
Relatório da investigação aponta que ex-presidente disse ter solicitado a devolução de uma pistola para a proteção da residência; Polícia Civil não identificou indícios de crime por posse da arma
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, em depoimento prestado à Polícia Civil do Distrito Federal, que um delegado da Polícia Federal autorizou que uma de suas armas permanecesse em sua residência após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A declaração consta do relatório final da investigação que apurou a apreensão de uma pistola Glock registrada em nome do ex-presidente durante uma blitz de trânsito realizada em Brasília.
Segundo o documento, Bolsonaro relatou que, na ocasião em que já cumpria prisão domiciliar, agentes da Polícia Federal recolheram as armas existentes em sua casa durante o cumprimento da ordem judicial. No entanto, ele afirmou ter solicitado ao delegado responsável que deixasse ao menos uma pistola na residência, alegando que morava com mulheres e que precisava do armamento para garantir a segurança da família.
De acordo com o depoimento, o delegado teria interrompido a conversa, feito uma ligação telefônica e, posteriormente, devolvido a arma ao ex-presidente. Até o momento, a Polícia Federal não comentou oficialmente a declaração atribuída a Bolsonaro.
Relatório conclui que não houve crime por parte de Bolsonaro
Apesar da narrativa apresentada pelo ex-presidente, a Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que não há elementos suficientes para responsabilizá-lo criminalmente pela posse da arma.
No relatório, os investigadores destacam que a pistola permaneceu regularmente registrada em nome de Bolsonaro e que, durante o cumprimento dos mandados judiciais, o armamento não foi apreendido nem teve qualquer restrição administrativa imposta ao seu registro.
Com isso, os policiais entenderam que não havia irregularidade na permanência da arma sob a titularidade do ex-presidente, afastando a hipótese de prática de crime relacionada à posse do equipamento.
Militar foi indiciado por portar arma registrada em nome de Bolsonaro
Embora Bolsonaro tenha ficado fora da lista de indiciados, a investigação resultou no indiciamento do segundo-sargento Estácio Leite da Silva Filho.
Segundo a Polícia Civil, o militar transportava uma arma registrada em nome de terceiro sem autorização formal do proprietário, situação que, na avaliação dos investigadores, configura infração ao Estatuto do Desarmamento.
O relatório sustenta que o porte do armamento ocorreu em desacordo com as exigências legais, motivo pelo qual o militar responderá pelo caso.
Blitz em Brasília deu início à investigação
A apuração começou após uma abordagem realizada em 15 de junho, em Taguatinga, no Distrito Federal. Estácio conduzia um veículo oficial utilizado na segurança do ex-presidente quando foi parado por agentes de trânsito.
Durante a fiscalização, policiais identificaram a presença de uma pistola dentro do automóvel. Conforme o registro da ocorrência, ao perceber que a arma havia sido notada, o militar teria fechado rapidamente o vidro do veículo, despertando ainda mais atenção da equipe.
Questionado pelos agentes, Estácio informou inicialmente que possuía autorização funcional para portar o armamento por atuar na segurança de Bolsonaro. Entretanto, durante a verificação, foi constatado que a pistola estava registrada em nome do ex-presidente.
Na sequência, o militar explicou que havia recebido a arma poucas horas antes para encaminhá-la a um reparo no mecanismo do percussor.
Defesa de Bolsonaro já havia apresentado versão semelhante
Nos esclarecimentos enviados anteriormente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Bolsonaro confirmou que a pistola pertencia ao ex-presidente e informou que o equipamento permanecia desativado enquanto estava sob responsabilidade da equipe de segurança.
Em depoimento posterior, Bolsonaro reafirmou essa versão, sustentando que a arma fazia parte de seu acervo regular e que permaneceu em sua residência após autorização concedida durante a operação policial.
O relatório final da Polícia Civil será encaminhado às autoridades competentes para análise das providências cabíveis em relação ao militar indiciado, enquanto Bolsonaro não foi responsabilizado criminalmente no caso.