
Flávio Bolsonaro chama Lula de “pai do Tigrinho” e responsabiliza governo por avanço dos cassinos online
Senador afirma que votou contra a liberação dos jogos e critica governo Lula enquanto Planalto prepara novas restrições para as apostas virtuais
O debate sobre as bets ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (23), depois que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “pai do Tigrinho” e atribuiu ao atual governo responsabilidade pelo endividamento de brasileiros associado aos cassinos online.
A declaração ocorreu durante uma transmissão ao vivo no YouTube que contou com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
O episódio acontece justamente quando o governo Lula discute uma nova mudança nas regras das apostas. O Planalto avalia uma medida provisória para endurecer as normas e, segundo as informações divulgadas, uma das possibilidades em análise é proibir os cassinos online, modalidade na qual estão incluídos jogos virtuais como o chamado “Tigrinho”.
1. A declaração de Flávio Bolsonaro
Durante a transmissão, Flávio afirmou ser contrário aos jogos de aposta e estabeleceu uma distinção entre apostas relacionadas a eventos esportivos reais e os cassinos virtuais.
Na avaliação apresentada pelo senador, uma partida de futebol, vôlei ou tênis permite mecanismos de controle diferentes daqueles existentes nos jogos de cassino online.
Na sequência, ele direcionou a crítica ao governo Lula e afirmou que o atual Executivo teria permitido a expansão dos cassinos virtuais.
Flávio declarou que, durante o governo Jair Bolsonaro, ele próprio teria se posicionado contra a liberação dos jogos no Congresso. Também criticou a atuação da bancada do PT na tramitação da legislação.
Foi nesse contexto que utilizou a expressão “pai do Tigrinho”, relacionando Lula ao crescimento dos jogos virtuais e ao endividamento de apostadores.
2. O argumento sobre a responsabilidade do governo
A principal tese apresentada por Flávio é que o governo federal não poderia agora apenas anunciar medidas contra os cassinos online sem responder pela regulamentação criada durante a administração Lula.
Essa discussão, porém, precisa ser colocada dentro do histórico da legislação.
A Lei nº 13.756/2018, aprovada durante o governo Michel Temer, legalizou as apostas de quota fixa na modalidade esportiva e estabeleceu prazo para que o Executivo regulamentasse o setor.
A regulamentação integral não ocorreu até o fim do prazo previsto, e o mercado continuou crescendo.
Em 2023, já durante o governo Lula, foi aprovada a Lei nº 14.790, que regulamentou as apostas de quota fixa e incluiu os jogos online nesse marco legal. A legislação atribuiu ao Ministério da Fazenda competência para autorizar e regular a atividade, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas passou a exercer funções de fiscalização.
Portanto, existe uma distinção importante: as apostas esportivas foram legalizadas em 2018, enquanto os jogos online foram incorporados ao marco regulatório posteriormente, durante o governo Lula.
3. O “Tigrinho” no centro da discussão
O chamado “Jogo do Tigrinho” tornou-se um dos símbolos do crescimento dos cassinos virtuais no debate público brasileiro.
A discussão atual do governo pretende justamente atingir essa modalidade.
Segundo informações divulgadas sobre a proposta em análise, uma das alternativas estudadas pelo Planalto seria revogar o trecho da legislação de 2023 que regulamentou os jogos virtuais, mantendo as apostas relacionadas a eventos esportivos reais.
Outra possibilidade mencionada em reportagens é uma restrição mais ampla, que poderia alcançar também as apostas esportivas.
A definição final ainda depende da decisão do governo e, no caso de uma medida provisória, da posterior apreciação do Congresso Nacional.
4. Lula agora tenta endurecer as regras
A fala de Flávio ocorre no momento em que Lula também passou a defender publicamente medidas mais duras contra as apostas.
Em declarações recentes, o presidente afirmou que sua disposição pessoal era acabar com as bets e relatou casos de pessoas que teriam enfrentado graves problemas financeiros relacionados ao vício em apostas.
O governo prepara uma medida provisória e avalia o alcance que ela deverá ter.
A discussão coloca o Executivo diante de uma questão complexa: o mesmo governo que participou da regulamentação dos jogos online agora considera retirar essa modalidade do mercado legal.
A mudança de política pode ser adotada por decisão do governo e do Congresso, mas exige que sejam definidos os efeitos sobre empresas autorizadas, arrecadação, fiscalização, publicidade e contratos existentes.
5. A crítica de Flávio e o histórico legislativo
O ponto utilizado por Flávio em sua crítica é justamente o contraste entre regulamentação e posterior tentativa de restrição.
O senador sustenta que o governo Lula não poderia tratar o problema das apostas como se tivesse surgido somente agora.
Ao mesmo tempo, é necessário distinguir responsabilidade política de responsabilidade individual por cada dívida contraída por apostadores.
A legislação de 2023 criou o marco regulatório dos jogos online, mas o endividamento de cada pessoa decorre de circunstâncias individuais e não pode ser automaticamente atribuído a uma única autoridade ou governo.
O que pode ser discutido objetivamente é a responsabilidade estatal pela regulamentação, fiscalização, publicidade e proteção dos consumidores.
6. O impacto financeiro das apostas
O tamanho do mercado ajuda a explicar por que a discussão ganhou dimensão nacional.
Dados citados pelo Poder360 indicam que as famílias brasileiras perderam aproximadamente R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas ao longo de 2025, enquanto as plataformas movimentaram cerca de R$ 350,97 bilhões em transferências realizadas por Pix naquele ano.
Esses números ajudam a dimensionar o tamanho econômico do setor, embora não signifiquem que todo o dinheiro movimentado corresponda a prejuízo dos apostadores.
O governo utiliza os efeitos sobre renda