
Lula marca 46% e Flávio Bolsonaro chega a 44% em Minas no segundo turno, aponta pesquisa
Diferença de dois pontos está dentro da margem de erro; no primeiro turno, presidente aparece com 39%, contra 34% do senador. Levantamento mostra ainda alta rejeição dos dois principais candidatos e desaprovação da gestão petista entre os mineiros
A corrida presidencial de 2026 ganha contornos particularmente apertados em Minas Gerais, segundo levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado nesta quinta-feira (27). Em uma eventual disputa de segundo turno no estado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registra 44%.
A vantagem numérica de dois pontos, porém, não representa uma liderança estatisticamente consolidada. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos estão em empate técnico.
5
O número que chama atenção: 46% a 44%
O dado central da pesquisa é a estreita distância entre Lula e Flávio no segundo turno:
- Lula (PT): 46%
- Flávio Bolsonaro (PL): 44%
- Brancos e nulos: 6%
- Não sabem ou não responderam: 4%
Na prática, o resultado revela uma disputa aberta. O intervalo estatístico de Lula vai de 44% a 48%, enquanto o de Flávio vai de 42% a 46%. Portanto, os números se sobrepõem.
O resultado ganha importância porque Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente funciona como um importante termômetro das eleições presidenciais. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos nacionalmente conseguiram vencer no estado. Em 2022, a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro em Minas foi extremamente apertada: Lula terminou com aproximadamente 50,2%, contra 49,8% de Bolsonaro.
No primeiro turno, Lula abre cinco pontos
Quando a pesquisa apresenta todos os candidatos no cenário de primeiro turno, a fotografia muda.
Lula aparece com 39%, cinco pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que registra 34%.
O terceiro colocado é o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 9%. Na sequência aparecem Renan Santos (Missão), com 5%, e Pablo Marçal (PRTB), com 4%.
Completam o cenário:
- Ronaldo Caiado (PSD): 2%
- Augusto Cury (Avante): 2%
- Outros candidatos: 1%
- Brancos e nulos: 2%
- Não sabem/não responderam: 2%
Entre os nomes classificados como “outros” estão Rui Costa Pimenta, Samara, Edmilson Costa, Hertz Dias, Clariana Barão e Wilson Grassi.
Há ainda uma observação importante sobre o levantamento: o nome de Pablo Marçal aparece no questionário, embora ele esteja inelegível até 2032, segundo a publicação da Veja.
A matemática eleitoral por trás dos números
A diferença entre os dois principais candidatos diminui consideravelmente quando o eleitor é colocado diante de uma escolha binária.
No primeiro turno:
Lula 39% x Flávio 34%
No segundo:
Lula 46% x Flávio 44%
Ou seja, a vantagem de Lula, que chega a cinco pontos na primeira rodada, cai para apenas dois pontos na simulação de segundo turno.
Esse movimento sugere uma disputa em que os candidatos de menor votação podem adquirir importância estratégica. Uma eventual segunda rodada obrigaria Lula e Flávio a buscar os eleitores que inicialmente escolheram Zema, Renan Santos, Pablo Marçal, Caiado e outros nomes.
É justamente nessa transferência de votos que uma diferença aparentemente pequena pode se transformar em vantagem decisiva.
Rejeição: outro indicador de alerta
A pesquisa também revela um cenário delicado para os dois principais concorrentes.
Flávio Bolsonaro tem 51% de rejeição, enquanto Lula aparece com 50%. Em outras palavras, aproximadamente metade do eleitorado mineiro afirma que não votaria em cada um dos dois candidatos de jeito nenhum.
Os demais índices são:
- Pablo Marçal: 43%
- Romeu Zema: 33%
- Ronaldo Caiado: 32%
- Renan Santos: 32%
- Rui Costa Pimenta: 27%
- Wilson Grassi: 24%
- Augusto Cury: 23%
- Samara: 23%
- Edmilson Costa: 22%
- Hertz Dias: 22%
- Clariana Barão: 21%
A elevada rejeição de Lula e Flávio ajuda a explicar por que uma eleição aparentemente polarizada pode continuar aberta: existe um eleitorado significativo que rejeita os dois principais nomes e pode ser decisivo em uma eventual segunda etapa.
A contradição para Lula
Outro dado chama atenção: apesar de Lula liderar tanto o primeiro quanto o segundo turno, a maioria dos mineiros desaprova sua administração.
Segundo o levantamento, 52% desaprovam o governo, enquanto 47% aprovam. Apenas 1% não soube ou não respondeu.
Na avaliação qualitativa:
- Ótimo/bom: 31%
- Regular: 25%
- Ruim/péssimo: 43%
- Não sabe/não respondeu: 1%
O contraste é politicamente relevante. Lula consegue liderar a preferência eleitoral mesmo diante de uma avaliação negativa de seu governo entre a maioria dos entrevistados.
Isso significa que aprovação administrativa e intenção de voto não caminham necessariamente juntas. O eleitor pode desaprovar a gestão presidencial e, ainda assim, preferir Lula diante de determinado adversário.
Flávio e a força do eleitorado bolsonarista
Para Flávio Bolsonaro, o resultado de Minas apresenta simultaneamente uma oportunidade e um problema.
O senador consegue chegar a 44% no segundo turno, ficando apenas dois pontos atrás de Lula. Por outro lado, sua rejeição chega a 51%, a maior entre os nomes testados.
A campanha terá, portanto, dois desafios: preservar o eleitorado identificado com o bolsonarismo e, ao mesmo tempo, tentar conquistar parcelas do eleitorado que ainda resistem ao nome do senador.
A proximidade com Lula em um estado eleitoralmente estratégico pode ser explorada politicamente pela campanha de Flávio como sinal de competitividade. Mas o índice de rejeição mostra que há também uma barreira importante a ser superada.
Metodologia da pesquisa
O Real Time Big Data entrevistou 2.000 eleitores de Minas Gerais entre 22 e 26 de agosto de 2026.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03147/2026. O estudo foi contratado pelo próprio instituto e teve custo informado de R$ 30 mil, pago com recursos próprios.
Minas volta a ocupar o centro da disputa
Mais do que indicar quem está numericamente à frente, a pesquisa mostra o grau de competitividade da eleição em Minas Gerais.
Lula lidera, mas não está isolado na frente. Flávio está atrás, mas dentro da margem de erro.
Essa é a principal mensagem dos números.
O presidente tem uma vantagem de cinco pontos no primeiro turno, mas, quando a disputa se transforma em confronto direto, a distância cai para dois. Ao mesmo tempo, os dois carregam rejeições próximas de 50%, enquanto a avaliação do governo Lula permanece negativa entre a maioria dos mineiros.
O cenário desenhado pelo levantamento é, portanto, de polarização com pouca margem de segurança. Em Minas, cada ponto percentual pode adquirir peso extraordinário à medida que a campanha avançar.
E os números mais simbólicos permanecem justamente aqueles que resumem toda a fotografia eleitoral: 46% para Lula, 44% para Flávio Bolsonaro — um empate técnico em um dos estados mais importantes do mapa eleitoral brasileiro.