Diretor da PF defende cooperação global contra o crime e cobra respeito à soberania dos países em discurso na ONU

Diretor da PF defende cooperação global contra o crime e cobra respeito à soberania dos países em discurso na ONU

Andrei Rodrigues afirma que combate ao crime organizado exige inteligência e articulação internacional, mas critica medidas externas que, segundo ele, ignoram a autonomia das instituições brasileiras

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, defendeu uma atuação conjunta entre os países no enfrentamento ao crime organizado durante a quinta Cúpula dos Chefes de Polícia das Nações Unidas (UNCOPS 2026), realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Em seu discurso, o dirigente brasileiro destacou que a criminalidade transnacional ultrapassa fronteiras e exige respostas coordenadas, mas ressaltou que qualquer cooperação deve respeitar a soberania das nações, o Estado de Direito e os direitos fundamentais.

“O crime não respeita fronteiras, e nenhum país pode combater o crime transnacional sozinho”, afirmou Andrei Rodrigues ao defender uma política baseada em inteligência, estratégia e integração entre forças de segurança de diferentes países.

Segundo o diretor da PF, o Brasil tem colocado a cooperação internacional como uma prioridade no combate às organizações criminosas, mas dentro de um modelo que preserve a independência das instituições nacionais.

“O crime organizado deve ser enfrentado por meio de uma abordagem equilibrada e abrangente, baseada em inteligência, estratégia e cooperação, com respeito ao Estado de Direito, à soberania das nações e aos direitos fundamentais”, declarou.

Discurso ocorre em meio a debate sobre classificação de PCC e Comando Vermelho pelos EUA

A manifestação de Andrei Rodrigues acontece em um momento de tensão diplomática envolvendo a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O diretor-geral da Polícia Federal está entre as autoridades brasileiras que criticaram a medida. Para ele, a classificação norte-americana representa um erro técnico por não se adequar à realidade jurídica brasileira e ao conceito tradicional de terrorismo.

Andrei afirmou anteriormente que a decisão dos Estados Unidos seria um “equívoco técnico” e chegou a dizer que, do ponto de vista operacional e jurídico, tratava-se de um “erro grosseiro”.

A declaração ocorreu após o governo americano anunciar as primeiras sanções contra brasileiros com base na nova classificação dos grupos criminosos.

Dias depois, a própria Polícia Federal realizou uma operação contra alvos ligados às organizações investigadas, em uma ação que, segundo a corporação, demonstrou a capacidade do Brasil de combater o crime organizado dentro de seus próprios mecanismos legais.

Brasil busca equilíbrio entre parceria internacional e autonomia institucional

Criada como um espaço de diálogo entre autoridades policiais de diferentes países, a UNCOPS 2026 reuniu ministros, chefes de polícia e representantes de organismos internacionais para discutir estratégias de segurança pública, prevenção ao crime e fortalecimento da paz global.

Durante o encontro, a posição brasileira apresentada por Andrei Rodrigues buscou reforçar uma ideia central: a cooperação internacional é indispensável, mas não deve significar interferência nas decisões internas de cada país.

Para a Polícia Federal, organizações criminosas modernas atuam em redes internacionais, utilizando sistemas financeiros, tecnologias digitais e rotas transnacionais. Por isso, o intercâmbio de informações entre países é considerado fundamental para investigações e operações contra essas estruturas.

Ao mesmo tempo, o governo brasileiro tem defendido que medidas contra grupos criminosos sejam tomadas com base em critérios técnicos e respeitando os instrumentos jurídicos de cada nação.

PF mantém atuação contra organizações criminosas

Mesmo diante da divergência sobre a classificação feita pelos Estados Unidos, a Polícia Federal segue conduzindo operações contra grupos apontados como responsáveis por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão e outros crimes.

A corporação sustenta que o enfrentamento ao crime organizado depende de investigações aprofundadas, cooperação entre órgãos públicos e troca de informações com parceiros internacionais.

No cenário apresentado na ONU, Andrei Rodrigues procurou projetar uma mensagem de equilíbrio: o Brasil quer ampliar a colaboração com outros países, mas sem abrir mão da autonomia de suas instituições e das regras estabelecidas pelo ordenamento jurídico nacional.

A fala do diretor da PF reforça um dos principais debates atuais da segurança internacional: como unir esforços globais contra organizações criminosas cada vez mais conectadas sem ultrapassar os limites da soberania dos Estados.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags