
Kim Kataguiri reage a Eduardo Bolsonaro e amplia crise entre antigos aliados da direita
Deputado do Missão-SP chama ex-deputado de “frouxo” e “patético” após declaração sobre vontade de agredir críticos; troca de acusações envolve Flávio Bolsonaro, MBL, permanência nos Estados Unidos e supostas relações políticas
A disputa entre antigos aliados do campo conservador ganhou um novo capítulo nesta semana após uma forte troca de acusações entre o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
O conflito começou depois que Eduardo Bolsonaro afirmou, durante um evento de lançamento da TLTV, na Flórida, nos Estados Unidos, que teria vontade de “pegar de porrada” integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e críticos de sua família quando retornasse ao Brasil.
A declaração foi uma reação a comentários feitos por Kim Kataguiri sobre um suposto vídeo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Kim havia mencionado, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., a possibilidade de divulgação de imagens comprometedoras envolvendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não apresentou provas ou detalhes sobre a origem da informação.
A fala provocou reação imediata de Eduardo Bolsonaro, que afirmou que as especulações atingiam não apenas Flávio, mas também sua esposa, Fernanda Bolsonaro.
Durante o discurso na inauguração da emissora nos Estados Unidos, Eduardo disse que considerava injustas as críticas contra sua família e afirmou que havia pessoas tratando o assunto como uma brincadeira.
“Estão destruindo uma família”, declarou o ex-deputado, antes de dizer que, ao voltar ao Brasil, teria vontade de enfrentar seus críticos.
Kim responde e acusa Eduardo de fugir do Brasil
Após a repercussão da declaração, Kim Kataguiri respondeu durante entrevista ao canal Mathias TV, no YouTube. O parlamentar classificou Eduardo Bolsonaro como “patético”, “frouxo” e “covarde”.
Kim questionou a permanência de Eduardo nos Estados Unidos e criticou o discurso de perseguição política adotado pelo ex-deputado.
Segundo Kataguiri, Eduardo teria deixado o Brasil após uma representação apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que pedia medidas contra ele. O parlamentar afirmou que o Ministério Público posteriormente não teria defendido a prisão.
“Você quer me bater? Vem aqui, pisa no Brasil”, afirmou Kim durante a entrevista.
O deputado também criticou o green card obtido por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo afirma que recebeu a autorização de residência pela categoria EB-1A, destinada a pessoas consideradas de habilidades extraordinárias.
Kim, porém, questionou os motivos da concessão do documento e afirmou que o ex-deputado teria recebido benefícios por sua proximidade política com o ex-presidente americano Donald Trump. Eduardo Bolsonaro nega irregularidades.
Acusações envolvendo Daniel Vorcaro
Na sequência dos ataques, Kim fez novas acusações contra Eduardo Bolsonaro ao mencionar o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em operações da Polícia Federal relacionadas ao Banco Master.
Kim afirmou que Eduardo viveria nos Estados Unidos com recursos ligados a Vorcaro. A acusação foi feita pelo deputado durante a entrevista, mas não há comprovação pública de que essa relação financeira exista.
O episódio acrescentou um novo elemento à disputa política, envolvendo nomes que passaram a aparecer em diferentes investigações e disputas públicas no cenário nacional.
Eduardo Bolsonaro cita medo de prisão e perseguição
Antes da resposta de Kim, Eduardo Bolsonaro havia feito um discurso emocional durante o lançamento da TLTV. O ex-deputado chorou ao falar sobre o temor de ser preso e afirmou estar preocupado com a situação de sua família.
Eduardo citou o pai, Jair Bolsonaro, atualmente envolvido em processos relacionados aos atos de 8 de janeiro, e afirmou que acompanhava casos internacionais de perseguição política.
Ele também mencionou o blogueiro Allan dos Santos, presente no evento, e afirmou que não conseguiria imaginar ficar anos afastado dos filhos.
“Você vai para uma viagem, chega em um local e não sabe se vai ser preso”, declarou Eduardo, ao comentar suas preocupações.
Crise dentro da direita
O confronto entre Kim Kataguiri e Eduardo Bolsonaro revela uma divisão crescente entre grupos que anteriormente estiveram próximos na oposição ao Partido dos Trabalhadores.
O MBL, movimento que teve participação importante nas manifestações políticas da última década, rompeu com setores ligados ao bolsonarismo após divergências sobre estratégias políticas e comportamento de lideranças.
A disputa também ocorre em meio ao cenário eleitoral de 2026, quando diferentes grupos da direita buscam espaço e influência para a sucessão presidencial.
Enquanto Eduardo Bolsonaro mantém sua defesa da família Bolsonaro e denuncia perseguição política, Kim Kataguiri tenta se posicionar como uma alternativa independente dentro do campo conservador.
O embate, marcado por acusações, críticas pessoais e disputas sobre credibilidade, tornou-se mais um capítulo da intensa batalha política brasileira nas redes sociais e nos meios de comunicação.