
Lula propõe ampliar o Pix para países do Mercosul e defende integração financeira na América do Sul
Durante a Cúpula do Mercosul, presidente afirma que modelo brasileiro de pagamentos pode reduzir custos, fortalecer o comércio regional e impulsionar a cooperação econômica entre os países do bloco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender uma maior integração econômica entre os países do Mercosul e propôs que o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, sirva de modelo para uma infraestrutura financeira compartilhada entre as nações do bloco. A sugestão foi apresentada durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai.
Na avaliação do presidente, a tecnologia desenvolvida pelo Brasil já demonstrou eficiência, rapidez e capacidade de ampliar a inclusão financeira, podendo agora contribuir para facilitar transações comerciais e financeiras entre os países sul-americanos.
Lula defende Pix como ferramenta de integração regional
Em seu discurso aos líderes do Mercosul, Lula afirmou que experiências bem-sucedidas desenvolvidas pelos países do bloco devem ser compartilhadas para fortalecer a integração regional.
Segundo o presidente, o Pix representa um exemplo de inovação pública que pode ser adaptado para criar uma rede de pagamentos capaz de beneficiar cidadãos, empresas e governos de toda a região.
A proposta prevê que uma estrutura semelhante permita transferências internacionais mais rápidas, com custos reduzidos, menos burocracia e maior utilização das moedas locais nas operações comerciais entre os países membros.
De acordo com Lula, uma integração financeira desse tipo ajudaria a fortalecer o comércio intrabloco, reduzir a dependência de sistemas internacionais de pagamento e aumentar a capacidade do Mercosul de enfrentar períodos de instabilidade econômica global.
Mercosul precisa ganhar força diante das mudanças mundiais
Além da proposta envolvendo o Pix, Lula afirmou que o cenário internacional exige maior coordenação entre os países sul-americanos. Segundo ele, o crescimento das disputas geopolíticas, o avanço do protecionismo e os conflitos internacionais tornam ainda mais importante o fortalecimento das instituições regionais.
O presidente ressaltou que o Mercosul deve atuar como um instrumento estratégico para ampliar investimentos, estimular o desenvolvimento econômico e aumentar a competitividade dos países integrantes no mercado internacional.
Para Lula, a integração econômica deixou de ser apenas um objetivo político e passou a representar uma necessidade diante das transformações da economia mundial.
Presidente cobra instituições mais fortes no Mercosul
Ao falar de improviso após o discurso oficial, Lula fez uma reflexão sobre o funcionamento do bloco e defendeu que o Mercosul tenha instituições capazes de garantir continuidade às políticas de integração, independentemente das mudanças de governo em cada país.
Segundo ele, projetos estratégicos não podem depender exclusivamente da orientação ideológica dos presidentes de plantão.
Na avaliação do chefe do Executivo, a consolidação de instituições mais sólidas permitiria ao Mercosul desenvolver políticas permanentes e ampliar sua influência nas negociações internacionais.
Combate ao crime organizado também entrou na pauta
Durante a reunião, Lula também anunciou novas iniciativas voltadas ao combate ao crime organizado transnacional. O presidente afirmou que o Brasil pretende ampliar a cooperação entre as forças de segurança dos países do Mercosul por meio do compartilhamento de informações e do fortalecimento das ações de inteligência.
Como parte dessa estratégia, o governo brasileiro financiará, durante um ano, a permanência de delegados dos países integrantes em Buenos Aires para reforçar a coordenação das investigações relacionadas ao tráfico internacional de drogas, armas e outras atividades criminosas.
Segundo Lula, enfrentar organizações criminosas exige atuação conjunta entre os governos da região, já que essas redes operam além das fronteiras nacionais.
Mercosul amplia agenda comercial internacional
Além da integração financeira, Lula destacou o avanço das negociações comerciais conduzidas pelo Mercosul com diferentes parceiros internacionais.
O presidente citou o acordo firmado com a União Europeia como um marco para o bloco e afirmou que as conversas também avançam com países como Canadá, Índia, Vietnã e Japão. Ele acrescentou que o Mercosul pretende aprofundar, futuramente, o diálogo econômico com a China.
Para Lula, a expansão dessas parcerias fortalece o papel do bloco no cenário global e amplia as oportunidades de investimento, exportação e geração de empregos nos países membros.
Ao encerrar sua participação, o presidente reforçou que a integração econômica, tecnológica e institucional continuará sendo uma das prioridades da política externa brasileira, defendendo que iniciativas como a expansão do Pix possam representar um novo passo na modernização das relações comerciais e financeiras da América do Sul.