
NIKOLAS FERREIRA DETONA ALCOLUMBRE, EXPÕE CONTRADIÇÕES E QUESTIONA SUA ATUAÇÃO À FRENTE DO SENADO: “O AMAPÁ ACORDOU”
Deputado rebate discurso do presidente do Senado, defende manifestação pacífica no Amapá, cobra andamento dos pedidos de impeachment de ministros do STF e faz duras críticas à condução política de Alcolumbre, mencionando problemas sociais, denúncias e decisões que considera prejudiciais ao país.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) respondeu com dureza às críticas feitas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que reclamou de manifestações e cobranças feitas contra ele durante a campanha eleitoral. Em vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (5), Nikolas questionou a postura do senador e afirmou que não precisa pedir autorização para entrar em um estado e cobrar explicações de uma autoridade pública.
O parlamentar relembrou sua participação em uma manifestação realizada em 13 de setembro, na Concha do Araxá, em Macapá. Segundo Nikolas, o ato foi pacífico, reuniu pessoas vestidas de verde e amarelo e teve como objetivo pressionar Alcolumbre a dar andamento aos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente do ministro Alexandre de Moraes.
“Não está normal, Alcolumbre, um deputado sair de Minas Gerais, ir ao Amapá, fazer uma cobrança pública e o presidente do Senado tratar isso como se fosse uma agressão, uma ofensa ou uma ameaça”, afirmou.
Nikolas também questionou a indignação do senador com os protestos, argumentando que os problemas enfrentados pela população amapaense deveriam provocar uma reação ainda maior de quem representa o estado há tantos anos.
O deputado citou indicadores sociais do Amapá: a falta de coleta de esgoto para nove em cada dez moradores em 2024, mais de 230 mil pessoas sem acesso à água tratada, a maior taxa de mortes violentas do país em 2025 e mais de 40% da população abaixo da linha da pobreza em 2024. Também mencionou a violência contra crianças e adolescentes, cuja taxa, segundo os dados apresentados, foi quase três vezes superior à média nacional.
“Você acha normal ficar indignado com uma manifestação desse povo, mas nunca ter ficado indignado dessa forma com a situação desse próprio povo?”, questionou.
As críticas foram além da manifestação. Nikolas cobrou explicações sobre a retirada da redução da maioridade penal da PEC da Segurança Pública, criticou a discussão sobre o fim da escala 6×1 durante o segundo turno das eleições e voltou a cobrar que Alcolumbre coloque em discussão os pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O deputado também mencionou suspeitas e denúncias envolvendo o senador, entre elas pagamentos de aproximadamente R$ 3 milhões a um ex-chefe de gabinete por uma empresa investigada no esquema do INSS e relatos de ex-assessoras sobre um suposto esquema de rachadinha que envolveria mais de R$ 2 milhões. Nikolas ainda fez referência a mensagens relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. As menções foram apresentadas como questionamentos políticos, não como comprovação de responsabilidade criminal.
Ao encerrar, o parlamentar afirmou que não considera ofensivo cobrar explicações de um representante público e declarou que jamais pedirá licença a um senador para entrar em seu estado e exercer o direito de manifestação.
“Eu jamais vou pedir licença nenhuma a senador para entrar no estado dele. Muito menos para poder cobrar explicações sobre o trabalho dele. Afinal, quem estava lá cobrando era o povo. O Amapá acordou”, declarou.
A resposta de Nikolas amplia o embate com Alcolumbre em um momento de disputa pela presidência do Senado, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027. Alcolumbre busca a reeleição, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN) articula uma candidatura de oposição, e Tereza Cristina (PP-MS) também aparece entre os nomes cotados.
O episódio deixa uma questão política central: o presidente do Senado pode discordar das manifestações, mas não pode transformar cobranças públicas em ofensas simplesmente porque atingem sua atuação. Quem ocupa um dos cargos mais importantes da República precisa estar preparado para prestar contas à população, especialmente quando estão em discussão pedidos de impeachment, decisões legislativas e problemas que afetam diretamente os cidadãos que representa.