Haddad contesta investigação de Tarcísio e diz que governo analisou câmeras erradas em caso envolvendo motorista

Haddad contesta investigação de Tarcísio e diz que governo analisou câmeras erradas em caso envolvendo motorista

Petista afirma que imagens divulgadas pela gestão estadual não mostram o ponto em que a viatura teria parado; Tarcísio sustenta que mais de 70 câmeras e dados de GPS não indicaram perseguição e fala em possível falsa comunicação de crime

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, contestou a investigação conduzida pela gestão de Tarcísio de Freitas sobre a denúncia de uma suposta perseguição policial envolvendo seu motorista. Na segunda-feira (17), Haddad afirmou que as autoridades podem ter analisado câmeras que não registram justamente o trecho decisivo para esclarecer o episódio.

A declaração ocorreu um dia depois de Tarcísio, candidato à reeleição pelo Republicanos, afirmar que a Polícia Militar havia analisado mais de 70 câmeras de segurança e cruzado as imagens com dados de geolocalização das viaturas. Segundo o governador, os elementos reunidos até então não apontavam perseguição ou abordagem ao motorista.

O caso ocorreu na noite de 11 de agosto, depois que o motorista deixou Haddad em casa, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o relato apresentado pela campanha petista, o funcionário percebeu que estaria sendo acompanhado por uma viatura da PM e percorreu cerca de cinco quilômetros até um hotel, onde teria procurado abrigo por considerar o local mais seguro devido à existência de câmeras de monitoramento.

A versão apresentada pelo governo estadual é diferente. De acordo com Tarcísio, algumas viaturas cruzaram o trajeto do carro, mas continuaram normalmente seus itinerários de patrulhamento. O governador afirmou ainda que o cruzamento entre as imagens e os dados de GPS não encontrou evidências de perseguição.

Haddad questiona quais imagens foram analisadas

Ao falar com jornalistas durante um ato de campanha no Centro de São Paulo, Haddad chamou atenção para o fato de seu motorista ter sido ouvido pela Polícia Civil somente quase uma semana depois do episódio.

“Já começa o meu estranhamento pelo fato de que a pessoa que está pedindo socorro do Estado é a última a ser ouvida”, afirmou o candidato, segundo o relato divulgado sobre a declaração.

Para Haddad, a sequência adotada na apuração deveria ser outra: primeiro ouvir a pessoa que relata o episódio e, posteriormente, confrontar seu depoimento com as imagens e demais elementos disponíveis.

O ponto central da contestação do petista, entretanto, está nas câmeras utilizadas na investigação.

Haddad afirma que as imagens apresentadas pelo governo não permitem verificar o que aconteceu depois que a viatura passou pelo veículo estacionado. Segundo ele, uma das gravações mostra a viatura passando pelo carro, mas a imagem é interrompida no momento em que o veículo policial deixa o enquadramento.

“Você pode investigar cem câmeras, mil câmeras”, argumentou Haddad, defendendo que sejam identificados os equipamentos instalados exatamente no local indicado pelo motorista.

A campanha petista afirma estar levando à Polícia Civil a indicação de outras câmeras que poderiam esclarecer o que aconteceu.

O ponto de divergência

A controvérsia está concentrada em um momento específico da noite.

Segundo Haddad e seu motorista, uma viatura teria acompanhado o carro e posteriormente parado nas proximidades do hotel onde o funcionário buscou proteção.

Já a versão divulgada pela Secretaria da Segurança Pública e sustentada por Tarcísio é de que a viatura apenas passou pelo local e continuou o patrulhamento.

Imagens divulgadas anteriormente mostram o carro do motorista estacionado diante do hotel. Uma viatura aparece posteriormente e reduz a velocidade ao passar pelo veículo. Entretanto, o ângulo disponível não permite determinar se houve algum tipo de comunicação entre os policiais e o motorista.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o motorista estacionou por volta das 21h58. A viatura teria passado pelo local às 22h24, mais de 25 minutos depois. O veículo policial reduziu a velocidade ao passar pelo carro, mas as imagens disponíveis não mostram, de maneira conclusiva, eventual interação entre os ocupantes da viatura e o motorista. Depois, o carro do funcionário deixou o local sem ser seguido.

É justamente nesse ponto que Haddad sustenta que a investigação ainda não encerrou a questão: para o petista, o fato de determinada câmera não registrar uma abordagem não significa necessariamente que ela não tenha ocorrido fora do campo de visão daquela gravação.

Tarcísio fala em “falsa comunicação de crime”

Antes da nova manifestação de Haddad, Tarcísio havia endurecido o discurso sobre o episódio.

O governador declarou que a análise de mais de 70 câmeras, combinada com o rastreamento das viaturas por GPS, não encontrou evidências que confirmassem a denúncia.

Tarcísio afirmou que, caso fosse constatado algum desvio de conduta policial, os responsáveis seriam punidos. Ao mesmo tempo, disse que os elementos reunidos até aquele momento apontavam para a possibilidade de uma “falsa comunicação” de crime.

A Polícia Civil passou a conduzir a investigação, e o motorista foi chamado a prestar depoimento. A apuração, portanto, ainda é relevante para estabelecer se houve efetivamente uma perseguição, uma abordagem, uma interpretação equivocada de movimentos de viaturas ou uma denúncia sem correspondência com os fatos.

Investigação ganha dimensão eleitoral

O episódio ocorre no início da disputa pelo governo paulista e rapidamente passou a ter repercussão política. Haddad e Tarcísio são os principais adversários na corrida eleitoral, e o caso colocou diretamente as duas campanhas em confronto.

A campanha de Haddad chegou a apresentar uma notícia de fato à Procuradoria Regional Eleitoral, pedindo providências diante do relato do motorista. O Ministério Público Eleitoral também entrou no radar da apuração, enquanto a Secretaria da Segurança Pública abriu investigação sobre o comportamento dos policiais.

A gestão estadual, por sua vez, sustenta que não encontrou até o momento indícios de abordagem irregular ou interação indevida entre os policiais e integrantes da equipe de Haddad. A investigação policial continua em andamento.

O caso permanece, portanto, marcado por duas versões ainda não conciliadas. De um lado, Haddad afirma que as imagens apresentadas não abrangem o ponto fundamental da denúncia e pede que outras câmeras sejam examinadas. De outro, Tarcísio sustenta que o cruzamento de dezenas de imagens com os dados de GPS já fornece elementos suficientes para afastar a hipótese de perseguição.

Até que a Polícia Civil conclua a investigação, não é possível tratar como comprovada nenhuma das duas versões. O ponto decisivo será determinar quais câmeras registraram o trajeto completo, o que ocorreu nos minutos posteriores à passagem da viatura pelo hotel e se os dados de geolocalização são compatíveis com o relato apresentado pelo motorista.

A imprensa também registrou que algumas imagens contradizem parte do relato inicial de Haddad, especialmente em relação a determinados trechos do trajeto, mas as gravações disponíveis não esclarecem todos os aspectos da alegada interação no hotel.

Nota de contexto: não estou fazendo avaliação, comparação ou escolha entre Haddad e Tarcísio. As referências acima apenas resumem e confrontam, de forma jornalística e neutra, informações divulgadas por terceiros sobre a investigação e as declarações dos dois candidatos.

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