Ricardo Salles desiste do Senado e anuncia apoio a Derrite e André do Prado

Ricardo Salles desiste do Senado e anuncia apoio a Derrite e André do Prado

Ex-ministro de Bolsonaro abre mão da candidatura a seis dias do primeiro turno e transforma a decisão em gesto de união para concentrar forças na disputa pelas duas vagas de São Paulo

O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) desistiu nesta segunda-feira (28) de disputar uma das duas vagas de São Paulo no Senado Federal e anunciou apoio às candidaturas de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), nomes apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O anúncio ocorreu ao lado de Tarcísio, Derrite e Prado, a apenas seis dias do primeiro turno.

A decisão encerra uma candidatura que vinha sendo marcada por divergências dentro da própria direita paulista. Salles havia defendido publicamente seu nome para o Senado e, durante a campanha, protagonizou críticas a André do Prado e ao comando do PL. Em junho, chegou a afirmar que apenas ele e Derrite representavam a direita na disputa, enquanto questionava a trajetória política de Prado.

Agora, porém, Salles decidiu colocar as divergências em segundo plano diante de uma estratégia de concentração de votos. Segundo a declaração apresentada no anúncio, “questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”. Tarcísio resumiu a decisão como um momento de “somar” e não de dividir.

Uma decisão de desprendimento político

A desistência representa uma mudança significativa na trajetória eleitoral de Salles em 2026. O parlamentar vinha mantendo uma candidatura própria mesmo depois de ficar fora da composição inicialmente articulada pelo grupo de Tarcísio para o Senado.

Pesquisas divulgadas antes da desistência mostravam Salles distante do grupo que aparecia nas primeiras posições. No Paraná Pesquisas de 22 de setembro, por exemplo, ele tinha 10,6%, enquanto Derrite registrava 29,3% e André do Prado, 25%. No levantamento Real Time Big Data, Salles aparecia com 9%, contra 20% de Derrite e 18% de Prado.

O Datafolha divulgado em 24 de setembro também registrou Salles com 4%, enquanto Marina Silva tinha 15%, Simone Tebet 14% e Derrite e André do Prado apareciam com 12% cada, dentro do empate técnico considerando a margem de erro.

Nesse cenário, Salles poderia ter mantido sua candidatura até o fim. Ao optar pela retirada, entretanto, passou a defender uma estratégia coletiva: concentrar o eleitorado alinhado ao grupo de Tarcísio em dois nomes para as duas cadeiras paulistas em disputa.

Apoio a antigos adversários

O apoio a André do Prado chama atenção porque os dois haviam protagonizado uma das principais disputas internas da direita paulista durante a campanha.

Salles havia criticado a aproximação de Prado com diferentes grupos políticos e questionado sua trajetória partidária. Em entrevistas anteriores, também havia feito críticas ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e adotado um discurso contrário ao chamado Centrão.

A decisão desta segunda-feira mostra que, apesar das diferenças, o parlamentar decidiu não transformar a disputa interna em obstáculo para a composição eleitoral defendida por Tarcísio. O movimento também aproxima Salles novamente de uma estratégia política da qual havia se afastado durante a campanha.

Fortalecimento da bancada no Senado

O ponto central da decisão está justamente na tentativa de fortalecer a representação paulista no Senado por meio de uma estratégia conjunta.

São Paulo elegerá dois senadores em 2026. Ao retirar sua candidatura e declarar apoio a Derrite e André do Prado, Salles deixa de disputar votos diretamente com os dois nomes apoiados pelo governador e passa a contribuir para a concentração desse eleitorado.

Tarcísio já vinha defendendo a eleição de uma bancada alinhada aos interesses de São Paulo no Congresso. Em discurso anterior, afirmou que o estado precisava de senadores e deputados comprometidos com suas demandas e pediu união política para fortalecer essa representação.

Assim, a retirada de Salles pode ser compreendida como uma decisão estratégica dentro desse projeto político: em vez de preservar uma candidatura individual, o deputado passou a priorizar a composição de forças para a disputa das duas cadeiras.

O mérito de Salles

Independentemente das divergências existentes durante a campanha, a decisão de Ricardo Salles tem um aspecto político objetivo: ele abriu mão de uma candidatura própria na reta final da eleição para apoiar outros dois nomes.

O gesto ganha relevância porque ocorreu poucos dias antes da votação e depois de uma campanha na qual Salles havia defendido vigorosamente sua própria candidatura. Ao anunciar o apoio a Derrite e André do Prado, ele reconheceu que a disputa exigia uma nova estratégia e decidiu contribuir para a concentração de forças.

Mais do que abandonar uma candidatura, Salles apresentou sua decisão como uma tentativa de transformar uma disputa interna em uma ação coordenada. A frase de que “é o momento de somar, não é o momento de dividir”, utilizada por Tarcísio, resume o sentido político do movimento.

A partir de agora, o foco passa a ser a disputa pelas duas vagas do Senado por São Paulo e a capacidade do grupo de Tarcísio de transformar a união anunciada nesta reta final em votos nas urnas.

A decisão também deixa uma mensagem sobre estratégia eleitoral: nem sempre a permanência de uma candidatura individual representa o objetivo político mais amplo de um grupo. No caso de Salles, a escolha foi retirar seu nome da corrida e direcionar seu apoio para Derrite e André do Prado, buscando fortalecer uma composição única para o Senado paulista.

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