
Júlia Zanatta afirma que Michelle Bolsonaro deve disputar o Senado e descarta crise irreversível com Flávio
Deputada do PL diz acreditar na candidatura da ex-primeira-dama, defende união da direita e afirma que divergências internas serão superadas
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) afirmou nesta quarta-feira (2) que acredita na candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado Federal nas eleições de 2026, apesar da decisão da ex-primeira-dama de deixar a presidência do PL Mulher e das recentes divergências públicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A declaração foi dada em Brasília, antes de um encontro promovido por Flávio Bolsonaro com lideranças femininas do Partido Liberal. Durante a conversa com jornalistas, a parlamentar procurou minimizar os rumores de divisão dentro da legenda e demonstrou confiança de que Michelle continuará exercendo um papel de destaque no projeto político da direita.
“Tenho certeza de que ela será candidata”, diz deputada
Questionada sobre a possibilidade de Michelle Bolsonaro desistir de disputar uma vaga no Senado após anunciar seu afastamento da presidência do PL Mulher, Júlia Zanatta afirmou que a decisão pertence exclusivamente à ex-primeira-dama, mas disse acreditar que ela seguirá na disputa eleitoral.
“Essa será uma decisão dela, mas tenho certeza de que ela fará a escolha de ser candidata”, declarou.
Nos bastidores, o futuro político de Michelle tem sido alvo de especulações desde que ela anunciou que deixaria a direção do segmento feminino do Partido Liberal para dedicar mais tempo à família.
A ex-primeira-dama explicou que a decisão foi tomada após uma conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro e que, neste momento, pretende concentrar seus esforços nos cuidados com o marido e com a filha.
Júlia Zanatta minimiza atritos entre Michelle e Flávio Bolsonaro
A deputada catarinense também comentou a crise que ganhou repercussão nos últimos dias após Michelle Bolsonaro tornar públicas críticas direcionadas ao senador Flávio Bolsonaro.
Segundo Zanatta, o episódio não representa uma ruptura definitiva dentro do grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não existe atrito. É uma situação que está sendo resolvida”, afirmou.
Ela destacou que o foco do Partido Liberal continua sendo a preparação para a eleição presidencial de 2026 e a construção de um projeto unificado para a disputa.
“A prioridade agora é trabalhar para derrotar o governo Lula nas próximas eleições e fortalecer o projeto representado por Flávio Bolsonaro”, acrescentou.
Deputada diz compreender decisão de Michelle de priorizar a família
Ao comentar o afastamento da ex-primeira-dama do comando do PL Mulher, Júlia Zanatta afirmou compreender a escolha de Michelle, especialmente diante das circunstâncias familiares enfrentadas atualmente.
Segundo a parlamentar, a dedicação aos cuidados com Jair Bolsonaro pesou na decisão.
“Imagino o que ela está vivendo. Ela deixou claro que sua prioridade é a família e o cuidado com o marido”, afirmou.
A saída de Michelle da presidência do PL Mulher foi anunciada nesta semana por meio de uma nota oficial, na qual a ex-primeira-dama informou que pretende dedicar integralmente seu tempo à família.
Críticas ao governo Lula também marcaram a declaração
Durante a entrevista, Júlia Zanatta também voltou a criticar políticas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em relação ao uso de linguagem neutra em documentos oficiais.
A deputada afirmou discordar da utilização da expressão “pessoas que gestam” em substituição ao termo “mulheres” e defendeu que a nomenclatura tradicional seja preservada.
“Eu não sou uma pessoa que gesta. Sou mulher. Sou mãe”, declarou.
Segundo a parlamentar, a substituição da palavra “mulher” em determinados documentos representa, em sua avaliação, um desrespeito às mulheres brasileiras.
Futuro político de Michelle segue no centro das articulações da direita
Embora Michelle Bolsonaro tenha deixado a presidência do PL Mulher, aliados próximos continuam afirmando que sua saída do cargo não representa abandono da vida pública nem desistência de futuras candidaturas.
As declarações de Júlia Zanatta reforçam esse discurso e indicam que parte da bancada do Partido Liberal mantém a expectativa de que a ex-primeira-dama dispute uma cadeira no Senado em 2026, permanecendo como uma das principais lideranças do campo conservador.