Ex-refém do Hamas cobra ONU e rompe o silêncio: “Por que vocês ignoraram nosso sofrimento?”

Ex-refém do Hamas cobra ONU e rompe o silêncio: “Por que vocês ignoraram nosso sofrimento?”

Sobrevivente do ataque de 7 de outubro relata violência sexual, faz apelo emocionante no Conselho de Direitos Humanos e questiona a ausência de respostas da comunidade internacional.

A ex-refém do Hamas, Ilana Gritzewsky, levou um dos depoimentos mais marcantes da 62ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, realizada em Genebra, na Suíça. Sobrevivente do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, ela usou a tribuna para relatar os abusos sofridos durante o sequestro e cobrar uma postura mais firme da comunidade internacional diante da violência cometida contra civis israelenses.

Visivelmente emocionada, Ilana afirmou que compareceu ao encontro para representar aqueles que continuam em cativeiro e também as vítimas que perderam a vida durante o massacre promovido pelo Hamas.

“Preciso falar por aqueles que já não têm voz. Quero que o mundo entenda pelo que nossos soldados continuam lutando todos os dias”, declarou.

Segundo ela, essa foi sua primeira manifestação pública desde a libertação de seu companheiro, Matan Zangauker.

Relato comove plenário da ONU

Moradora do kibutz Nir Oz, próximo à Faixa de Gaza, Ilana descreveu em detalhes os momentos de terror vividos durante a invasão do Hamas.

Ela contou que foi arrancada de casa com extrema violência, agredida fisicamente e submetida a abusos enquanto era filmada pelos próprios sequestradores.

Durante seu discurso, relatou que acordou cercada por terroristas, seminua, e sofreu agressões que deixaram sequelas físicas e psicológicas.

Segundo seu depoimento, ela retornou do cativeiro com o quadril fraturado, a mandíbula quebrada e profundas marcas emocionais.

Pergunta que ecoou na sessão

O momento de maior impacto ocorreu quando Ilana dirigiu uma pergunta diretamente à relatora especial da ONU responsável por temas relacionados à violência contra mulheres.

Com a voz embargada, ela questionou:

“Sou mais uma mulher israelense que implorou para não ser ferida. Por que você ficou em silêncio? Por favor, olhe para mim.”

A fala provocou forte repercussão entre os presentes e rapidamente ganhou destaque internacional.

Críticas ao relatório apresentado

A participação da ex-refém aconteceu durante uma sessão em que também foram levantadas críticas ao relatório apresentado pela relatora especial da ONU.

Representantes ligados à organização UN Watch afirmaram que o documento enfatizou repetidamente o sofrimento da população palestina, mas não mencionou os ataques de 7 de outubro nem os relatos de violência sexual e sequestros cometidos contra mulheres israelenses.

Para a organização, a ausência dessas referências compromete a imparcialidade do relatório e deixa de reconhecer vítimas que também sofreram graves violações de direitos humanos.

Resposta da relatora

Após o depoimento, a relatora afirmou que já havia divulgado anteriormente uma declaração pública condenando a violência praticada contra mulheres israelenses.

Ela também declarou que, nos últimos anos, solicitou autorização para visitar Israel e Gaza e conversar diretamente com sobreviventes dos ataques, mas afirmou que seus pedidos não foram atendidos pelo governo israelense.

Ao encerrar sua manifestação, disse permanecer disponível para conversar pessoalmente com Ilana Gritzewsky.

Debate internacional continua

O depoimento reacendeu o debate sobre o tratamento dado às vítimas do ataque de 7 de outubro em organismos internacionais.

Enquanto representantes israelenses e organizações de direitos humanos cobram maior reconhecimento dos crimes cometidos pelo Hamas, autoridades e especialistas continuam discutindo o equilíbrio das análises produzidas pelos organismos multilaterais diante do conflito entre Israel e Hamas.

A participação de Ilana Gritzewsky tornou-se um dos momentos mais marcantes da sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU ao colocar no centro das discussões o testemunho de uma sobrevivente que pediu reconhecimento, justiça e memória para as vítimas do terrorismo.

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