
Novo governo da Colômbia começa com mortes em operações militares e ataques contra forças de segurança
Abelardo de la Espriella anuncia ofensiva contra guerrilhas e narcotráfico após seis integrantes de grupos armados serem mortos; governo também registra atentados com explosivos e drones nos primeiros dias do mandato
O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, iniciou o mandato com uma ofensiva militar contra grupos armados e narcotraficantes que atuam no país. Nos primeiros dias do governo, seis integrantes de organizações criminosas foram mortos em operações das forças de segurança, enquanto diferentes regiões colombianas registraram ataques com explosivos e drones contra estruturas policiais e de infraestrutura.
De la Espriella, que tomou posse na sexta-feira (7), afirmou que os primeiros resultados das operações militares representam uma mensagem direta às organizações armadas. O presidente, identificado como representante da direita dura, prometeu abandonar a estratégia de negociações de paz adotada pelo antecessor, Gustavo Petro, e intensificar o combate ao narcotráfico e às guerrilhas.
“Não há nenhum lugar onde se possam esconder”, afirmou o presidente em uma mensagem publicada nas redes sociais.
Seis integrantes de grupos armados são mortos
Segundo o governo colombiano, quatro integrantes de uma dissidência das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram mortos durante uma operação militar no município de Mapiripán, no departamento de Meta, região central do país.
A ação foi realizada em conjunto pelo Exército e pela Força Aérea colombiana. Entre os mortos estava um homem conhecido pelos codinomes Alias el Ruso ou Alemán, apontado pelas autoridades como comandante de nível intermediário da Frente 28, uma das estruturas dissidentes das antigas Farc.
De acordo com De la Espriella, outros três integrantes do mesmo grupo também foram mortos durante a operação.
O governo apresentou a ação como uma das primeiras demonstrações práticas da nova política de segurança anunciada pelo presidente durante a posse.
Operação contra o Clã do Golfo
A segunda operação ocorreu no município de Anorí, no departamento de Antioquia, no noroeste da Colômbia. A ação envolveu tropas da Sétima Divisão do Exército, a Força Aérea, a Polícia e a Procuradoria-Geral.
Dois integrantes do Clã do Golfo, considerado o principal cartel de drogas do país, morreram durante um confronto com as forças de segurança. Segundo o governo, um dos mortos era apontado como líder da estrutura criminosa que atuava na região.
As autoridades informaram ainda que foram apreendidas seis carabinas e uma quantidade não especificada de material de guerra.
De la Espriella afirmou que o grupo está relacionado a um episódio ocorrido em 2024, quando quatro soldados colombianos foram mortos durante operações na mesma região.
Além das mortes, quatro supostos integrantes da estrutura Gabriel Poveda Ramos, ligada ao Clã do Golfo, foram presos no município de Necoclí. A operação foi realizada por soldados da Sétima Divisão e integrantes da Armada Nacional.
Ataques com explosivos marcam primeiros dias do governo
Enquanto as forças de segurança realizavam as primeiras operações da nova administração, diferentes regiões da Colômbia também registraram ataques contra instalações policiais e estruturas de infraestrutura.
Um dos primeiros episódios ocorreu durante a madrugada de sábado, quando uma explosão destruiu uma praça de pedágio em construção na Via Pan-Americana, entre as cidades de Popayán e Cali, no sudoeste do país.
Outro ataque foi registrado no município de Santander de Quilichao, no departamento de Cauca. Segundo o Ministério da Defesa colombiano, um veículo carregado com explosivos foi utilizado contra uma praça de pedágio em construção.
Dois seguranças ficaram feridos.
O presidente condenou os ataques e afirmou que ações contra a infraestrutura representam ataques ao desenvolvimento, à mobilidade e à tranquilidade da população.
Policial morre após ataque com drones
A violência também atingiu diretamente as forças policiais.
Na região de Cesar, no nordeste colombiano, o subintendente Argemiro Rodelo Canchila morreu depois que um posto policial de San Roque foi atacado com explosivos lançados por drones.
Após a morte do policial, De la Espriella afirmou que os responsáveis seriam identificados e punidos.
“Este crime não ficará impune”, declarou o presidente, acrescentando que os ataques contra integrantes da Força Pública aumentariam a determinação do governo para combater as organizações consideradas terroristas.
Outro ataque com drones foi registrado contra a estação policial de Porce III, no município de Guadalupe, em Antioquia. Não houve registro de feridos nesse episódio.
O governador de Antioquia, Andrés Julián Rendón, atribuiu o ataque à Frente 36 das antigas Farc, comandada, segundo ele, por Alexander Díaz Mendoza.
Rendón classificou o episódio como uma provocação ao novo governo.
Governo anuncia captura de comandante dissidente
Como parte da ofensiva de segurança, o governo também anunciou a prisão de Héctor Bastidas, apontado como segundo comandante dos Comandos de la Frontera.
A captura ocorreu no município de Guamal, na região central do país, por meio de uma operação baseada em ordem judicial e trabalho de inteligência.
Segundo o governo, o grupo integrava a Coordinadora Nacional Ejército Bolivariano (CNEB), uma estrutura formada por dissidentes das antigas Farc.
De la Espriella afirmou que a prisão demonstra que as forças de segurança estão determinadas a recuperar o controle de regiões consideradas afetadas pela atuação de grupos armados.
Fim das negociações de paz com grupos armados
Durante a cerimônia de posse, De la Espriella declarou que a estratégia de diálogo com as principais organizações armadas estava esgotada.
O novo presidente prometeu combater “sem tréguas” o narcoterrorismo, o tráfico de drogas e as organizações criminosas que atuam em território colombiano.
A posição representa uma mudança em relação à política adotada por Gustavo Petro, que durante seu governo tentou negociar acordos de paz e cessar-fogo com diferentes grupos armados.
De la Espriella anunciou a intenção de interromper essas negociações e substituir a estratégia de diálogo por uma política de enfrentamento militar e policial.
Apoio de Israel e Estados Unidos
O novo presidente também afirmou que pretende buscar apoio internacional para ampliar a ofensiva contra as organizações armadas.
Durante a campanha e na posse, De la Espriella defendeu uma maior cooperação com Israel e os Estados Unidos, inclusive para fortalecer a capacidade militar colombiana e intensificar operações aéreas contra guerrilhas e grupos ligados ao narcotráfico.
Outra promessa do novo governo é a construção de megaprisões inspiradas no modelo adotado por El Salvador para encarcerar integrantes de organizações criminosas.
A proposta faz parte de uma política de segurança baseada no endurecimento das ações contra grupos armados e no aumento da capacidade do sistema penitenciário.
Transferência de 117 presos para unidades de alta segurança
Entre as primeiras medidas adotadas pela nova administração está a transferência de 117 detentos classificados pelo governo como presos de “alto perfil”.
Segundo as autoridades colombianas, os detidos tinham participado das negociações de paz realizadas durante o governo Gustavo Petro.
A transferência para prisões de alta segurança foi apresentada pelo governo como parte da estratégia para impedir que integrantes de organizações criminosas continuem exercendo influência ou coordenando atividades ilícitas a partir do sistema penitenciário.
Colômbia enfrenta nova escalada de violência
A chegada de De la Espriella ao poder ocorre em um cenário de forte deterioração da segurança em diferentes regiões da Colômbia.
O país continua enfrentando a atuação de dissidências das antigas Farc, do Exército de Libertação Nacional (ELN) e de organizações ligadas ao narcotráfico, além de disputas territoriais entre grupos armados.
Os ataques registrados nos primeiros dias do novo governo evidenciam o desafio que a nova administração terá para cumprir a promessa de recuperar o controle estatal sobre áreas dominadas por organizações criminosas.
De la Espriella, por sua vez, tenta apresentar as primeiras operações militares, as prisões e a ofensiva contra o narcotráfico como sinais de uma mudança imediata na política de segurança nacional.
O início do mandato, porém, também foi marcado pela reação dos grupos armados, que realizaram ataques com explosivos e drones contra policiais e estruturas de infraestrutura em diferentes pontos do território colombiano.