
Ratinho é denunciado ao Ministério Público após comentário sobre cantor e reage: “Nunca desrespeitei ninguém”
Apresentador do SBT foi alvo de queixa apresentada pelo deputado estadual suplente Agripino Magalhães após comentário dirigido a Tiago Piquilo; Ratinho afirma que se tratava de uma brincadeira e acusa autor da denúncia de tentar obter vantagem com o episódio
O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, tornou-se novamente centro de uma controvérsia envolvendo declarações feitas em seu programa no SBT. Desta vez, o comunicador foi alvo de uma queixa apresentada ao Ministério Público de São Paulo após um comentário dirigido ao cantor Tiago Piquilo, integrante da dupla sertaneja Hugo & Thiago.
A declaração ocorreu durante o programa, depois de uma apresentação do músico. Ao comentar o novo visual de Piquilo, que estava com os cabelos loiros, Ratinho utilizou uma expressão considerada homofóbica por críticos e pelo autor da representação.
O episódio provocou repercussão nas redes sociais e reacendeu uma discussão que já envolve o apresentador em outro processo relacionado a declarações consideradas ofensivas à população LGBTQIA+.
O comentário que provocou a denúncia
Durante a atração, Ratinho observou o cabelo de Tiago Piquilo e afirmou que o cantor estava com “cara de viado”. O músico respondeu explicando que havia pintado o cabelo.
Na sequência, o apresentador continuou a brincadeira, dizendo que os dois integrantes da dupla estavam “inventando moda”.
Embora Tiago Piquilo não tenha apresentado uma reclamação pública contra Ratinho pelo episódio, a fala provocou reação de terceiros e acabou sendo levada ao Ministério Público.
A representação foi apresentada na quinta-feira (7) pelo deputado estadual suplente Agripino Magalhães, que já havia levado outras acusações envolvendo Ratinho às autoridades.
Ao justificar a iniciativa, Magalhães afirmou que manifestações dessa natureza não deveriam ser tratadas simplesmente como brincadeira.
“Todo preconceito é violência. A Justiça precisa atuar para que nossas vidas não sejam tratadas como objeto de escárnio.”
A iniciativa colocou novamente o nome de Ratinho no centro de uma discussão sobre os limites do humor, da liberdade de expressão e de manifestações consideradas discriminatórias.
Ratinho reage à denúncia
Dias depois da repercussão, Ratinho decidiu se manifestar publicamente no próprio programa.
O apresentador negou que tenha intenção de desrespeitar pessoas e afirmou que seu estilo televisivo sempre foi baseado em brincadeiras com os convidados.
“Eu sempre brinquei com todo mundo que vem aqui no programa. Eu nunca desrespeitei uma pessoa sequer na vida.”
Ratinho também afirmou que trabalha há décadas na televisão e que o público conhece sua maneira de conduzir a atração.
Segundo ele, existe uma diferença entre fazer uma brincadeira e desrespeitar alguém.
“Há 28 anos que eu brinco na televisão e nunca desrespeitei uma pessoa sequer.”
Em tom enfático, o apresentador continuou defendendo sua postura e disse que, quando entra em conflito com alguém, prefere confrontar diretamente, mas negou que pratique desrespeito.
Crítica ao autor da queixa
Ratinho também respondeu diretamente, embora sem citar nominalmente Agripino Magalhães, ao responsável pela denúncia.
O apresentador afirmou que o autor da queixa estaria utilizando o episódio para obter algum tipo de vantagem.
“O senhor que está me processando está usando de uma entidade para levar vantagem.”
Na sequência, Ratinho criticou a quantidade de processos existentes na Justiça brasileira e pediu que o episódio não fosse transformado em uma disputa judicial com objetivo financeiro.
“O senhor sabe que eu estava brincando. Então, para com bobagem.”
A manifestação representa a principal defesa pública apresentada pelo comunicador desde que o caso ganhou repercussão.
Um histórico de conflitos envolvendo Ratinho
A nova controvérsia não ocorre de maneira isolada.
Ratinho já enfrenta uma disputa judicial envolvendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O conflito começou depois de comentários feitos pelo apresentador sobre a escolha da parlamentar para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Na ocasião, Ratinho questionou a escolha de Erika Hilton para o cargo fazendo referência ao fato de ela ser uma mulher transexual.
A deputada reagiu e moveu uma ação contra o apresentador, acusando-o de transfobia. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Erika Hilton pediu R$ 10 milhões de indenização.
A parlamentar também solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão do Programa do Ratinho por 30 dias.
O SBT informou, à época, que havia tratado o episódio internamente, mas não detalhou publicamente quais providências foram adotadas.
Ratinho, por sua vez, não respondeu diretamente às acusações naquele momento e afirmou que o país vive em uma democracia e que existem divergências políticas.
Galvão Bueno sai em defesa do apresentador
Durante o novo pronunciamento de Ratinho, o apresentador também conversou ao vivo com Galvão Bueno, que acabou entrando na discussão.
Galvão declarou que conhece a trajetória de Ratinho e afirmou ser testemunha de que o comunicador não teria adotado uma postura desrespeitosa ao longo de sua carreira.
“Eu sou testemunha. No seu primeiro programa de televisão, lá no Paraná, você nunca desrespeitou ninguém.”
Galvão acrescentou que não conhecia todos os detalhes da nova polêmica, mas reafirmou sua defesa pessoal do apresentador.
A manifestação do narrador ocorreu durante a interação entre os dois programas e deu novo elemento à repercussão do caso.
Tiago Piquilo ficou no centro da controvérsia
Apesar de ter sido diretamente citado no comentário que provocou a denúncia, Tiago Piquilo não apresentou, segundo as informações divulgadas, uma reclamação contra Ratinho.
O cantor, integrante da dupla Hugo & Thiago, havia participado do programa para se apresentar musicalmente. O comentário sobre seu cabelo ocorreu durante a conversa no palco.
Assim, a denúncia apresentada ao Ministério Público partiu de um terceiro, Agripino Magalhães, e não do próprio artista mencionado na fala.
Debate sobre humor e preconceito
O episódio reacende uma discussão recorrente na televisão brasileira: até onde pode ir uma brincadeira feita por um apresentador e em que momento uma fala pode ser interpretada como manifestação discriminatória.
De um lado, Ratinho sustenta que seu comentário fazia parte do estilo de humor que utiliza há décadas e afirma que não teve intenção de ofender o cantor.
Do outro, o autor da representação sustenta que expressões associadas à homossexualidade como forma de caracterizar negativamente alguém contribuem para a reprodução de preconceitos e, por isso, devem ser analisadas pelas autoridades.
A existência da denúncia, porém, não significa que Ratinho tenha sido condenado ou que tenha sido reconhecido judicialmente como autor de crime. A eventual responsabilização dependerá da análise das autoridades competentes e dos elementos reunidos no procedimento.
Por enquanto, a polêmica acrescenta mais um capítulo à trajetória de Ratinho, um dos apresentadores mais longevos da televisão brasileira, que agora precisa lidar simultaneamente com a repercussão do comentário sobre Tiago Piquilo e com o histórico de acusações envolvendo Erika Hilton.
Enquanto o caso avança no Ministério Público, Ratinho mantém sua defesa: afirma que estava apenas brincando, nega ter desrespeitado alguém e contesta a motivação atribuída ao autor da denúncia.