
Alcolumbre reage a cobranças sobre PEC da escala 6×1 e afirma ter sido alvo de “ameaças” por pressão política
Presidente do Senado critica manifestações públicas pela votação da PEC do fim da escala 6×1, associa cobranças ao calendário eleitoral e indica que proposta só deverá avançar após o recesso parlamentar.
A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro do debate político após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmar que tem sido alvo de pressões e “ameaças” em razão da demora na análise da matéria. Durante discurso no plenário, o senador criticou autoridades que, segundo ele, têm incentivado manifestações públicas para pressionar a presidência da Casa a acelerar a votação.
A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio, permanece sem data definida para análise no Senado. Alcolumbre sinalizou que a discussão deve ser retomada apenas após o recesso parlamentar, previsto para começar em meados de julho.
Alcolumbre critica pressão pública sobre o Senado
Sem citar nomes diretamente durante seu pronunciamento, Alcolumbre afirmou que algumas autoridades têm utilizado eventos públicos para incentivar manifestações contra sua atuação na condução da pauta legislativa.
Segundo o presidente do Senado, discursos que pedem sua saída da presidência da Casa extrapolam o debate político e representam uma tentativa de pressionar institucionalmente o Legislativo.
“Quando se estimula esse tipo de manifestação, é preciso refletir se o objetivo é realmente defender os trabalhadores ou antecipar o debate eleitoral”, afirmou o senador.
Nos bastidores, pessoas próximas ao parlamentar indicaram que a declaração fazia referência à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
Declaração ocorreu após discurso durante a Parada LGBT+
As críticas mencionadas por Alcolumbre têm relação com um discurso feito por Erika Hilton durante a Parada do Orgulho LGBT+, realizada em São Paulo no início de junho.
Na ocasião, a deputada convocou apoiadores a pressionarem o Senado para colocar em votação a PEC que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1.
Em sua fala, Erika defendeu que trabalhadores brasileiros tenham mais tempo para descanso, convivência familiar e qualidade de vida, além de cobrar diretamente o presidente do Senado pelo andamento da proposta.
PEC do fim da escala 6×1 continua sem previsão de votação
Apesar da mobilização de movimentos sociais, centrais sindicais e parlamentares favoráveis à proposta, Alcolumbre reiterou que o Senado seguirá seu próprio calendário de tramitação.
O presidente da Casa afirmou que matérias de grande impacto social e econômico exigem ampla discussão antes de serem submetidas ao plenário, afastando a possibilidade de votação imediata.
Nos últimos dias, ele também declarou que o Senado não atuará como mero homologador das decisões tomadas pela Câmara dos Deputados e que respeitará todas as etapas previstas no processo legislativo.
Proposta divide opiniões no Congresso
A PEC que extingue a escala 6×1 é considerada uma das principais pautas trabalhistas em discussão no Congresso Nacional. O texto aprovado pelos deputados prevê mudanças na jornada semanal de trabalho e estabelece novas regras para garantir mais dias de descanso aos trabalhadores.
Enquanto sindicatos e entidades de trabalhadores defendem a aprovação da proposta como um avanço nas relações de trabalho, representantes do setor empresarial manifestam preocupação com os impactos econômicos e os custos de adaptação para empresas de diferentes segmentos.
No Senado, a expectativa é de que a matéria continue sendo debatida nas próximas semanas, mas a definição de um calendário oficial para sua votação dependerá da articulação entre a presidência da Casa, líderes partidários e integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Assim, o futuro da PEC do fim da escala 6×1 permanece condicionado às negociações políticas que deverão ocorrer após o recesso parlamentar, mantendo o tema entre os principais assuntos da agenda legislativa e do debate público.