Lula reage a críticas dos EUA, defende o Mercosul e afirma: “Ninguém é dono da América do Sul”

Lula reage a críticas dos EUA, defende o Mercosul e afirma: “Ninguém é dono da América do Sul”

Durante a Cúpula do Mercosul, presidente critica o avanço do protecionismo, defende o Pix, cobra maior integração regional e reforça a soberania dos países sul-americanos diante das disputas globais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou seu discurso na 68ª Cúpula do Mercosul, realizada nesta terça-feira (30), em Assunção, no Paraguai, para defender a autonomia da América do Sul em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Sem citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump, Lula fez críticas ao avanço do protecionismo internacional e afirmou que nenhum país deve exercer influência sobre as decisões da região.

Ao abordar o cenário internacional, o presidente destacou que os países sul-americanos precisam ampliar sua capacidade de atuação conjunta e diversificar suas relações comerciais, sem depender exclusivamente de grandes potências.

“Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”, declarou Lula.

Disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos aumenta pressão sobre o Mercosul

O pronunciamento ocorre em um momento de maior tensão diplomática entre Brasília e Washington. O governo norte-americano anunciou uma proposta de tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras e abriu uma investigação comercial para analisar políticas adotadas pelo Brasil, incluindo o funcionamento do Pix.

As autoridades dos Estados Unidos avaliam se determinadas medidas adotadas pelo governo brasileiro podem afetar a competitividade de empresas americanas em setores financeiros e tecnológicos.

Diante desse cenário, Lula utilizou o encontro do Mercosul para reforçar a importância de fortalecer os mecanismos econômicos da região e reduzir a dependência de decisões tomadas fora do continente.

Lula defende o Pix como modelo para integração financeira do Mercosul

Um dos principais pontos do discurso foi a defesa do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

Segundo Lula, o sucesso da ferramenta demonstra que é possível construir soluções tecnológicas próprias para facilitar o comércio entre os países sul-americanos.

O presidente sugeriu que o modelo brasileiro possa servir de referência para a criação de um sistema regional de pagamentos, reduzindo custos nas operações internacionais, incentivando transações em moedas locais e aumentando a integração econômica entre os membros do Mercosul.

Na avaliação do governo brasileiro, uma infraestrutura financeira compartilhada também diminuiria a dependência de sistemas internacionais utilizados atualmente nas operações comerciais.

Presidente critica avanço do protecionismo mundial

Durante sua fala, Lula voltou a criticar políticas protecionistas adotadas por algumas economias, afirmando que esse tipo de estratégia dificulta investimentos, restringe o comércio internacional e compromete o crescimento econômico.

Segundo o presidente, o aumento das barreiras comerciais representa um obstáculo ao desenvolvimento sustentável e à ampliação das relações econômicas entre países emergentes.

O discurso reforçou a defesa de um Mercosul mais integrado e com maior capacidade de negociação diante das mudanças no cenário geopolítico internacional.

Minerais estratégicos entram na pauta da integração regional

Outro tema destacado pelo presidente foi o potencial da América do Sul na produção de minerais críticos, considerados essenciais para setores como tecnologia, produção de baterias, veículos elétricos, energia renovável e indústria de alta tecnologia.

Lula defendeu que os países do Mercosul deixem de atuar apenas como exportadores de matérias-primas e passem a investir na industrialização desses recursos.

Segundo ele, agregar valor aos minerais produzidos na região fortalece a economia, gera empregos e amplia a soberania tecnológica dos países sul-americanos.

“Desenvolver cadeias regionais que incluam etapas de maior valor agregado é uma questão de segurança nacional e soberania”, afirmou.

Governo também alerta para o chamado “colonialismo digital”

Ao tratar das transformações tecnológicas, Lula afirmou que o Mercosul precisa ampliar sua cooperação para reduzir a dependência das grandes empresas globais de tecnologia.

Segundo o presidente, a integração regional pode contribuir para que os países deixem de atuar apenas como fornecedores de dados, matérias-primas e mercados consumidores.

“Agir como bloco nos fortalece frente à ameaça do colonialismo digital. Podemos ser mais do que fontes de dados, matéria-prima e mercados consumidores para as grandes empresas de tecnologia”, declarou.

Mercosul busca ampliar protagonismo internacional

A reunião em Assunção também discutiu novos acordos comerciais com parceiros estratégicos, como Japão, Canadá, Índia, Vietnã e China, além de medidas para fortalecer a integração econômica entre os países do bloco.

Em meio ao aumento das disputas comerciais globais, o governo brasileiro defende que o Mercosul amplie sua presença nos mercados internacionais, fortaleça suas cadeias produtivas e atue de forma coordenada para enfrentar os desafios econômicos e tecnológicos dos próximos anos.

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