Chefe de quadrilha de motoristas clandestinos é preso no Aeroporto de Guarulhos após série de golpes contra passageiros

Chefe de quadrilha de motoristas clandestinos é preso no Aeroporto de Guarulhos após série de golpes contra passageiros

Investigação da Polícia Civil aponta que grupo extorquia turistas, idosos e estrangeiros desde 2021, cobrando até 70 vezes o valor real das corridas e utilizando ameaças para obrigar vítimas a pagar.

Chefe de quadrilha de motoristas clandestinos é preso no Aeroporto de Guarulhos após série de golpes contra passageiros

A Polícia Civil de São Paulo deu um importante passo no combate aos golpes praticados por falsos motoristas de aplicativo no Aeroporto Internacional de Guarulhos ao prender, nesta sexta-feira (26), o homem apontado como líder da organização criminosa que atuava no terminal aéreo.

O suspeito foi identificado como Adenilson da Silva Paranhos, de 40 anos, conhecido pelo apelido de “Zóio”. Segundo as investigações, ele foi localizado dentro do próprio aeroporto enquanto aguardava novas vítimas para o esquema criminoso. Até o momento, sua defesa não se manifestou sobre a prisão.

Operação Rapere 2 mira organização criminosa

A prisão integra a Operação Rapere 2, conduzida pela Polícia Civil, que também cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao investigado e a outros integrantes do grupo.

As investigações revelam que a quadrilha atuava de forma organizada desde 2021, abordando passageiros logo após o desembarque. Os criminosos se passavam por motoristas de aplicativo e convenciam turistas, idosos, estrangeiros e pessoas que desconheciam o funcionamento do aeroporto a aceitar falsas corridas.

Corridas chegavam a custar até 70 vezes mais

Após embarcarem nos veículos, as vítimas eram surpreendidas por cobranças abusivas. Em muitos casos, os criminosos exigiam valores que chegavam a ser 70 vezes superiores ao preço normal da corrida.

Quando havia resistência ao pagamento, os passageiros eram intimidados por meio de ameaças e constrangimentos, sendo obrigados a quitar os valores exigidos.

Além das extorsões, a quadrilha também intimidava motoristas de aplicativos regularmente cadastrados e taxistas autorizados que trabalhavam no aeroporto, aumentando o clima de insegurança na região.

Investigação começou após dezenas de denúncias

Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início após a análise de aproximadamente 30 boletins de ocorrência registrados por passageiros que relataram situações semelhantes.

Esses relatos permitiram identificar o modo de atuação da organização e mapear os integrantes do esquema criminoso.

Na primeira fase da operação, realizada no último dia 19, três suspeitos já haviam sido presos por envolvimento direto nos golpes.

Problema antigo no maior aeroporto do país

A presença de motoristas clandestinos no Aeroporto Internacional de Guarulhos é um problema que se arrasta há anos.

Em dezembro de 2024, uma reportagem exibida pelo programa Fantástico mostrou criminosos abordando passageiros ainda dentro dos terminais, oferecendo falsas corridas por aplicativos. Após o trajeto, os clientes eram surpreendidos por cobranças abusivas e ameaças.

Mesmo um ano depois, em dezembro de 2025, as denúncias continuavam ocorrendo.

Grupo movimentava milhões por mês

De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o esquema criminoso já era monitorado havia pelo menos cinco anos.

Os levantamentos apontavam uma estrutura altamente organizada, formada por mais de 100 veículos irregulares, com faturamento estimado em mais de R$ 3 milhões por mês.

A PRF informou que encaminhou relatórios contendo a identificação de motoristas e veículos suspeitos aos órgãos responsáveis pela investigação, contribuindo para o avanço das apurações.

Polícia continua as investigações

Com a prisão de Adenilson da Silva Paranhos, considerado um dos principais responsáveis pela coordenação do esquema, a Polícia Civil pretende aprofundar as investigações para identificar outros integrantes da organização, além de rastrear a movimentação financeira do grupo.

As autoridades também reforçam a orientação para que passageiros utilizem apenas táxis credenciados ou solicitem corridas por aplicativos diretamente pelo celular, evitando aceitar abordagens de pessoas que oferecem transporte dentro ou nas proximidades dos terminais do aeroporto.

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