
Valdemar entra em cena após crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro e prega união no PL
Presidente do Partido Liberal afirma que divergências fazem parte da democracia e elogia quem defende suas convicções
Declaração ocorre após troca pública de acusações entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro expor tensões nos bastidores do principal partido da direita brasileira
A crise que ganhou os holofotes dentro da família Bolsonaro e do Partido Liberal (PL) levou o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, a se manifestar publicamente pela primeira vez. Em nota divulgada nesta quinta-feira (25), o dirigente buscou adotar um tom conciliador diante do embate envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.
A declaração ocorre um dia após Michelle divulgar vídeos nas redes sociais relatando ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio durante uma discussão relacionada aos rumos políticos do partido. O episódio revelou divergências que vinham sendo tratadas reservadamente nos bastidores e acabou provocando forte repercussão entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sem tomar partido de forma explícita, Valdemar destacou que a liberdade de pensamento sempre foi uma das marcas do PL e ressaltou que a diversidade de opiniões não representa uma ameaça ao partido.
Segundo ele, Michelle e Flávio conhecem profundamente os valores defendidos por Jair Bolsonaro e compreendem a importância do respeito às convicções individuais dentro do grupo político.
“Divergências fazem parte de qualquer ambiente vivo, plural e comprometido com ideias. Elas não nos enfraquecem; ao contrário, nos tornam mais maduros e preparados para enfrentar desafios”, afirmou o presidente da legenda.
Valdemar também enfatizou que a liberdade para expressar opiniões e defender princípios é um dos pilares da democracia e da atuação política do partido. Para ele, o mais importante é preservar os valores que unem os integrantes da legenda, independentemente das diferenças de posicionamento.
Em outro trecho da nota, o dirigente deixou claro que pretende atuar pessoalmente para reduzir a tensão entre os dois protagonistas da crise. Segundo ele, uma conversa individual com Michelle e Flávio acontecerá nos próximos dias.
“Admiro a coragem daqueles que defendem aquilo em que acreditam”, declarou.
A manifestação foi interpretada por aliados como uma tentativa de evitar que o conflito interno provoque impactos maiores na preparação da campanha presidencial de 2026.
O que provocou o conflito
A origem da crise está ligada às articulações políticas do PL no Ceará. Michelle Bolsonaro criticou uma aproximação entre lideranças do partido e o ex-governador Ciro Gomes, que ao longo dos últimos anos fez duras críticas a Jair Bolsonaro e seus filhos.
A ex-primeira-dama afirmou que se sentiu desrespeitada após questionar a estratégia partidária e relatou ter recebido uma resposta ríspida de Flávio Bolsonaro durante uma ligação telefônica. Desde então, segundo ela, os dois praticamente não mantêm contato direto.
O episódio ganhou ainda mais repercussão porque envolve figuras centrais do bolsonarismo em um momento decisivo de preparação para as eleições presidenciais.
Flávio responde e tenta reduzir tensão
Após a divulgação dos vídeos de Michelle, Flávio Bolsonaro publicou uma carta aberta e fez declarações públicas afirmando que jamais teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama.
O senador disse que continua reconhecendo a importância política de Michelle, especialmente junto ao eleitorado feminino e evangélico, e revelou que tentou convidá-la para uma reunião com lideranças conservadoras.
Segundo Flávio, a ligação não foi atendida e a mensagem enviada também não recebeu resposta.
Mesmo diante do desgaste, ele afirmou estar disposto a dialogar e manter as portas abertas para uma reconciliação.
Michelle pede paz, mas repercussão continua
Na manhã desta quinta-feira, Michelle voltou às redes sociais para amenizar a crise. Em uma mensagem direcionada aos apoiadores, afirmou que não guarda mágoas e negou a existência de qualquer disputa por espaço político.
“Não há briga, nem competição”, escreveu.
Apesar do discurso conciliador, o episódio evidenciou uma das maiores divergências públicas já registradas entre integrantes do núcleo mais próximo da família Bolsonaro. Nos bastidores, lideranças do PL acompanham o caso com atenção, temendo que o desgaste possa afetar a unidade do grupo às vésperas da disputa eleitoral de 2026.
Por enquanto, a expectativa é que a intervenção de Valdemar Costa Neto ajude a reduzir a tensão e preserve a união do partido em torno dos desafios políticos que se aproximam.