Defesa de Bolsonaro recorre contra suspensão de visitas de Flávio ao pai por 90 dias

Defesa de Bolsonaro recorre contra suspensão de visitas de Flávio ao pai por 90 dias

Advogados afirmam que decisão de Alexandre de Moraes é desproporcional e restringe também a comunicação profissional entre Jair Bolsonaro e o senador

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recorreu nesta segunda-feira (20) da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai.

A medida foi determinada depois que Flávio divulgou nas redes sociais uma carta manuscrita de apoio assinada por Jair Bolsonaro. Para Moraes, a publicação representou um “desvio de finalidade” do direito de visita, uma vez que o conteúdo teria sido utilizado em um contexto político.

No recurso apresentado ao STF, a defesa classifica a decisão como “manifestamente desproporcional”. Os advogados argumentam que Jair Bolsonaro não teria sido informado sobre a forma como a carta seria divulgada e que não existiu um acordo prévio entre pai e filho para a publicação do documento nas redes sociais.

A defesa também cita um episódio ocorrido em dezembro de 2025, quando uma correspondência semelhante teria sido tornada pública sem que, segundo os advogados, houvesse qualquer questionamento judicial ou punição relacionada à divulgação.

Flávio Bolsonaro também atua como advogado do pai

Um dos principais argumentos apresentados no recurso está relacionado à dupla condição de Flávio Bolsonaro. Além de filho do ex-presidente, o senador também integra a defesa jurídica de Jair Bolsonaro.

Por esse motivo, os advogados afirmam que a suspensão das visitas pode atingir não apenas a relação familiar entre os dois, mas também a comunicação profissional entre cliente e advogado.

Segundo a defesa, a decisão de Moraes acaba restringindo o contato entre Jair Bolsonaro e seu filho em uma situação na qual Flávio também exerce a função de patrono do ex-presidente. Os advogados sustentam que a medida pode violar prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia.

O recurso busca reverter a suspensão das visitas e restabelecer o contato entre os dois. A defesa argumenta que a punição aplicada pelo ministro não seria proporcional ao episódio envolvendo a publicação da carta.

A decisão sobre o pedido caberá ao Supremo Tribunal Federal.

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