
Patrimônio declarado por candidatos de esquerda cresce até 870% antes das eleições de 2026; levantamento aponta maiores variações entre políticos do PT e PSOL
Dados registrados no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram aumento expressivo nos bens declarados por alguns nomes que disputarão cargos eletivos; parlamentares afirmam que evolução patrimonial está relacionada a rendimentos, investimentos e acúmulo de bens ao longo dos anos
Um levantamento baseado nas declarações de bens entregues à Justiça Eleitoral por candidatos de partidos de esquerda nas eleições de 2026 revelou grandes variações patrimoniais em relação a pleitos anteriores. Os dados, obtidos a partir do sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que alguns políticos registraram aumentos superiores a centenas de pontos percentuais em seus patrimônios declarados.
Entre os casos analisados, o maior crescimento proporcional apontado pelo levantamento foi o do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que disputa uma vaga ao Senado pelo Rio Grande do Sul. Segundo os registros eleitorais, o patrimônio declarado pelo parlamentar passou de R$ 192,8 mil em 2022 para R$ 1,87 milhão em 2026, uma elevação de aproximadamente 870%.
O aumento significa que, em quatro anos, o valor declarado pelo candidato ficou quase dez vezes maior em comparação ao informado na eleição anterior.
Paulo Pimenta: maior crescimento percentual entre os nomes analisados
Paulo Pimenta, deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, é um dos principais nomes do PT no Rio Grande do Sul. Ao longo da carreira política, ocupou cargos no Congresso Nacional e também integrou a estrutura do governo federal.
A evolução patrimonial declarada pelo parlamentar chamou atenção pelo salto percentual. O levantamento, porém, considera apenas os valores informados oficialmente à Justiça Eleitoral, sem apontar irregularidades ou questionamentos sobre a origem dos recursos.
A declaração de bens é uma exigência para candidatos e tem como objetivo dar transparência ao processo eleitoral, permitindo que eleitores acompanhem a evolução patrimonial dos representantes públicos.
Jaques Wagner registra aumento superior a R$ 20 milhões
Outro caso de destaque é o do senador Jaques Wagner (PT-BA). De acordo com os dados divulgados, o parlamentar declarou possuir R$ 3,3 milhões em patrimônio em 2018. Para as eleições de 2026, o valor informado chegou a R$ 24 milhões.
A diferença representa um acréscimo de aproximadamente R$ 21,2 milhões no período, equivalente a um crescimento de cerca de 631%.
Wagner é uma das principais lideranças do PT na Bahia. Ex-governador do estado e ex-ministro durante governos petistas, o senador possui longa trajetória política e atualmente disputa novamente um cargo eletivo.
Rui Costa apresenta crescimento de 87%
Também na Bahia, o ex-governador e ex-ministro Rui Costa (PT) apresentou evolução patrimonial nos registros eleitorais.
Segundo os dados divulgados, Rui Costa declarou R$ 674 mil em 2018. Em 2026, o patrimônio informado à Justiça Eleitoral foi de R$ 1,264 milhão, representando crescimento aproximado de 87%.
O petista ocupou o governo da Bahia por dois mandatos e posteriormente assumiu o Ministério da Casa Civil no governo federal.
Manuela D’Ávila aumenta patrimônio em mais de 200%
A ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PSOL-RS) também aparece entre os nomes analisados.
Candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul em 2026, Manuela declarou patrimônio de R$ 1,376 milhão. Em 2020, quando disputou a Prefeitura de Porto Alegre, havia informado bens no valor de R$ 455 mil.
A diferença representa crescimento aproximado de 202% em seis anos.
Manuela construiu sua trajetória política como deputada federal e estadual pelo Rio Grande do Sul, além de ter sido candidata à Presidência da República como vice na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) em 2018.
Décio Lima mais que dobra patrimônio declarado
O presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e candidato ao Senado por Santa Catarina, Décio Lima (PT-SC), também apresentou aumento significativo.
Segundo os registros, o patrimônio declarado passou de R$ 1,49 milhão em 2022 para R$ 3,17 milhões em 2026.
O crescimento informado foi de aproximadamente 113%.
Décio Lima foi deputado federal por Santa Catarina e também disputou o governo estadual em eleições anteriores.
Chico Alencar registra alta de 400%
Entre os representantes do PSOL, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) aparece com uma das maiores variações percentuais.
O parlamentar declarou possuir R$ 192 mil em patrimônio nas eleições de 2022. Para 2026, o valor informado foi de R$ 961 mil, crescimento aproximado de 400%.
Chico Alencar possui uma longa trajetória política no Rio de Janeiro, tendo exercido mandatos como vereador e deputado federal.
Outros candidatos do PT também tiveram crescimento
O levantamento também apontou mudanças patrimoniais entre outros nomes do Partido dos Trabalhadores.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) declarou:
- R$ 717 mil em 2022
- R$ 1,1 milhão em 2026
O aumento informado foi de aproximadamente 53%.
Já o deputado federal Rui Falcão (PT-SP) passou de:
- R$ 614 mil em 2022
- R$ 912 mil em 2026
Uma elevação de cerca de 48,5%.
Outro nome citado foi Pedro Rousseff (PT-MG), que declarou patrimônio de R$ 78,6 mil em 2026, enquanto não havia informado bens na declaração eleitoral anterior de 2024.
Declarações não significam investigação ou irregularidade
Os valores apresentados correspondem às declarações oficiais feitas pelos próprios candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral. O aumento patrimonial, por si só, não representa ilegalidade ou comprovação de irregularidade.
A legislação eleitoral exige que candidatos informem seus bens para garantir transparência aos eleitores. A Justiça Eleitoral analisa os dados apresentados, mas a simples variação entre declarações de anos diferentes pode ocorrer por diversos motivos, como valorização de imóveis, investimentos financeiros, heranças, aquisição de bens ou mudanças na composição patrimonial.
Cenário eleitoral de 2026
A divulgação das declarações patrimoniais ocorre em meio à preparação das eleições de 2026, quando diversos políticos disputam vagas no Senado, Câmara dos Deputados e governos estaduais.
Os dados de patrimônio passaram a ocupar espaço no debate público, especialmente entre candidatos que buscam apresentar transparência financeira ou que enfrentam questionamentos políticos sobre a evolução de seus bens.
No caso dos nomes citados, os registros mostram trajetórias patrimoniais distintas, com aumentos que variam de dezenas a centenas de pontos percentuais ao longo dos últimos anos.