Rejeição a Moraes dispara nas redes e supera polarização em torno de Mendonça

Rejeição a Moraes dispara nas redes e supera polarização em torno de Mendonça

Levantamento da AP Exata, com 120 mil menções no Instagram e no X entre 1º e 4 de setembro, mostra mais de 70% de referências negativas a Alexandre de Moraes e menos de 5% positivas; André Mendonça também passou a receber críticas, mas mantém um ambiente muito mais dividido

A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal ganhou uma nova dimensão: a batalha pela opinião pública nas redes sociais.

Um levantamento realizado pela consultoria AP Exata mostra uma diferença expressiva na maneira como os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça passaram a ser mencionados no Instagram e no X, antigo Twitter, depois que veio a público o relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Banco Master.

Entre 1º e 4 de setembro de 2026, a consultoria analisou 120 mil menções aos dois ministros nas duas plataformas. O resultado apontou que mais de 70% das menções a Alexandre de Moraes tinham teor negativo, enquanto as manifestações positivas não ultrapassaram 5%.

O cenário de André Mendonça é diferente.

O ministro também passou a enfrentar aumento das críticas, mas sua imagem nas redes apresenta uma divisão muito maior. As menções positivas oscilaram entre 20% e 25%, enquanto as negativas ficaram aproximadamente entre 25% e 30%.

A diferença é importante porque mostra que a crise não produziu simplesmente uma troca automática de popularidade entre dois ministros.

O que apareceu foi algo mais complexo: Moraes passou a concentrar uma rejeição muito mais ampla, enquanto Mendonça se tornou objeto de uma disputa política e ideológica mais equilibrada.

O tamanho da análise

Antes de interpretar os números, é preciso compreender exatamente o que foi medido.

A AP Exata não entrevistou 120 mil brasileiros individualmente.

O levantamento analisou 120 mil menções publicadas nas redes sociais, no Instagram e no X, durante o período de 1º a 4 de setembro. Portanto, trata-se de uma análise de comportamento e sentimento digital, e não de uma pesquisa de intenção de voto ou de aprovação tradicional.

Essa distinção é fundamental.

Uma pesquisa de opinião convencional procura representar uma população por meio de uma metodologia amostral específica.

A análise da AP Exata observa o que está sendo publicado e como os usuários se manifestam nas redes.

Assim, os números revelam o ambiente de debate digital, mas não permitem concluir automaticamente que mais de 70% dos brasileiros rejeitam Moraes.

O dado é, entretanto, relevante porque as redes sociais se transformaram em um dos principais espaços de disputa política, especialmente em momentos de crise institucional.

O ponto de ruptura: 1º de setembro

A mudança de comportamento nas redes coincide com um acontecimento específico.

Em 1º de setembro, ganhou repercussão o relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Banco Master e às mensagens que envolviam o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A partir daquele momento, o nome de Moraes passou a aparecer com frequência ainda maior nas discussões políticas.

Segundo a AP Exata, desde o início dessa nova fase da crise, mais de 70% das menções ao ministro foram negativas.

O Antagonista, ao reproduzir os dados da consultoria, destacou que as menções positivas a Moraes ficaram abaixo de 5% durante o período analisado.

A sequência dos acontecimentos é importante.

A divulgação do relatório não criou a controvérsia envolvendo Moraes, mas funcionou como um acelerador de uma crise que já vinha sendo acompanhada por setores da sociedade e da política.

O caso de André Mendonça

André Mendonça apresentou uma trajetória diferente.

No início do período analisado, 23% das menções ao ministro tinham teor positivo. Nos dias seguintes, entretanto, as referências negativas passaram a ser maioria.

Mesmo assim, Mendonça não reproduziu o mesmo padrão observado com Moraes.

As manifestações favoráveis permaneceram na faixa de 20% a 25%, enquanto as negativas ficaram entre 25% e 30%.

Em outras palavras, existe rejeição crescente, mas também existe uma parcela relevante de usuários defendendo o ministro.

É isso que a AP Exata chama de um cenário mais polarizado.

Mendonça tornou-se personagem de uma disputa em que diferentes grupos passaram a atribuir significados políticos à sua atuação como relator do caso Master.

Para alguns usuários, ele aparece como um ministro que estaria tentando investigar fatos envolvendo integrantes do próprio Supremo.

Para seus críticos, sua atuação passou a ser associada a uma disputa política contra Moraes.

Essa divisão explica por que o sentimento em torno de Mendonça é muito menos uniforme.

Moraes perdeu a defesa de parte da esquerda?

Um dos aspectos mais destacados por Sergio Denicoli, cientista de dados e CEO da AP Exata, foi a mudança na composição do apoio digital a Alexandre de Moraes.

Segundo Denicoli, o ministro teria perdido grande parte do apoio que recebia de setores da esquerda.

Em entrevista à CNN, o especialista afirmou que Moraes estaria, naquele momento, praticamente sem uma base relevante de defesa nas redes diante do volume de críticas.

Essa avaliação ajuda a explicar a diferença entre os dois ministros.

A rejeição a Moraes não estaria mais concentrada exclusivamente em setores identificados com a direita.

O ministro tornou-se alvo de críticas que atravessam diferentes grupos políticos.

Isso é particularmente significativo porque Alexandre de Moraes já havia se transformado, nos últimos anos, em uma das figuras mais polarizadoras da política brasileira.

Sua atuação contra redes de desinformação, sua participação em processos relacionados aos atos de 8 de janeiro e suas decisões envolvendo políticos e influenciadores fizeram dele um personagem central do conflito entre instituições, governo, oposição e movimentos políticos.

Agora, segundo os dados da AP Exata, a rejeição digital teria adquirido uma característica mais ampla.

O fenômeno da rejeição transversal

A expressão mais importante para compreender o levantamento é rejeição transversal.

Quando uma autoridade é criticada predominantemente por um único campo político, existe uma explicação relativamente simples: trata-se de polarização.

Quando grupos políticos diferentes passam a criticar a mesma autoridade por motivos distintos, o fenômeno pode assumir outra dimensão.

É essa característica que aparece no caso de Moraes.

Parte da direita o critica por decisões judiciais e por sua atuação contra Jair Bolsonaro e aliados.

Mas a repercussão atual também envolve críticas relacionadas ao caso Banco Master, à relação com Daniel Vorcaro e às controvérsias institucionais que alcançaram o STF, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

Isso não significa que todos esses críticos tenham a mesma posição política.

Significa apenas que o nome de Moraes passou a concentrar diferentes tipos de insatisfação.

A crise do Banco Master mudou o debate

O levantamento da AP Exata não pode ser analisado isoladamente da crise do Banco Master.

Daniel Vorcaro tornou-se uma figura central nas investigações depois que a Polícia Federal apreendeu material que continha mensagens e registros de contatos com autoridades.

Entre os nomes citados no material está Alexandre de Moraes.

Também veio à tona um contrato de valor elevado envolvendo o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O contrato, segundo reportagens, tinha valor na casa de R$ 129 milhões a R$ 131 milhões, conforme diferentes referências publicadas. O escritório nega irregularidades e sustenta que se tratava de uma relação profissional.

É fundamental destacar:

a existência de mensagens, contatos ou contrato profissional não constitui, por si só, prova de crime.

É justamente esse material que está sendo objeto de investigação e disputa interpretativa.

Mas, do ponto de vista da comunicação política, a simples existência desses elementos alterou a narrativa nas redes.

A exposição de Moraes

O impacto também está relacionado ao tipo de material divulgado.

Não se tratou apenas de uma decisão judicial ou de uma declaração política.

Foram divulgadas informações relacionadas a conversas privadas, relações empresariais e contatos entre personagens que ocupam posições de enorme relevância institucional.

Esse tipo de informação possui enorme capacidade de viralização.

Uma decisão judicial complexa pode receber milhares de comentários.

Uma mensagem privada, uma fotografia ou um suposto diálogo envolvendo uma autoridade pode receber milhões de visualizações.

Nas redes sociais, a crise institucional passa a ser traduzida em imagens, frases curtas, memes, vídeos e interpretações.

O resultado é uma velocidade de propagação muito maior.

A diferença entre fato e narrativa

Aqui está uma das principais questões que precisam ser preservadas.

A pesquisa mede menções positivas e negativas.

Ela não determina se as acusações contra Moraes são verdadeiras.

Também não estabelece que Mendonça esteja certo.

E não conclui que a sociedade brasileira tenha formado uma opinião definitiva sobre nenhum dos dois.

O levantamento mede o tom das manifestações digitais.

Esse tom pode ser influenciado por campanhas organizadas, militância, influenciadores, acontecimentos noticiosos, contas automatizadas, grupos políticos e pelo próprio funcionamento dos algoritmos.

Por isso, os números são importantes como termômetro digital, mas não podem ser tratados como sentença popular.

Mendonça também começa a perder terreno

Seria igualmente incorreto interpretar o levantamento como uma vitória completa de André Mendonça.

As menções negativas ao ministro passaram a ser maioria.

O percentual negativo ficou entre 25% e 30%, contra 20% a 25% de manifestações positivas.

Isso mostra que Mendonça também está pagando um preço pela exposição.

A diferença é que, no caso dele, o aumento das críticas ocorre simultaneamente ao crescimento das manifestações favoráveis.

É um comportamento típico de polarização.

Quanto mais Mendonça se torna personagem central do conflito, mais ele passa a ser defendido por um grupo e atacado por outro.

O ministro que deixou de ser apenas juiz

A crise também revela uma transformação na maneira como os ministros do STF são percebidos.

Durante décadas, ministros da Suprema Corte eram figuras predominantemente jurídicas.

Hoje, nomes como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e André Mendonça ocupam espaço permanente no debate político.

Suas decisões são acompanhadas por milhões de pessoas.

Seus votos provocam reações partidárias.

Suas aparições públicas são analisadas.

Fotografias de corredores do tribunal viralizam.

Até mesmo uma risada entre ministros pode transformar-se em assunto nacional.

A pesquisa da AP Exata é consequência desse processo.

Moraes e Mendonça não são mais percebidos apenas como magistrados.

São também personagens de uma disputa política que ultrapassa os autos.

A fotografia e a crise de imagem

Esse ambiente ajuda a explicar a repercussão da fotografia recente em que Moraes aparece sorrindo ao lado de outros ministros.

A imagem foi registrada em meio à crise do Banco Master e gerou críticas nas redes.

O STF explicou que o momento de descontração teria ocorrido após uma brincadeira do ministro Flávio Dino, sem relação com as acusações envolvendo Vorcaro.

Mesmo assim, a fotografia se tornou símbolo para grupos que já criticavam Moraes.

Pouco depois, o STF restringiu o acesso de fotógrafos a determinados pontos próximos às vidraças da Corte, medida que também gerou debate sobre transparência e relação com a imprensa.

Esse episódio mostra como a crise de imagem de uma autoridade pode ser alimentada não apenas por decisões jurídicas, mas por símbolos.

O poder das redes na crise institucional

A força desse levantamento está justamente nesse ponto.

As redes não apenas reproduzem uma crise.

Elas ajudam a construí-la, ampliá-la e reinterpretá-la.

Uma mensagem pode ser compartilhada milhares de vezes antes que os envolvidos consigam apresentar sua versão.

Uma acusação pode se tornar tendência.

Uma defesa pode ser interpretada como tentativa de blindagem.

Uma fotografia pode adquirir significado político.

E uma medida de segurança pode ser transformada em debate sobre transparência.

Nesse ambiente, a velocidade das redes muitas vezes é maior que a velocidade da Justiça.

O número que mais chama atenção

Entre todos os dados apresentados pela AP Exata, o número que mais chama atenção é justamente a distância entre menções positivas e negativas a Moraes.

Mais de 70% negativas.

Menos de 5% positivas.

A diferença é enorme.

Não se trata de uma situação de 51% contra 49%.

É uma assimetria muito maior.

No caso de Mendonça, a diferença é relativamente pequena: aproximadamente 20% a 25% de menções positivas contra 25% a 30% negativas.

Isso significa que a imagem de Mendonça permanece disputada.

A de Moraes, segundo esse recorte, aparece muito mais deteriorada.

Mas 120 mil menções não são 120 mil brasileiros

Esse talvez seja o alerta mais importante.

O número de 120 mil menções impressiona, mas não deve ser confundido com uma pesquisa eleitoral tradicional.

Uma pessoa pode publicar dezenas de mensagens.

Uma publicação pode ser compartilhada inúmeras vezes.

Determinados grupos podem ser muito mais ativos digitalmente que outros.

Usuários que não participam de redes sociais ficam fora da análise.

Portanto, não é possível dizer:

“70% dos brasileiros rejeitam Moraes.”

O que os dados permitem dizer é:

entre as 120 mil menções analisadas pela AP Exata no Instagram e no X, mais de 70% das referências a Moraes foram classificadas como negativas.

Essa é uma conclusão muito mais precisa.

O impacto político

Mesmo com essa ressalva, o resultado possui relevância política.

O Brasil entra em uma fase eleitoral extremamente sensível.

As instituições estão sob intensa observação.

O STF tornou-se um dos principais atores do debate político.

E Alexandre de Moraes é uma das figuras mais conhecidas e contestadas desse processo.

Uma deterioração significativa de sua imagem nas redes pode ser utilizada politicamente por grupos de oposição e por movimentos que defendem mudanças na composição ou nos poderes da Corte.

O próprio ambiente político já mostra sinais dessa instrumentalização.

Análises recentes apontam que a rejeição a Moraes vem sendo utilizada como elemento mobilizador para manifestações de rua próximas ao 7 de Setembro.

Isso demonstra que a crise digital pode rapidamente transformar-se em mobilização política concreta.

O efeito sobre André Mendonça

Mendonça, por outro lado, está sendo colocado no centro de uma narrativa completamente diferente.

Para setores da direita, ele passou a representar uma espécie de contraponto a Moraes.

Essa percepção é reforçada pelo fato de Mendonça ter determinado medidas que expuseram informações envolvendo Vorcaro e Moraes.

Mas existe um risco nessa transformação.

Um ministro do STF não deveria ser avaliado simplesmente como “herói” de um lado ou “inimigo” de outro.

Seu papel institucional exige independência.

A mesma sociedade que cobra investigação contra Moraes deve estar disposta a cobrar explicações de Mendonça.

E a mesma imprensa que investiga Moraes deve investigar Mendonça quando surgirem dúvidas sobre sua atuação.

A crise não termina nas redes

O resultado da AP Exata é, portanto, um sinal importante, mas não é o ponto final.

A verdadeira avaliação de Moraes e Mendonça ocorrerá também nos processos, nas decisões judiciais, nas investigações, nos esclarecimentos prestados e nas provas que eventualmente forem produzidas.

As redes podem pressionar.

Podem revelar tendências.

Podem mostrar o humor político.

Mas não substituem o devido processo.

A opinião pública não pode condenar alguém apenas porque uma hashtag viralizou.

Da mesma maneira, uma autoridade não pode utilizar sua posição institucional para escapar de questionamentos legítimos.

Um Supremo cada vez mais exposto

A crise atual deixa uma fotografia mais ampla do Brasil.

O Supremo está no centro da política.

A Polícia Federal está no centro da disputa.

A Procuradoria-Geral da República está sendo chamada a se explicar.

O Senado observa.

O governo federal acompanha.

A oposição utiliza o episódio politicamente.

E as redes sociais transformam cada novo capítulo em uma disputa de narrativas.

Nesse ambiente, o dado da AP Exata funciona como um espelho.

E o reflexo não é confortável para Alexandre de Moraes.

Segundo a análise das 120 mil menções, o ministro aparece com mais de 70% de referências negativas e menos de 5% positivas.

André Mendonça também enfrenta desgaste, mas permanece em um território muito mais equilibrado, com 20% a 25% de manifestações positivas e 25% a 30% negativas.

O resultado mais profundo

O resultado mais importante talvez não esteja simplesmente nos percentuais.

Está na mudança da natureza da crise.

Moraes deixou de enfrentar apenas seus adversários tradicionais.

A controvérsia passou a atingir sua imagem também em outros segmentos do debate político.

Mendonça, ao mesmo tempo, deixou de ser apenas um ministro relativamente discreto e passou a ocupar o centro de uma disputa nacional.

A AP Exata captou esse deslocamento.

Moraes aparece diante de uma rejeição digital muito mais concentrada. Mendonça aparece diante de uma sociedade digital dividida sobre seu papel.

Isso não significa que um venceu e o outro perdeu.

Significa que ambos passaram a representar lados diferentes de uma crise que já ultrapassou os limites de um processo judicial.

E, quando uma crise institucional chega às redes sociais com essa intensidade, o desafio deixa de ser apenas jurídico.

Passa a ser também político, comunicacional e democrático.

Porque o Supremo pode controlar seus processos.

Pode organizar suas sessões.

Pode estabelecer regras de segurança.

Pode determinar sigilos.

Mas não controla aquilo que milhões de brasileiros pensam, comentam e compartilham.

E os números divulgados agora pela AP Exata mostram que, pelo menos no ambiente digital analisado entre 1º e 4 de setembro, Alexandre de Moraes enfrenta uma onda de rejeição significativamente maior do que a polarização produzida em torno de André Mendonça.

A crise, portanto, não está apenas dentro do STF.

Ela já está nas ruas, nas redes e no imaginário político de um país que acompanha, cada vez mais de perto, a disputa pelo poder dentro da própria Suprema Corte.

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