
Justiça mantém prisão preventiva de pai acusado de matar filhas de 3 e 5 anos em São Paulo
Ísis Helena e Lais Heloisa foram encontradas mortas dentro de um carro no Dia dos Pais; segundo o boletim de ocorrência, meninas foram asfixiadas. Mãe relatou histórico de agressões, perseguição e ameaças após a separação
A Justiça de São Paulo converteu em prisão preventiva a detenção de Breno de Souza Castro, de 24 anos, acusado de matar as próprias filhas, Ísis Helena e Lais Heloisa, de 3 e 5 anos. A decisão foi tomada após audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (10).

Os corpos das duas crianças foram encontrados na manhã de domingo (9), Dia dos Pais, dentro de um carro estacionado na Rua Luiz Supertti, no bairro Jardim Guanabara, na região de Cidade Dutra, zona sul da capital paulista.
Segundo o boletim de ocorrência, as meninas morreram por asfixia. Breno se apresentou espontaneamente no 48º Distrito Policial, em Cidade Dutra, e afirmou aos policiais que havia matado as filhas. A partir das informações fornecidas pelo homem, os agentes foram até o local indicado e encontraram os corpos.
Inicialmente, ele foi preso em flagrante por homicídio e violência doméstica. Após a audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva.
A Polícia Civil solicitou exames periciais ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico-Legal (IML) para esclarecer as circunstâncias das mortes. O caso foi registrado pela polícia como homicídio e violência doméstica.
Até a última atualização das informações, a defesa de Breno não havia sido localizada.
Mãe relatou perseguição e ameaças
A mãe das crianças contou à polícia que vinha sendo perseguida e ameaçada pelo ex-companheiro desde o fim do relacionamento, em março deste ano.
Segundo o relato, Breno e a mulher permaneceram juntos por aproximadamente oito anos e tiveram as duas filhas. A relação terminou depois de episódios de agressão e traição, de acordo com o depoimento da mãe.
As agressões, segundo ela, nunca haviam sido registradas formalmente em uma delegacia. Depois da separação, porém, Breno teria passado a persegui-la e a fazer ameaças.
A mulher também relatou que os dois evitavam encontros diretos durante a entrega das crianças. Aos sábados, ela costumava deixar as meninas com a ex-sogra de Breno, que cuidava delas durante os fins de semana. Para evitar contato com o ex-companheiro, a entrega era realizada em um ponto intermediário.
Breno morava no andar de cima da casa da própria mãe.
Mensagem dizia que seria a última vez que mãe veria as filhas
No sábado (8), véspera do crime, a mãe entregou as meninas à ex-sogra. Breno buscou as crianças posteriormente e informou que as levaria ao Museu do Ipiranga.
No mesmo dia, após a mulher publicar uma fotografia em que aparecia com amigas, Breno teria enviado uma mensagem afirmando que aquela seria a última vez que ela veria as filhas.
Horas depois, uma familiar entrou em contato com Breno para questionar a demora no retorno das crianças. Conforme o relato registrado pela polícia, ele respondeu que ninguém mais veria as meninas e afirmou que iria matá-las e depois tirar a própria vida.
A mãe voltou então para a casa da ex-sogra e passou a noite acompanhada de familiares. Enquanto isso, parentes e policiais realizavam buscas por Breno e pelas duas crianças.
Na manhã de domingo, o homem se apresentou à polícia e confessou o assassinato.
Carro foi localizado com sinais de impacto
O veículo utilizado por Breno foi localizado posteriormente pelas autoridades. Imagens obtidas durante a investigação mostram o momento em que o carro é estacionado em uma via pública.
As imagens também registram o vidro traseiro quebrado e o airbag acionado.
A perícia foi acionada para analisar o veículo e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a dinâmica do crime.
Uma fotografia obtida durante a apuração mostra ainda que Breno possui tatuado no peito o nome da filha mais velha.
Investigação tenta esclarecer motivação
De acordo com o boletim de ocorrência, a motivação inicialmente apontada para o crime estaria relacionada a ciúmes da ex-companheira.
A polícia também investiga o histórico do relacionamento e os relatos de agressões, perseguição e ameaças feitos pela mãe das crianças. Esses elementos deverão ser considerados na apuração das circunstâncias que antecederam o assassinato.
O caso envolve, portanto, não apenas a morte das duas meninas, mas também uma sequência de acontecimentos relatados pela mãe após a separação do casal.
A Polícia Civil deverá reunir os depoimentos, resultados dos exames periciais e demais evidências para reconstruir os últimos momentos das crianças e esclarecer a responsabilidade de Breno pelos crimes.
Prisão preventiva
Com a conversão da prisão em flagrante para preventiva, Breno permanecerá preso enquanto o processo avança. A medida cautelar não representa condenação definitiva, e a responsabilidade criminal do acusado deverá ser definida pela Justiça ao longo do processo.
O caso continua sob investigação da Polícia Civil de São Paulo.