Netanyahu declara torcida por Flávio Bolsonaro e fala em reconstruir a amizade entre Israel e Brasil

Netanyahu declara torcida por Flávio Bolsonaro e fala em reconstruir a amizade entre Israel e Brasil

Primeiro-ministro de Israel parabeniza Flávio pelo desempenho no primeiro turno, deseja uma “grande vitória” no segundo e afirma esperar a retomada da “extraordinária amizade” entre os dois países

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou publicamente que espera a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para 25 de outubro. A manifestação ocorreu nesta segunda-feira, 5 de outubro, um dia depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Netanyahu parabenizou o senador brasileiro pelo resultado eleitoral e desejou sucesso na etapa decisiva da disputa.

“Espero restabelecer a extraordinária amizade entre Israel e Brasil. Desejo a você uma grande vitória, meu amigo”, afirmou o primeiro-ministro israelense na mensagem.

O recado tem peso político e diplomático porque ultrapassa uma simples manifestação de simpatia eleitoral. Netanyahu associou diretamente uma eventual vitória de Flávio à possibilidade de reconstrução das relações entre os governos brasileiro e israelense.

O novo vídeo que reforça a aproximação

A declaração desta segunda-feira não surgiu isoladamente.

Em julho, durante a convenção nacional do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Netanyahu já havia enviado um vídeo gravado especialmente para o evento.

Na gravação, o primeiro-ministro israelense parabenizou Flávio pelo lançamento oficial de sua campanha e destacou a relação entre os dois povos.

Netanyahu apresentou Flávio como um defensor da amizade entre Brasil e Israel e declarou acreditar que o senador poderia levar o Brasil a patamares mais elevados.

O vídeo foi exibido diante de lideranças e apoiadores do PL e se transformou em um dos sinais mais explícitos da aproximação internacional construída pela campanha de Flávio.

Naquele mesmo evento, o presidente argentino Javier Milei também participou presencialmente e manifestou apoio ao candidato brasileiro.

Agora, depois do primeiro turno, Netanyahu voltou ao tema, mas com uma mensagem ainda mais direta: não apenas parabenizou Flávio, como declarou esperar sua vitória na segunda rodada.

Flávio chega ao segundo turno na frente

A manifestação de Netanyahu ocorre em um momento particularmente importante da eleição brasileira.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Com isso, os dois candidatos avançaram para o segundo turno, que será realizado em 25 de outubro.

A vantagem obtida por Flávio dá à sua campanha um argumento político importante: o candidato do PL não apenas conseguiu chegar ao segundo turno, mas terminou a primeira etapa numericamente à frente do atual presidente.

A disputa, portanto, começa novamente do zero em termos jurídicos e eleitorais, mas não parte de uma situação de empate político. Flávio chega à reta final carregando o resultado de uma votação expressiva e o discurso de que existe uma parcela significativa do eleitorado pedindo mudança.

Foi justamente essa interpretação que o próprio senador apresentou após a divulgação do resultado.

Flávio afirmou que o resultado representava o desejo de mudança de parte expressiva do eleitorado e chegou a falar em “fim da era do Partido dos Trabalhadores”.

Israel se torna um símbolo da diferença entre os projetos

A manifestação de Netanyahu também recoloca a política externa no centro da campanha.

Durante o governo Lula, as relações entre Brasil e Israel sofreram forte deterioração. O governo israelense reagiu duramente às declarações de Lula sobre a guerra em Gaza, e o presidente brasileiro foi declarado persona non grata por Israel em 2024.

O Brasil também ficou sem embaixador em Tel Aviv, enquanto Israel retirou a indicação de seu representante para Brasília e passou a manter a representação diplomática por meio de um encarregado de negócios.

É nesse cenário que Flávio apresenta uma proposta completamente diferente.

O senador declarou que, caso seja eleito presidente, pretende reconstruir a relação diplomática com Israel e visitar o país no início de um eventual governo, seguindo uma estratégia semelhante à adotada por seu pai, Jair Bolsonaro, após a eleição de 2018.

Flávio também já defendeu a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, além da nomeação de um novo embaixador brasileiro para o país.

O resultado em Israel chama atenção

A mensagem de Netanyahu também ganhou força pelo resultado da votação brasileira em território israelense.

Entre os brasileiros que votaram em Israel, Flávio Bolsonaro obteve 523 votos, ou 74,29%, enquanto Lula recebeu 92 votos, equivalentes a 13,07%.

O resultado mostra uma diferença muito grande entre os dois candidatos naquele eleitorado.

A votação também dialoga com a forte identificação de parte da direita brasileira com Israel e com a posição historicamente mais próxima da família Bolsonaro em relação ao governo israelense.

Em outros países, porém, o comportamento do eleitorado brasileiro no exterior foi diferente. Lula venceu em algumas nações, enquanto Flávio apresentou resultados expressivos em países como Japão e Israel.

Não é apenas uma mensagem eleitoral

O ponto mais relevante da declaração de Netanyahu está justamente na dimensão diplomática.

Ao desejar uma “grande vitória” a Flávio e falar em “restabelecer” a amizade entre Israel e Brasil, o primeiro-ministro deixa evidente qual cenário político considera mais favorável para a relação bilateral.

Isso não significa que a manifestação determine o resultado brasileiro — a eleição será decidida exclusivamente pelos eleitores do país —, mas mostra que a disputa presidencial passou a ser acompanhada também por governos e lideranças estrangeiras.

Flávio, por sua vez, vem construindo uma campanha que apresenta sua política externa como uma ruptura com a orientação adotada pelo atual governo.

O candidato busca uma aproximação maior com Estados Unidos, Israel e governos latino-americanos alinhados à direita, enquanto promete reposicionar o Brasil em questões diplomáticas consideradas estratégicas.

Um contraste direto com Lula

A declaração de Netanyahu também evidencia o contraste entre os dois candidatos.

De um lado, Lula chega ao segundo turno defendendo a continuidade de seu projeto político e tentando conquistar votos suficientes para alcançar seu quarto mandato não consecutivo.

Do outro, Flávio Bolsonaro tenta transformar a liderança do primeiro turno em uma onda nacional de mudança.

A diferença também aparece no campo internacional.

Enquanto o governo Lula acumulou fortes atritos diplomáticos com Israel durante o conflito no Oriente Médio, Netanyahu agora manifesta publicamente seu desejo de que Flávio seja eleito.

A política externa, nesse cenário, deixa de ser apenas uma questão de relações internacionais e passa a fazer parte da própria narrativa eleitoral.

O mérito político de Flávio

Independentemente da avaliação que cada eleitor faça sobre Netanyahu ou sobre Israel, existe um dado político que merece ser reconhecido: Flávio conseguiu transformar sua candidatura em um projeto com repercussão internacional.

O vídeo de Netanyahu durante o lançamento da candidatura e a nova mensagem após o primeiro turno mostram uma relação que já vinha sendo construída antes mesmo da reta final da eleição.

E isso acontece em um momento em que Flávio aparece à frente de Lula na primeira rodada da disputa.

O mérito político, portanto, está em ter consolidado uma candidatura capaz de mobilizar não apenas sua base eleitoral doméstica, mas também aliados e interlocutores estrangeiros que enxergam na eventual vitória do senador uma oportunidade de mudança na política externa brasileira.

Segundo turno terá disputa dentro e fora do Brasil

A partir de agora, a eleição ganha uma dimensão ainda maior.

Flávio precisará manter a vantagem conquistada no primeiro turno, ampliar sua votação entre os eleitores que apoiaram os candidatos eliminados e apresentar propostas capazes de convencer os indecisos.

Lula, por sua vez, terá de reverter a desvantagem e construir uma estratégia capaz de transformar a disputa apertada em uma vitória no dia 25.

No exterior, a eleição também continuará sendo observada com atenção.

A manifestação de Netanyahu mostra que governos estrangeiros já começaram a deixar claras suas preferências sobre o futuro político brasileiro.

Um recado que ultrapassa a eleição

A frase de Netanyahu — de que deseja “restabelecer a extraordinária amizade entre Israel e Brasil” — é, sobretudo, um recado sobre o futuro das relações entre os dois países.

Se Flávio vencer, haverá expectativa de uma mudança significativa na política externa brasileira em relação a Israel.

Se Lula permanecer no poder, a tendência será de continuidade de uma orientação diplomática muito diferente daquela defendida pelo grupo político de Flávio.

Por isso, o vídeo e a declaração de Netanyahu ganharam importância dentro da campanha.

Mais do que uma simples felicitação eleitoral, o primeiro-ministro israelense colocou sobre a mesa uma escolha de política externa: qual Brasil estará disposto a reconstruir sua relação com Israel e qual projeto político conduzirá essa aproximação?

A resposta será dada pelos eleitores brasileiros em 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro e Lula voltarão às urnas para decidir quem comandará o país pelos próximos quatro anos.

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