Câmara envia ao STF denúncia de suposta “armação” contra Alfredo Gaspar

Câmara envia ao STF denúncia de suposta “armação” contra Alfredo Gaspar

Comerciante afirma à Polícia Legislativa que deputado Lindbergh Farias teria conhecimento de uma suposta trama para apresentar falsa denúncia de estupro contra Alfredo Gaspar; petista nega envolvimento e classifica relato como “picaretagem”

A Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em maio deste ano, um depoimento no qual um comerciante do Rio de Janeiro acusa o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) de suposta participação em uma articulação para incriminar falsamente o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O relato foi apresentado à Polícia Legislativa e posteriormente encaminhado pela Câmara ao STF em razão do foro por prerrogativa de função de Lindbergh. As informações foram divulgadas pelo colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.

A denúncia está relacionada a uma investigação envolvendo uma suposta acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar. O caso está sob responsabilidade do ministro Gilmar Mendes, do STF, que é relator do pedido de abertura de investigação contra o deputado. Segundo as informações divulgadas, Mendes aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Comerciante procurou gabinete de Alfredo Gaspar

O depoente, identificado como Luis Antonio Lopes, de 62 anos, teria procurado inicialmente o gabinete de Alfredo Gaspar para relatar o que considerava uma possível tentativa de armação contra o parlamentar.

Lopes afirmou ser proprietário de um quiosque localizado no Shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo seu depoimento, uma jovem chamada Marcela Maria Mendes, que trabalhava no estabelecimento, teria sido recrutada para se apresentar como vítima de um suposto estupro atribuído a Gaspar.

O comerciante relatou que tomou conhecimento da situação por meio de um funcionário de seu estabelecimento, identificado como Rodrigo Freitas. Segundo Lopes, Freitas seria morador da comunidade do Acari e vizinho de Marcela.

O depoente afirmou que a jovem teria sido preparada para conceder uma entrevista utilizando uma identidade falsa. De acordo com o relato, ela se apresentaria como “Jailma”, afirmaria ser natural de Maceió (AL) e sustentaria uma história segundo a qual teria sido abusada sexualmente ainda adolescente por um político, situação que teria resultado no nascimento de uma criança.

Suposto pagamento à jovem

Ainda segundo o depoimento, o recrutamento de Marcela teria sido feito por um homem identificado como Lucas, conhecido pelo apelido de “Doidinho”.

Lopes afirmou que Lucas se apresentava como “assessor legislativo” e dizia ter ligação com o contexto político de Lindbergh Farias. O comerciante também declarou que a jovem teria recebido três pagamentos para participar da suposta encenação.

Os valores mencionados no depoimento foram de R$ 4 mil, R$ 10 mil e R$ 2,5 mil. Conforme o relato, comprovantes dessas transferências teriam sido apresentados às autoridades policiais.

A Polícia Legislativa recebeu o depoimento de forma virtual em 23 de abril, depois que o comerciante teria procurado o gabinete de Alfredo Gaspar para comunicar o caso.

Suposta estratégia para ampliar desgaste político

O depoimento encaminhado ao STF apresenta ainda uma segunda etapa que, segundo o comerciante, faria parte da suposta estratégia.

De acordo com o relato, depois de apresentar a jovem como uma suposta vítima, os envolvidos planejariam fazê-la desaparecer. Posteriormente, a ausência dela seria utilizada para criar uma nova acusação, desta vez contra Alfredo Gaspar, com a alegação de que o deputado teria determinado o desaparecimento da mulher.

A estratégia, conforme descrita no documento, teria como objetivo aumentar a repercussão da denúncia e provocar desgaste político contra Gaspar, que também exerce função de relator em trabalhos relacionados à CPMI do INSS.

O boletim de ocorrência registra a interpretação do comerciante de que a exposição pública de acusações durante os trabalhos da comissão teria feito com que ele percebesse a dimensão que a suposta trama poderia alcançar.

Lindbergh é citado no depoimento

Luis Antonio Lopes afirmou ainda que Lindbergh Farias teria conhecimento do contexto envolvendo a suposta articulação.

Segundo o comerciante, o deputado teria participado de reuniões virtuais com Marcela e outras pessoas que estariam envolvidas na elaboração da narrativa.

O documento, porém, registra a afirmação como percepção do denunciante, e não como conclusão de uma investigação que tenha comprovado a participação do parlamentar.

No depoimento, Lopes teria afirmado que Lindbergh “parecia ter plena ciência do caso” e que integraria o grupo que discutia os possíveis desdobramentos da história.

Lucas, o homem apontado como “Doidinho”, também aparece no relato como suposto articulador inicial da ideia. Segundo o comerciante, ele teria dito que foi responsável por apresentar a proposta a outras pessoas ligadas ao meio político.

Até o momento, conforme as informações apresentadas no material, essas acusações permanecem sob apuração.

Caso foi encaminhado ao Supremo

Após receber o depoimento, a Polícia Legislativa encaminhou o material à Corregedoria da Câmara dos Deputados.

A Mesa Diretora da Casa decidiu posteriormente enviar o caso ao STF, uma vez que Lindbergh Farias possui foro por prerrogativa de função.

O processo está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que também acompanha o pedido relacionado à investigação contra Alfredo Gaspar por suposto estupro. A Procuradoria-Geral da República deverá se manifestar sobre o caso antes de uma eventual decisão do magistrado sobre os próximos passos da investigação.

O envio do material ao Supremo não significa, por si só, que as acusações tenham sido comprovadas. Eventuais responsabilidades deverão ser apuradas pelas autoridades competentes, com direito de defesa dos envolvidos.

Lindbergh nega qualquer participação

Lindbergh Farias negou categoricamente as acusações. Em manifestação divulgada após a publicação do caso, o deputado classificou o depoimento do comerciante como “picaretagem”.

O parlamentar afirmou que não conhece as pessoas citadas na denúncia e negou ter participado de qualquer reunião relacionada à suposta articulação.

“Desconheço os citados e a suposta investigação da Polícia Legislativa. Não conheço os envolvidos e não participei de reuniões para tratar desse assunto.”

Lindbergh também questionou a origem do depoimento apresentado à Câmara e defendeu que o homem identificado como “tio Luiz” fosse investigado.

“A primeira coisa que a Polícia Federal tem que fazer é investigar esse tal ‘tio Luiz’, prender esse cara. Esse depoimento é inventado e é mais uma suspeita em cima do Alfredo Gaspar.”

O deputado ainda perguntou quais seriam as circunstâncias que levaram o comerciante a prestar depoimento à Polícia Legislativa e se ele teria sido orientado por terceiros.

Alfredo Gaspar e a investigação

Alfredo Gaspar, deputado federal pelo PL de Alagoas, está no centro da denúncia relacionada à suposta acusação de estupro de vulnerável. O parlamentar foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.

A existência do novo depoimento acrescenta uma nova frente à disputa política e jurídica envolvendo o caso, mas não elimina a necessidade de investigação sobre os fatos originalmente denunciados.

Até que as autoridades concluam as apurações, as acusações apresentadas pelo comerciante contra Lindbergh Farias, assim como as alegações relacionadas à suposta montagem da denúncia contra Alfredo Gaspar, devem ser tratadas como relatos ainda não comprovados judicialmente.

O STF deverá analisar os elementos encaminhados pela Câmara e a manifestação da PGR antes de definir eventuais providências no caso.

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