Projeto de lei quer impedir jogadores que atuam no exterior de defenderem a Seleção Brasileira

Projeto de lei quer impedir jogadores que atuam no exterior de defenderem a Seleção Brasileira

Deputado Luiz Carlos Hauly propõe que apenas atletas, técnicos e membros de comissão técnica ligados a clubes brasileiros possam representar o país; medida também prevê restrições a patrocínios de casas de apostas

O deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) apresentou um projeto de lei na Câmara dos Deputados que pretende mudar as regras de convocação da Seleção Brasileira. A proposta estabelece que apenas jogadores que atuem em clubes sediados no Brasil poderão vestir a camisa da equipe nacional em competições oficiais.

Além dos atletas, o texto também prevê que treinadores, auxiliares, preparadores físicos e demais integrantes da comissão técnica sejam brasileiros e estejam vinculados profissionalmente a clubes ou entidades esportivas nacionais.

Segundo Hauly, a iniciativa tem como objetivo fortalecer o futebol brasileiro, valorizar os clubes que formam atletas e recuperar a ligação entre a Seleção e os torcedores.

“Chega, basta dessas estrelas que vêm para a Copa do Mundo como vestais e chegam na Copa, fazem o Brasil passar vergonha”, afirmou o parlamentar durante discurso na Câmara, ao defender a mudança.

Críticas à saída de jogadores para o exterior

Na justificativa do projeto, Hauly argumenta que a transferência cada vez mais precoce de jovens talentos para clubes estrangeiros teria enfraquecido o campeonato nacional.

Para o deputado, a saída de atletas para mercados internacionais reduziu a competitividade dos clubes brasileiros, prejudicou categorias de base e diminuiu a identificação da população com a Seleção.

“O objetivo é privilegiar profissionais que atuem no Brasil e fortalecer o campeonato nacional”, diz o texto apresentado pelo parlamentar.

A proposta surge após a participação brasileira na Copa do Mundo, marcada pela eliminação da equipe diante da Noruega, em derrota por 2 a 1. Dos 26 jogadores convocados para a competição, apenas sete atuavam em clubes brasileiros.

O atual treinador da Seleção, o italiano Carlo Ancelotti, também é citado como exemplo da mudança no perfil da equipe, já que a proposta de Hauly defende uma comissão técnica formada por profissionais brasileiros.

Projeto também mira patrocínios de casas de apostas

Além das regras para convocação de jogadores e comissão técnica, o projeto de lei apresenta uma segunda medida polêmica: a proibição de publicidade e patrocínio de empresas de apostas esportivas, conhecidas como “bets”.

Caso aprovado, o texto impediria contratos de exposição comercial dessas empresas em uniformes, centros de treinamento, estádios, arenas, entrevistas, redes sociais, materiais esportivos e campanhas promocionais.

A proposta determina ainda que contratos já existentes sejam encerrados em até 180 dias após a publicação da lei, caso ela seja aprovada.

O deputado prevê punições para entidades que descumprirem a regra, incluindo a suspensão do recebimento de recursos públicos federais, incentivos fiscais, convênios e outros benefícios.

Tramitação no Congresso

O projeto ainda precisa passar pela análise da Mesa Diretora da Câmara, ser distribuído para comissões temáticas e, caso avance, será votado pelo plenário.

Se aprovado pelos deputados, seguirá para o Senado Federal. Depois disso, ainda dependerá de sanção presidencial para entrar em vigor.

A proposta abre um novo debate sobre o modelo da Seleção Brasileira, colocando em discussão a relação entre futebol nacional, clubes estrangeiros, formação de atletas e a identidade histórica da equipe que se tornou uma das maiores marcas esportivas do mundo.

Enquanto defensores da medida afirmam que ela poderia fortalecer o futebol brasileiro, críticos apontam que a restrição poderia limitar a convocação dos principais talentos do país, já que grande parte dos melhores jogadores brasileiros atua atualmente no exterior.

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