
Lula volta a citar Donald Trump e diz que prótese dentária do SUS é mais tecnológica que a do presidente dos EUA
Durante evento no Palácio do Planalto, presidente elogia avanços da odontologia pública, faz brincadeira envolvendo Donald Trump e mantém discurso em meio à expectativa pela decisão dos Estados Unidos sobre um possível tarifaço contra produtos brasileiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a fazer referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (14), ao destacar investimentos do governo federal na saúde bucal por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Em tom de brincadeira, Lula afirmou que as próteses dentárias produzidas atualmente pelo sistema público brasileiro, com tecnologia de escaneamento digital e impressão em 3D, são mais modernas do que a utilizada pelo líder norte-americano.
A declaração foi feita durante uma audiência realizada no Palácio do Planalto com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet. O encontro marcou a celebração da marca de três milhões de veículos emplacados no Brasil em 2026.
Ao apresentar ações voltadas à ampliação do atendimento odontológico, Lula destacou a aquisição de 880 unidades móveis para levar serviços de saúde bucal a regiões de difícil acesso, principalmente em comunidades rurais e localidades afastadas dos grandes centros urbanos.
Segundo o presidente, a modernização do atendimento eliminou a necessidade dos tradicionais moldes de gesso para confecção de dentaduras.
“Nós compramos 880 vans para fazer ambulatório odontológico. Já que o pobre que está no meio do mato não pode ir até a cidade, ao dentista, a gente vai até ele. Inclusive, não faz mais molde de dentadura. Agora escaneia a boca do cidadão e faz a prótese em uma máquina 3D. O que é uma coisa que nem a dentadura do Trump é igual a essa”, afirmou Lula, provocando risos entre os presentes.
Tecnologia no SUS
Durante o discurso, Lula ressaltou que a incorporação de equipamentos digitais representa um avanço importante para a odontologia pública brasileira. Conforme explicou, o escaneamento eletrônico permite maior precisão na fabricação das próteses, reduz o tempo de produção e melhora a adaptação do equipamento ao paciente.
As unidades odontológicas móveis fazem parte da estratégia do governo para ampliar o acesso aos serviços de saúde em municípios do interior e regiões onde a oferta de atendimento especializado ainda é limitada.
Declaração ocorre em meio à tensão comercial com os Estados Unidos
A referência a Donald Trump ocorreu em um momento de elevada tensão diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O governo norte-americano deve anunciar nesta quarta-feira (15) sua decisão sobre a possível aplicação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Entre os temas analisados pelos norte-americanos estão questões relacionadas ao funcionamento do Pix, políticas ambientais, combate ao desmatamento ilegal e regras brasileiras de proteção à propriedade intelectual.
Apesar das negociações diplomáticas em andamento, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que as chances de evitar integralmente o novo pacote tarifário são reduzidas. A percepção do governo brasileiro é de que os argumentos técnicos apresentados até o momento dificilmente alterarão a decisão final da administração norte-americana.
Governo aguarda decisão antes de definir reação
Segundo integrantes do governo, a orientação de Lula permanece sendo manter o diálogo aberto com Washington até a divulgação oficial da decisão.
Somente após o anúncio previsto para esta quarta-feira o Palácio do Planalto deverá definir quais medidas serão adotadas em resposta, caso as tarifas sejam confirmadas.
Enquanto isso, o governo acompanha as negociações com cautela, diante dos possíveis impactos econômicos sobre as exportações brasileiras e sobre setores estratégicos da indústria nacional.
A nova referência de Lula a Donald Trump ocorre justamente na véspera de uma decisão considerada estratégica para as relações comerciais entre os dois países, acrescentando um componente político ao cenário de negociações que mobiliza autoridades brasileiras e representantes do setor produtivo.