
André Fernandes denuncia suposta falha em operação contra plantação de maconha no Ceará; Governo determina investigação
Deputado afirma que grande parte dos 290 mil pés de maconha permaneceu no local após ação policial em Acopiara; Governo do Ceará e órgãos de controle abrem apuração sobre os procedimentos adotados
Uma operação considerada uma das maiores já realizadas contra o cultivo ilegal de maconha no Ceará passou a ser alvo de questionamentos após denúncias do deputado federal André Fernandes (PL-CE). O parlamentar afirmou que a ação policial, realizada em um sítio no município de Acopiara, no interior do estado, teria sido interrompida antes da destruição completa da plantação, levantando dúvidas sobre a condução da operação.

Segundo André Fernandes, imagens registradas por sua equipe mostram que uma parte significativa da plantação continuava intacta dias após a operação. Além disso, o deputado afirma que objetos que poderiam contribuir para as investigações, como aparelhos celulares, cadernos com anotações e outros materiais encontrados na propriedade, permaneceram no local sem a devida preservação.
Nas redes sociais, o parlamentar classificou a situação como grave e cobrou esclarecimentos das autoridades de segurança pública. Para ele, é necessário identificar quem autorizou o encerramento da operação antes da eliminação completa da plantação e da coleta de todos os elementos considerados importantes para a investigação.
Governo do Ceará determina apuração
Após a repercussão das denúncias, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que instaurou um inquérito para investigar possíveis falhas nos procedimentos adotados durante a operação.
Em nota oficial, a pasta afirmou que irá apurar rigorosamente a denúncia relacionada à preservação da área onde foram encontrados aproximadamente 290 mil pés de maconha e ressaltou que eventuais irregularidades serão investigadas, com responsabilização dos envolvidos caso sejam confirmadas.
A Controladoria-Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) também abriu procedimento disciplinar, por determinação do governador Elmano de Freitas (PT), para verificar a atuação dos policiais encarregados da custódia da propriedade após a operação.
O Ministério Público do Ceará informou que acompanha o caso por meio do Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública (Gaesp) e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que atuarão na fiscalização das investigações.
O que foi encontrado na operação
A ofensiva policial ocorreu em um sítio localizado na zona rural de Acopiara e resultou na descoberta de uma estrutura utilizada para o cultivo em larga escala de maconha.
Segundo a Polícia Civil, foram localizados cerca de 160 mil pés da droga em fase de cultivo e outros 130 mil já colhidos, totalizando aproximadamente 290 mil plantas, além de cerca de cinco toneladas do entorpecente.
Os policiais também encontraram acampamentos utilizados pelos suspeitos. De acordo com a investigação, os responsáveis fugiram pouco antes da chegada das equipes, deixando para trás utensílios domésticos, alimentos preparados e materiais utilizados na manutenção da plantação.
Na ocasião, a Polícia Civil divulgou imagens mostrando tratores destruindo parte da lavoura e a incineração de uma parcela da droga ainda no local.
André Fernandes leva denúncia à Polícia Federal
Nesta segunda-feira, André Fernandes informou que protocolou representação na Polícia Federal solicitando investigação sobre o caso. O deputado afirma que busca esclarecer por que, segundo sua versão, parte expressiva da plantação permaneceu na propriedade após o encerramento da operação.
Até o momento, a Polícia Federal informou apenas que não comenta investigações em andamento.
Caso levanta debate sobre protocolos de operações policiais
A repercussão do episódio ampliou o debate sobre os procedimentos adotados em grandes operações de combate ao tráfico de drogas, especialmente em relação à preservação de locais de crime, destruição de entorpecentes e coleta de provas.
Enquanto as denúncias apresentadas pelo deputado motivaram a abertura de investigações administrativas, caberá aos órgãos responsáveis apurar se houve falhas operacionais ou descumprimento dos protocolos previstos para esse tipo de ação. Até a conclusão das apurações, não há confirmação oficial de irregularidades na condução da operação.