As autoridades reforçam que passageiros devem solicitar corridas exclusivamente pelos aplicativos oficiais ou utilizar táxis autorizados, evitando aceitar ofertas feitas por pessoas que abordam clientes dentro ou nas proximidades dos terminais do aeroporto.
A recomendação é especialmente importante para turistas, idosos e estrangeiros, que costumam ser os principais alvos desse tipo de golpe.