Nunes Marques dá 20 dias para PGR analisar pedido de Bolsonaro para anular condenação no STF

Nunes Marques dá 20 dias para PGR analisar pedido de Bolsonaro para anular condenação no STF

Defesa do ex-presidente tenta reverter pena de mais de 27 anos no processo da trama golpista e questiona julgamento feito pela Primeira Turma do Supremo

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, abriu prazo de 20 dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão movimenta novamente um dos processos mais sensíveis e politicamente explosivos do país: a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão no caso envolvendo a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Atualmente em prisão domiciliar por razões de saúde, Bolsonaro tenta agora anular completamente a condenação por meio de uma revisão criminal protocolada no STF no início de maio.

Defesa quer anulação total do processo

No pedido encaminhado ao Supremo, os advogados do ex-presidente argumentam que houve falhas graves no julgamento e defendem que o caso deveria ter sido analisado pelo plenário completo da Corte — e não apenas pela Primeira Turma do STF.

A defesa pede:

  • anulação integral do processo;
  • absolvição de Bolsonaro;
  • revisão de todas as condenações impostas ao ex-presidente.

Bolsonaro foi condenado pelos crimes de:

  • organização criminosa armada;
  • tentativa de golpe de Estado;
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • dano qualificado ao patrimônio público;
  • deterioração de patrimônio tombado.

Os advogados sustentam que não existem provas concretas que demonstrem participação direta do ex-presidente em atos executórios relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Segundo a defesa, também não haveria elementos suficientes que comprovem ligação subjetiva entre Bolsonaro e os responsáveis pela invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília.

Nunes Marques amplia prazo por “complexidade do caso”

Ao analisar o pedido, Nunes Marques decidiu ampliar de 10 para 20 dias o prazo dado à Procuradoria-Geral da República para emissão do parecer.

Na decisão, o ministro afirmou que o caso exige análise aprofundada devido à relevância institucional e à complexidade jurídica envolvendo um ex-presidente da República.

Nos bastidores do STF, o movimento é visto como mais um capítulo da longa disputa jurídica e política em torno do ex-presidente.

O que é revisão criminal

A revisão criminal é um mecanismo jurídico excepcional usado para contestar condenações definitivas — aquelas em que já não cabem mais recursos comuns.

Para que a revisão seja aceita, normalmente é necessário demonstrar:

  • erro judicial;
  • surgimento de novas provas;
  • irregularidades processuais;
  • decisões contrárias às evidências dos autos.

O trânsito em julgado da condenação de Bolsonaro ocorreu no fim do ano passado, encerrando oficialmente a fase recursal tradicional do processo.

Julgamento deverá ficar com outra turma do STF

Embora Bolsonaro tenha sido condenado pela Primeira Turma do Supremo — formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia —, o pedido de revisão criminal deverá ser analisado pela Segunda Turma da Corte.

Esse colegiado é composto por:

  • Kassio Nunes Marques;
  • André Mendonça;
  • Gilmar Mendes;
  • Dias Toffoli;
  • Luiz Fux.

O detalhe chama atenção porque Nunes Marques e André Mendonça foram indicados ao STF pelo próprio Bolsonaro durante seu mandato presidencial.

Caso continua dominando cenário político e jurídico

A movimentação ocorre em meio ao ambiente de forte polarização política no Brasil e mantém o nome de Bolsonaro no centro das disputas institucionais do país.

Enquanto aliados defendem que o ex-presidente sofre perseguição política e questionam a condução do processo, adversários afirmam que a condenação representa resposta necessária aos ataques contra a democracia brasileira.

Com o novo prazo aberto por Nunes Marques, a expectativa agora se concentra na manifestação da PGR, que poderá influenciar diretamente os próximos passos da revisão criminal no Supremo Tribunal Federal.

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