
Trump ameaça Irã após morte de militares dos EUA e promete vingança: “Pagará muitas vezes mais”
Presidente americano endurece o discurso contra Teerã em meio à escalada militar; três soldados dos Estados Unidos morreram na última semana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou nesta segunda-feira (20) o tom das ameaças contra o Irã após a morte de três militares americanos em meio à escalada do conflito entre Washington e Teerã. Em uma publicação, o republicano afirmou que o regime iraniano pagará “muitas vezes mais” por cada soldado dos EUA morto durante os confrontos.
“Toda vez que o Irã matar um soldado americano, pagará por essa morte muitas vezes mais”, escreveu Trump. Segundo o presidente, a orientação já foi transmitida ao secretário da Guerra, Pete Hegseth, ao presidente do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine, e aos principais comandantes das Forças Armadas americanas.
A declaração ocorre em um momento de crescente tensão entre os dois países. Na última semana, três militares dos Estados Unidos morreram em episódios distintos relacionados às operações na região. Dois deles foram mortos em uma base militar na Jordânia. O terceiro morreu no norte do Iraque durante a detonação controlada de uma munição que não havia explodido.
EUA assumem ataque contra instalação nuclear no Irã
A escalada militar ganhou novo capítulo no domingo (19), quando as Forças Armadas dos Estados Unidos assumiram a responsabilidade por um bombardeio contra a usina nuclear de Darkhovin, em construção no sudoeste do Irã.
Segundo informações divulgadas pela mídia estatal iraniana Irna, ataques também atingiram áreas da cidade portuária de Bushehr, no sul do país. A região abriga a única usina nuclear civil iraniana em operação.
De acordo com os militares americanos, a operação teve como alvo centros de comando, sistemas de defesa aérea, posições de lançamento de mísseis e drones e estruturas de comunicação. Washington afirmou que a ofensiva tinha, entre seus objetivos, reduzir a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais que navegam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
O estreito é considerado uma área estratégica para a economia global. Qualquer interrupção prolongada no tráfego de navios pela região pode provocar impactos sobre o comércio internacional e aumentar a pressão sobre os preços da energia.
Líder iraniano pede união diante da escalada
Em meio à retomada dos ataques e das ameaças entre os dois países, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, fez no sábado (18) um apelo à unidade nacional.
A manifestação ocorreu enquanto o governo iraniano enfrenta a pressão provocada pelas operações militares americanas e pela possibilidade de novos ataques. O discurso reforça a tentativa de Teerã de mobilizar a população diante da intensificação do confronto com Washington.
A troca de ameaças ocorre em um cenário de crescente risco de ampliação do conflito no Oriente Médio. A promessa de Trump de responder de forma “muitas vezes maior” à morte de militares americanos sinaliza uma política de retaliação direta e aumenta a preocupação sobre os próximos passos das forças dos dois países.
Trump também defende Netanyahu
Além de endurecer o discurso contra o Irã, Donald Trump também afirmou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não será preso enquanto estiver nos Estados Unidos.
A declaração foi dada depois de o prefeito de Nova York mencionar a possibilidade de prender o premiê israelense caso ele visitasse a cidade, em referência a decisões e acusações discutidas no cenário internacional.
Trump saiu em defesa de Netanyahu e afirmou que o líder israelense não seria detido em território americano. O episódio acrescentou uma nova dimensão política à agenda internacional do presidente dos Estados Unidos, que vem mantendo uma postura de forte apoio ao governo israelense enquanto também enfrenta a escalada militar contra o Irã.
A combinação entre a morte de soldados americanos, os ataques contra alvos iranianos e as novas ameaças de retaliação coloca Washington e Teerã novamente em uma trajetória de confronto direto. A preocupação internacional agora se concentra na possibilidade de novas operações militares e nas consequências que uma eventual ampliação da guerra poderá provocar na região e no comércio global.