Gilmar Mendes e André Mendonça batem boca aos gritos durante julgamento no STF: “Pode chorar!”

Gilmar Mendes e André Mendonça batem boca aos gritos durante julgamento no STF: “Pode chorar!”

Troca de acusações ocorreu durante sessão que discutia os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e o caso Banco Master; Flávio Dino pediu vista diante do clima de tensão e Cármen Lúcia manifestou constrangimento

Uma das sessões mais tensas do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2026 terminou nesta terça-feira (15) com ministros trocando acusações e elevando o tom de voz no plenário.

O episódio mais contundente ocorreu entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Os dois ministros discutiram aos gritos durante o julgamento que analisava questões relacionadas aos procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A discussão começou depois que Mendonça fez considerações sobre informações relacionadas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Gilmar interrompeu a manifestação e acusou o colega de fazer “ilações” contra Gonet.

“É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso sim é leviandade”, afirmou Gilmar, segundo registros da sessão.

O ministro prosseguiu dizendo que Mendonça estaria atuando com um “sentimento policialesco” e classificou sua postura como “desfaçatez”.

“Me respeite”, reage Mendonça

A intervenção de Gilmar provocou uma reação imediata de André Mendonça.

O ministro pediu respeito ao colega e também elevou o tom de voz.

“É impressionante a desfaçatez de Vossa Excelência. Me respeite”, respondeu Mendonça.

Gilmar, então, devolveu:

“Pode chorar!”

Mendonça rebateu imediatamente:

“Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não. Respeite!”

O bate-boca interrompeu o andamento normal da sessão e expôs publicamente uma divergência que já vinha se acumulando ao longo do julgamento.

O que provocou o confronto

A discussão não surgiu de maneira isolada.

O plenário analisava questões processuais relacionadas a dois procedimentos derivados do caso Banco Master e às informações encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro.

Entre os elementos discutidos estavam referências a autoridades públicas, incluindo Alexandre de Moraes e Paulo Gonet.

Mendonça havia feito observações sobre as informações envolvendo o procurador-geral. Gonet havia afirmado que encontrou Vorcaro apenas uma vez, em um encontro que classificou como “breve e banal”.

Segundo o relato de Gonet, houve posteriormente uma tentativa de aproximação por meio do advogado Ciro Soares. Informações atribuídas ao relatório da Polícia Federal indicaram contatos entre Vorcaro e Gonet e mencionaram um convite relacionado a uma degustação de charutos e uísque em Londres.

Mendonça afirmou que não estava fazendo um julgamento definitivo sobre Gonet, mas considerava que as informações apresentadas tinham relevância suficiente para serem analisadas.

Foi nesse contexto que Gilmar interveio.

Gilmar sai em defesa de Gonet

Gilmar Mendes afirmou que considerava inadequadas as ilações feitas contra o procurador-geral.

Na avaliação apresentada pelo ministro durante a sessão, Gonet estava sendo colocado sob suspeita sem que houvesse elementos suficientes para isso.

A crítica foi direcionada diretamente a Mendonça e culminou no bate-boca.

O episódio acabou desviando o foco da discussão jurídica e levando o plenário a uma situação de confronto aberto entre dois ministros.

Mendonça nega que tenha acusado Gonet

André Mendonça, por sua vez, afirmou que não havia feito um juízo de valor contra Paulo Gonet.

O ministro sustentou que apenas estava relatando informações que chegaram ao processo e que, diante da natureza dos dados, considerava necessário examiná-los.

A diferença entre as duas posições é importante para compreender o episódio: Gilmar interpretou as observações como uma forma de ilação contra o procurador-geral, enquanto Mendonça sustentou que estava tratando de elementos documentais relacionados à investigação.

A discussão, porém, rapidamente deixou o campo técnico e passou para ataques pessoais e acusações recíprocas.

Flávio Dino intervém

Diante do agravamento do conflito, Flávio Dino pediu vista do processo.

O pedido de vista interrompeu a análise naquele momento.

Dino justificou a decisão pelo ambiente criado no plenário e afirmou que não havia condições adequadas para continuar deliberando diante do nível de tensão.

O ministro também fez críticas à condução da sessão por Edson Fachin, presidente do STF.

“Estamos em termos que degradam este Tribunal”, afirmou Dino, segundo registros da sessão.

Em outro momento, criticou a possibilidade de o STF permanecer envolvido durante semanas em uma disputa interna marcada por confrontos entre os próprios ministros.

Cármen Lúcia demonstra constrangimento

Depois do episódio, Cármen Lúcia afirmou estar constrangida com o que havia acontecido.

A ministra expressou preocupação com a repercussão institucional das discussões e reconheceu que o comportamento exibido no plenário provocava desconforto.

Segundo relato publicado pelo UOL, Cármen Lúcia afirmou estar em “profunda consternação” diante dos acontecimentos e disse que o Judiciário deveria produzir tranquilidade, e não intranquilidade.

A manifestação acrescentou uma dimensão institucional ao episódio.

Não se tratava apenas de uma divergência entre dois ministros. A discussão passou a envolver a imagem pública do próprio Supremo.

O pano de fundo: Alexandre de Moraes

O bate-boca aconteceu dentro de um julgamento ainda mais amplo.

O STF analisava questões relacionadas aos procedimentos que envolvem Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto das informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro.

O caso ganhou dimensão depois que mensagens e anotações encontradas no aparelho do ex-banqueiro passaram a envolver autoridades do Judiciário e de outras instituições.

Moraes nega irregularidades e questiona a própria validade de parte dos elementos utilizados para justificar a apuração.

Mendonça, por outro lado, defende que as providências adotadas estavam relacionadas ao exercício de sua função de supervisão judicial da investigação.

A discussão sobre esses limites acabou chegando ao plenário do STF.

A disputa sobre juntar ou separar os processos

Outro ponto central da sessão foi uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes.

O ministro defendia a reunião dos procedimentos relacionados a Moraes e Mendonça.

Fachin e outros ministros defenderam a manutenção dos processos separados.

A votação chegou a registrar divergências significativas entre os integrantes da Corte. Segundo o R7, o placar considerado ao encerramento da sessão ficou em 4 votos a 3 pela separação, depois que Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise.

A divergência processual aumentou a tensão entre os ministros.

Um STF dividido diante das câmeras

A sessão desta terça-feira expôs uma divisão incomum dentro da Corte.

De um lado, havia ministros defendendo a reunião dos procedimentos.

De outro, ministros sustentavam que os casos deveriam continuar separados.

Ao mesmo tempo, existiam divergências sobre a atuação de André Mendonça, sobre as informações envolvendo Gonet e sobre os elementos relacionados a Moraes.

O resultado foi uma sucessão de interrupções, apartes e confrontos.

O bate-boca entre Gilmar e Mendonça foi o momento mais explícito dessa tensão.

O episódio envolvendo Paulo Gonet

A discussão também trouxe novamente ao centro do debate a relação entre Daniel Vorcaro e Paulo Gonet.

O procurador-geral afirmou que havia se encontrado com Vorcaro uma única vez e que o encontro foi breve.

Já informações atribuídas à Polícia Federal indicaram que houve tentativas de aproximação posteriores, inclusive por intermédio do advogado Ciro Soares.

Segundo o relato divulgado pelo UOL, mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro registraram contatos e uma tentativa de aproximação com Gonet. O procurador-geral, contudo, não apresentou durante a sessão uma interpretação sobre o conteúdo dessas mensagens e afirmou apenas que o encontro presencial havia sido único e banal.

Esses elementos devem ser diferenciados de qualquer conclusão sobre eventual irregularidade: a existência de mensagens ou contatos não comprova, por si só, crime ou favorecimento.

“Pode chorar”: a frase que marcou a sessão

Entre todas as manifestações do dia, a frase de Gilmar Mendes dirigida a André Mendonça acabou se tornando o principal símbolo do confronto.

Após Mendonça exigir respeito, Gilmar respondeu:

“Pode chorar!”

Mendonça respondeu:

“Aqui não tem choro.”

O episódio foi registrado por diferentes veículos e rapidamente ganhou repercussão justamente por ter ocorrido no plenário do órgão responsável pela última palavra em diversas questões constitucionais no país.

O pedido de vista de Dino encerra o confronto

Com o ambiente deteriorado, Flávio Dino interrompeu a sessão por meio de pedido de vista.

O ministro afirmou que não havia condições para prosseguir naquele momento e pediu que Fachin utilizasse os instrumentos de autoridade disponíveis para preservar a ordem da sessão.

Fachin acabou encerrando os trabalhos por volta das 18h30.

O julgamento, portanto, terminou sem uma conclusão definitiva sobre todos os pontos que estavam em discussão.

Uma crise institucional exposta no plenário

O episódio entre Gilmar Mendes e André Mendonça é apenas uma parte de uma sessão marcada por divergências.

O STF precisou lidar simultaneamente com:

  • a investigação relacionada a Alexandre de Moraes;
  • os procedimentos envolvendo André Mendonça;
  • informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro;
  • referências ao procurador-geral Paulo Gonet;
  • divergências sobre a atuação da Polícia Federal;
  • discussões sobre a reunião ou separação dos processos;
  • impedimentos e suspeições de ministros;
  • e a própria condução do julgamento por Edson Fachin.

Nesse cenário, a troca de acusações entre Gilmar e Mendonça tornou visível uma crise que até então estava concentrada principalmente em manifestações processuais.

O que fica após a sessão

A sessão desta terça-feira deixa uma série de questões ainda em aberto.

A primeira é jurídica: qual será o procedimento adotado pelo STF para tratar das apurações relacionadas aos seus próprios ministros?

A segunda é institucional: como a Corte administrará divergências internas quando elas ultrapassarem o debate técnico e chegarem ao confronto pessoal?

A terceira envolve o conteúdo das informações encontradas no aparelho de Daniel Vorcaro e o peso que essas informações poderão ter nos procedimentos futuros.

E existe ainda uma quarta questão: qual será o impacto de sucessivos confrontos públicos sobre a percepção da sociedade em relação ao funcionamento do Supremo?

O próprio comportamento dos ministros durante a sessão passou a fazer parte do debate.

Uma sessão que terminou sem consenso

O confronto entre Gilmar Mendes e André Mendonça não foi um episódio isolado, mas o ponto mais visível de uma sessão marcada por divergências profundas dentro do STF.

Gilmar acusou Mendonça de fazer “ilações” e classificou sua atuação como “leviana” e marcada por “desfaçatez”.

Mendonça reagiu exigindo respeito.

A resposta de Gilmar — “Pode chorar!” — elevou ainda mais a temperatura do plenário.

Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento, enquanto Cármen Lúcia manifestou constrangimento com o ambiente criado.

O resultado foi uma sessão sem consenso e com novas perguntas sobre a condução dos procedimentos relacionados ao caso Banco Master.

Para além das posições individuais de cada ministro, o episódio mostrou publicamente o tamanho da divergência existente dentro da própria Corte justamente em um processo que envolve seus integrantes.

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