PF aponta relação próxima entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro em investigação do caso Banco Master

PF aponta relação próxima entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro em investigação do caso Banco Master

Decisão do STF cita pagamentos, viagens de luxo e repasses financeiros ligados ao senador; defesa nega irregularidades e critica operação

A nova fase da Operação Compliance Zero colocou o senador Ciro Nogueira no centro das investigações sobre um suposto esquema de corrupção e fraudes financeiras envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, após relatório da Polícia Federal apontar uma relação considerada além de uma simples amizade entre os dois.

Segundo a decisão judicial, os investigadores identificaram indícios de um “arranjo funcional orientado por benefícios mútuos”, envolvendo pagamentos recorrentes, custeio de despesas pessoais e supostas vantagens financeiras destinadas ao parlamentar.

De acordo com a Polícia Federal, mensagens encontradas durante a investigação indicam que Daniel Vorcaro teria pago despesas de viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo, restaurantes e até utilizado cartões para cobrir gastos ligados ao senador e familiares.

Um dos episódios citados envolve hospedagens no luxuoso Park Hyatt New York, em Manhattan, nos Estados Unidos. Em conversas obtidas pela PF, um interlocutor pergunta ao banqueiro se deveria continuar pagando despesas de restaurantes de Ciro Nogueira durante a viagem. Vorcaro responde autorizando os pagamentos e menciona o uso de seu cartão em outro destino internacional.

A investigação também aponta movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo empresas ligadas ao senador. Segundo os investigadores, uma empresa associada ao grupo familiar de Ciro Nogueira teria adquirido participação societária com um valor muito abaixo do mercado, gerando suspeitas de favorecimento econômico.

Outro ponto destacado pela PF envolve pagamentos mensais que, segundo os investigadores, poderiam chegar a R$ 500 mil. Os repasses teriam ocorrido por meio de estruturas empresariais ligadas ao grupo investigado pela operação.

A Polícia Federal ainda sustenta que o senador teria atuado politicamente em favor de interesses ligados ao Banco Master. Entre os fatos investigados está a chamada “Emenda Master”, proposta que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo a PF, mensagens atribuídas a Vorcaro indicariam influência direta na elaboração do texto apresentado ao Senado.

A defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que o senador “repudia qualquer ilação de ilicitude” e que irá colaborar com as investigações para demonstrar que não participou de atividades ilegais.

Os advogados também criticaram a decisão judicial, afirmando que medidas invasivas estariam sendo tomadas com base apenas em trocas de mensagens e interpretações da investigação, sem provas definitivas de ilegalidade.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional. O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal e pode ter novos desdobramentos políticos e judiciais nas próximas semanas.

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