Professor é demitido após maquiar crianças de 4 e 5 anos em creche de Santa Catarina; caso provoca revolta entre pais

Professor é demitido após maquiar crianças de 4 e 5 anos em creche de Santa Catarina; caso provoca revolta entre pais

Prefeitura de Navegantes desligou o profissional por justa causa após denúncias de responsáveis sobre atividades envolvendo maquiagem em meninos de 4 e 5 anos. Secretaria de Educação apontou inadequações pedagógicas e abriu processo administrativo para apurar o episódio. Mãe também relatou que o professor teria feito bigodes em meninas e levado um aparelho de barbear à unidade escolar.

Um caso envolvendo a conduta de um professor de artes em uma unidade municipal de educação infantil provocou indignação entre famílias e ganhou repercussão nacional. A Prefeitura de Navegantes, no litoral de Santa Catarina, anunciou, em 28 de outubro de 2026, a demissão por justa causa de um profissional que atuava no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Professora Rosana de Fátima Gaya Barreto, localizado no bairro Gravatá.

O desligamento ocorreu depois que pais e responsáveis procuraram a Secretaria Municipal de Educação para denunciar que o professor havia maquiado meninos de 4 e 5 anos durante atividades na instituição.

A situação levantou questionamentos sobre os limites das atividades pedagógicas na primeira infância, a responsabilidade dos profissionais que trabalham diretamente com crianças pequenas e, principalmente, o direito dos pais de conhecer e acompanhar as práticas realizadas dentro da escola.

A discussão não deve ser confundida com preconceito contra qualquer pessoa ou identidade. O ponto central é a responsabilidade profissional, a adequação das atividades à faixa etária e a transparência com as famílias.

Prefeitura anuncia demissão por justa causa

O prefeito de Navegantes, Ricardo Ventura (PP), foi pessoalmente à unidade escolar depois de tomar conhecimento das denúncias. Em vídeo divulgado nas redes sociais, confirmou o desligamento do profissional e classificou o episódio como inadmissível.

Segundo o prefeito, a decisão foi tomada depois de conversas com integrantes da equipe escolar e representantes da administração municipal.

A manifestação foi direta:

“Assim que tomei conhecimento do caso inaceitável ocorrido numa escola no Gravatá, fui pessoalmente ao local e a decisão foi rápida e firme: o profissional foi demitido por justa causa na data de hoje.”

Ventura também afirmou que não toleraria atitudes que ultrapassassem os limites das orientações educacionais ou colocassem em risco o bem-estar dos estudantes.

A administração municipal procurou transmitir às famílias a mensagem de que a proteção das crianças deve ser prioridade absoluta na rede pública de ensino.

Secretaria de Educação aponta inadequações pedagógicas

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Educação informou que o professor tinha contrato temporário, conhecido como ACT, e foi desligado depois da identificação de inadequações em sua conduta pedagógica voltada à primeira infância.

A pasta afirmou que o uso de maquiagem nas crianças contrariou as orientações da coordenação pedagógica e os princípios de proteção infantil adotados pela rede municipal.

A administração classificou a situação como um processo de “adultização dos menores”.

Além do desligamento, foi determinada a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), destinado a apurar integralmente as circunstâncias do episódio e verificar eventuais consequências administrativas e legais.

A prefeitura também informou que prestaria apoio às famílias envolvidas e permaneceria à disposição dos órgãos de controle.

Mãe relata que professor também fazia bigodes nas meninas

A repercussão aumentou depois que Brendha Faustino, mãe de uma menina de 5 anos matriculada na unidade, publicou um vídeo nas redes sociais relatando outras situações que, segundo ela, teriam ocorrido na escola.

A mãe afirmou que a maquiagem não teria sido realizada exclusivamente nos meninos. Segundo seu relato, o professor também fazia bigodes nas meninas.

Ela contou ainda que, em outra ocasião, o profissional teria levado um aparelho de barbear à escola e se aproximado do rosto de sua filha, dizendo:

“Vamos tirar a barba”.

A criança teria respondido que não tinha barba e que quem fazia a barba era o pai.

A mãe demonstrou preocupação com a abordagem e questionou a adequação desse tipo de atividade para crianças de apenas 5 anos.

Em seu posicionamento, defendeu que a escola deve respeitar a infância e desenvolver atividades compatíveis com a idade dos alunos.

É importante ressaltar que esse relato foi apresentado pela mãe nas redes sociais e precisa ser considerado como uma denúncia atribuída a ela, não como uma conclusão definitiva de investigação.

Consentimento dos pais e responsabilidade da escola

Um dos principais questionamentos levantados pelo episódio diz respeito à autorização dos responsáveis.

As famílias precisam ter conhecimento sobre as atividades desenvolvidas com crianças tão pequenas, especialmente quando envolvem intervenções no rosto, utilização de produtos cosméticos ou objetos que possam gerar desconforto.

Até as informações divulgadas pelas reportagens consultadas, não havia esclarecimento público suficiente sobre o contexto completo da atividade, sua finalidade pedagógica ou a existência de autorização expressa dos responsáveis.

Portanto, não é possível afirmar categoricamente que houve ausência de consentimento formal. Entretanto, a falta de esclarecimentos sobre esse ponto reforça a necessidade de investigação e transparência por parte da instituição.

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