
STF autoriza investigação contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência; PF apura relações com lobista do INSS e negócios de cannabis medicinal
Inquérito mira possíveis conexões entre Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e articulações envolvendo o Ministério da Saúde
A Polícia Federal abriu uma nova frente de investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apuração, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a negociações no setor de cannabis medicinal e possíveis contatos com integrantes do governo federal.
O caso corre sob sigilo e faz parte de um desdobramento das investigações que envolvem o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como personagem central em apurações sobre supostas irregularidades envolvendo descontos em benefícios de aposentados.
A Polícia Federal busca esclarecer se houve tentativa de usar relações pessoais e políticas para facilitar negócios junto ao poder público.
A investigação e o papel do “Careca do INSS”
Segundo a PF, uma das linhas de investigação envolve a relação entre Lulinha e Antonio Carlos Camilo Antunes. Os investigadores analisam se o lobista teria buscado influência dentro do governo federal para favorecer interesses comerciais ligados à área de medicamentos derivados de cannabis.
A suspeita é de que Antunes tenha tentado abrir portas no Ministério da Saúde para negociações envolvendo a empresa World Cannabis, voltada ao mercado de produtos à base de canabidiol.
A investigação também apura contatos entre o lobista e pessoas próximas a Lulinha, incluindo a empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga do filho do presidente.
Roberta Luchsinger e as reuniões no Ministério da Saúde
A Polícia Federal identificou movimentações envolvendo Roberta Luchsinger e o Ministério da Saúde entre 2023 e 2024.
Segundo os investigadores, Roberta esteve na pasta em quatro ocasiões. Em uma delas, teria participado de agenda oficial relacionada à área de relações institucionais.
O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes também teria frequentado o ministério em diferentes oportunidades. Conforme a investigação, em alguns encontros ele teria se apresentado como representante de empresas ligadas ao setor de tecnologia médica e, posteriormente, como dirigente da World Cannabis.
A PF analisa se essas reuniões tinham como objetivo aproximar interesses privados de decisões administrativas do governo.
Viagens internacionais e pagamentos sob análise
Outro ponto investigado são viagens internacionais realizadas por Lulinha, Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes.
A PF identificou registros de deslocamentos para destinos como Madri, na Espanha, e Lisboa, em Portugal, em períodos próximos.
Os investigadores também analisam pagamentos feitos pelo lobista para Roberta Luchsinger que somariam cerca de R$ 1,5 milhão.
Em uma das transferências, segundo a PF, Antunes teria feito referência ao “filho do rapaz”, expressão que os investigadores avaliam como uma possível menção a Lulinha.
Defesa de Lulinha reage e nega irregularidades
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva, afirmou que recebeu a abertura do inquérito com surpresa, mas disse que a defesa está tranquila.
Segundo ele, a investigação seria uma tentativa de buscar elementos sem uma base concreta.
“Teremos a oportunidade, uma vez mais, de demonstrar que Fábio não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade”, afirmou o advogado.
A defesa sustenta que Lulinha não participou de qualquer esquema ilegal e que poderá esclarecer todos os fatos durante o andamento da investigação.
André Mendonça autoriza apuração no STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura do inquérito após pedido da Polícia Federal.
A investigação foi distribuída ao gabinete do ministro por conexão com outros procedimentos já analisados pelo STF.
A Procuradoria-Geral da República acompanha o caso.
Até o momento, a abertura da investigação não representa condenação ou comprovação de crime contra Lulinha ou qualquer outro envolvido. O objetivo é reunir informações, analisar documentos e verificar se houve prática de irregularidades.
Lula afirma que filho será tratado como qualquer cidadão
Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a investigação envolvendo o filho.
Lula afirmou que não utilizará o cargo para interferir no trabalho da Justiça e disse que, caso exista qualquer acusação comprovada, Lulinha deverá responder como qualquer outra pessoa.
Segundo o presidente, seu filho está vivendo na Espanha e não teria necessidade de responder publicamente a todas as acusações que considera falsas.
O cenário político e as repercussões
A investigação ocorre em meio ao ambiente eleitoral de 2026, marcado por disputas entre grupos ligados ao governo Lula e à oposição.
Aliados do presidente defendem que a apuração deve seguir seu curso, enquanto opositores utilizam o caso para questionar relações familiares e políticas no governo federal.
O episódio também passou a ser explorado por adversários políticos, que fazem comparações com investigações envolvendo familiares de outros presidentes brasileiros.
Próximos passos da investigação
A Polícia Federal deverá analisar:
- registros de comunicação entre os envolvidos;
- movimentações financeiras;
- contratos e negociações empresariais;
- encontros realizados em órgãos públicos;
- possíveis relações entre empresas privadas e agentes do governo.
O inquérito seguirá sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, e novas diligências poderão ser determinadas conforme o avanço das investigações.
Até a conclusão da apuração, todos os citados permanecem na condição de investigados, sem qualquer condenação judicial.