“Tomara que tenha charuto e Macallan”: mensagens de Vorcaro expõem proximidade com Paulo Gonet e reacendem debate sobre a PGR

“Tomara que tenha charuto e Macallan”: mensagens de Vorcaro expõem proximidade com Paulo Gonet e reacendem debate sobre a PGR

Relatório da Polícia Federal registra telefonemas, mensagens de carinho, convite para evento em Londres e autorização para levar filho do procurador-geral; revelações recolocam em discussão a escolha de Gonet fora da lista tríplice e levantam questionamentos sobre sua atuação no caso Banco Master

As mensagens recuperadas pela Polícia Federal no telefone de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam uma relação de proximidade entre o banqueiro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, segundo relatório da própria PF tornado público após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os registros descrevem telefonemas, mensagens trocadas por intermédio do advogado Ciro Soares, manifestações de amizade, convite para uma degustação de uísque e charutos em Londres e a autorização para que o filho de Gonet acompanhasse o grupo com despesas que seriam custeadas por Vorcaro.

A divulgação do conteúdo ocorre em um momento particularmente delicado. Paulo Gonet é o chefe do Ministério Público Federal e atua no caso que envolve Daniel Vorcaro. Ao mesmo tempo em que as mensagens passaram a ser conhecidas, a Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade de atos determinados por André Mendonça na investigação que alcançou mensagens envolvendo autoridades.

É esse cruzamento que transformou uma sequência aparentemente privada de conversas em uma questão de grande repercussão institucional.

DESTAQUE — “Tomara que tenha charuto e Macallan”

Uma das mensagens mais simbólicas do relatório atribuído a Paulo Gonet foi encaminhada a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares:

“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e Macallan.”

A referência era a uma degustação de uísque Macallan e charutos em Londres, em evento organizado no círculo de Vorcaro.

Segundo o relatório, Vorcaro respondeu em tom igualmente descontraído:

“Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de Macallan.”

A conversa, isoladamente, não prova qualquer irregularidade.

O que chama atenção dos investigadores é o contexto: uma autoridade no comando da PGR aparece em comunicação pessoal com um banqueiro que posteriormente se tornou alvo central de investigação da Polícia Federal.

15 de março de 2025: Ciro Soares faz a ponte

A sequência documentada pela PF começa, segundo as reportagens, em 15 de março de 2025.

Naquele dia, Ciro Soares enviou a Daniel Vorcaro uma fotografia em que aparecia ao lado de Paulo Gonet. Na imagem, os dois estavam ao ar livre, usando camisas brancas e óculos escuros.

Na sequência, Ciro escreveu:

“Liga aqui. Ele quer falar com você.”

Depois de quatro tentativas de contato, Vorcaro e Gonet conseguiram conversar por telefone durante quase quatro minutos. A informação consta do material analisado pela PF.

Ciro Soares surge, portanto, como o principal intermediário das comunicações entre os dois.

O advogado também encaminhava mensagens atribuídas diretamente ao procurador-geral.

28 de março: “Já estou com saudade de você”

Treze dias depois, novamente por meio de Ciro Soares, surgiram mensagens atribuídas a Paulo Gonet.

Em uma delas, o procurador-geral dizia:

“Que bom! Estou na torcida por vocês!”

E, na sequência:

“Já estou com saudade de você! Estou embarcando para Roma.”

Gonet pediu ainda que a mensagem chegasse a Vorcaro:

“Manda essa mensagem para ele.”

Vorcaro reagiu com um coração e respondeu:

“Agradece muito o carinho. Saudade dele. Vamos marcar estar juntos.”

Ciro então afirmou que Gonet “lhe adora” e informou que o procurador-geral iria para Londres com o grupo.

A linguagem registrada nas mensagens ultrapassa o padrão de uma comunicação estritamente protocolar entre uma autoridade pública e um empresário.

Isso não significa, automaticamente, que tenha havido ilegalidade. Mas é precisamente essa proximidade que passou a ser examinada politicamente.

A viagem para Londres

O convite fazia parte da organização de um evento jurídico em Londres ligado ao Banco Master.

A Polícia Federal identificou nas mensagens uma negociação para que Paulo Gonet participasse do encontro e para que seu filho também acompanhasse o grupo.

Foi nesse contexto que apareceu a mensagem:

“O Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres.”

A mensagem foi enviada por Ciro Soares a Vorcaro em 29 de março de 2025.

A resposta do banqueiro foi imediata:

“Óbvio, né.”

Logo depois, segundo o relatório, veio outra mensagem atribuída a Gonet:

“Você é uma máquina kkkkkkk.”

O conteúdo foi encaminhado por Ciro, que ainda reforçou:

“Gonet mandou.”

O filho de Gonet também entra na negociação

A negociação não ficou restrita a uma autorização verbal.

Três meses depois, quando a viagem se aproximava, Ciro Soares voltou a perguntar a Vorcaro:

“O Pedrinho, filho do PG [Paulo Gonet], pode ir com a gente, né?”

Vorcaro novamente consentiu.

Segundo o Poder360, em 11 de abril de 2025 uma funcionária de Vorcaro, Ana Matos, enviou uma lista de convidados e perguntou quais poderiam viajar “com despesas pagas por nós”. Vorcaro rejeitou alguns nomes, mas autorizou especificamente “Pedro e Ciro”.

O episódio é um dos elementos que mais chamaram a atenção na investigação porque apresenta, de acordo com os documentos, uma autoridade pública, um familiar da autoridade e um empresário sob investigação dentro da mesma cadeia de tratativas sobre custeio de viagem.

A viagem ocorreu?

Essa é uma ressalva importante.

As mensagens registram o convite, a aprovação e a autorização de despesas. Entretanto, o evento previsto para Londres acabou não acontecendo.

O Poder360 informa que a segunda edição do Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, planejada para 2025, foi cancelada.

Por isso, a formulação mais precisa não é dizer simplesmente que Vorcaro “levou” o filho de Gonet a Londres, mas que as mensagens indicam que Vorcaro autorizou o custeio da participação do filho no evento planejado.

A documentação disponível não permite concluir, apenas com esses registros, que a viagem efetivamente tenha sido realizada nos termos originalmente previstos.

O primeiro evento em Londres

A história ganha outra dimensão quando se observa que Paulo Gonet já havia participado de um evento realizado em Londres em 2024, também ligado ao Banco Master.

Naquele encontro ocorreu uma degustação de uísque Macallan.

Segundo o Poder360, a conta da degustação foi de US$ 640.831,88, aproximadamente R$ 3,3 milhões pelo câmbio mencionado na reportagem.

O evento reuniu figuras importantes do meio jurídico e político.

Em análises sobre o caso, foram citados, entre os participantes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Andrei Rodrigues, Hugo Motta, Ricardo Lewandowski e Benedito Gonçalves, além de Paulo Gonet.

A presença de autoridades em eventos empresariais não constitui, por si só, irregularidade.

O problema investigativo é verificar a natureza das relações, quem financiou despesas, quais convites foram oferecidos e se existiu alguma contrapartida.

O papel de Ciro Soares

Ciro Soares é peça central no conjunto de mensagens.

Era ele quem enviava fotografias de Gonet a Vorcaro.

Era ele quem dizia que o procurador-geral queria falar com o banqueiro.

Era ele quem transmitia mensagens pessoais.

Era ele quem confirmava a presença de Gonet em Londres.

E era ele quem articulava a inclusão do filho do PGR.

Segundo o relatório, portanto, Soares não era apenas uma testemunha dos contatos: ele funcionava como intermediário da relação.

Essa circunstância faz com que suas mensagens sejam importantes para a reconstrução da proximidade entre os dois.

Gonet também participou de conversas diretamente

Apesar da mediação de Ciro, as informações da investigação indicam que houve também conversas telefônicas diretas entre Gonet e Vorcaro.

No primeiro contato documentado, depois das tentativas feitas por Ciro, os dois falaram durante quase quatro minutos.

O registro reforça que a relação não dependia exclusivamente de mensagens indiretas.

Havia contato direto.

“Saudade” e “máquina”: as palavras que chamaram atenção

As duas expressões mais comentadas nas reportagens — “saudade” e “máquina” — aparecem em momentos distintos.

Primeiro, Gonet teria escrito que estava com saudades de Vorcaro e pediu que a mensagem fosse transmitida.

Depois, ao receber a autorização para levar o filho ao evento em Londres, veio o elogio:

“Você é uma máquina kkkkkkk.”

A linguagem indica intimidade e informalidade.

Mas, novamente, intimidade não é sinônimo de crime.

A questão relevante é saber se essa proximidade ultrapassou os limites éticos ou funcionais impostos ao chefe do Ministério Público Federal.

Gonet e o caso Banco Master

A dimensão mais delicada surge pelo papel institucional de Paulo Gonet.

Ele é procurador-geral da República e, portanto, chefia o Ministério Público Federal.

Daniel Vorcaro, por sua vez, está no centro das investigações que deram origem ao material analisado pela Polícia Federal.

Segundo o GP1, Gonet chegou a rejeitar, em junho de 2026, uma segunda proposta de colaboração premiada apresentada por Vorcaro. A PGR avaliou que o conteúdo não apresentava informações novas suficientes para justificar o acordo.

Isso significa que a relação pessoal documentada nas mensagens antecedeu uma decisão institucional posterior envolvendo o próprio banqueiro.

Esse fator temporal é importante para a análise do caso.

A PGR pediu a nulidade do relatório

Poucas horas depois da divulgação das mensagens, a PGR apresentou uma manifestação pedindo a nulidade da decisão de André Mendonça que determinou a produção do relatório policial.

A justificativa apresentada por Gonet é de natureza processual.

A PGR sustenta que Mendonça não teria competência para determinar uma investigação direcionada a outro ministro do STF e que o magistrado não poderia assumir funções próprias da polícia ou do Ministério Público.

A discussão jurídica é legítima e deverá ser decidida pelo Supremo.

Mas existe uma coincidência institucional impossível de ignorar:

o procurador-geral pede a nulidade de um relatório no qual seu próprio nome aparece em diferentes passagens.

Isso, por si só, não prova conflito de interesses.

Mas cria uma questão de aparência institucional que exigirá explicação.

A controvérsia sobre a lista tríplice

As novas mensagens também reacenderam uma discussão que acompanha Paulo Gonet desde sua chegada à PGR: a forma como foi escolhido para comandar a instituição.

Em 2023, Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não escolher nenhum dos nomes da lista tríplice formada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

Os nomes da lista naquele processo eram Luiza Frischeisen, Mario Bonsaglia e José Adonis. Gonet não estava entre os três.

A Constituição não obriga o presidente da República a escolher alguém da lista da ANPR. O texto constitucional determina que o procurador-geral seja nomeado entre integrantes da carreira, maiores de 35 anos, após aprovação da maioria absoluta do Senado. A lista tríplice é uma tradição política, e não uma exigência constitucional.

Ainda assim, a decisão de Lula teve forte repercussão porque rompeu com a tradição seguida por seus governos anteriores.

Por que Gonet foi escolhido

Durante a sucessão de Augusto Aras, Gonet aparecia entre os favoritos de Lula.

As reportagens da época registraram que ele contava com o apoio de ministros do STF como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Também havia sido responsável por elaborar parecer favorável à inelegibilidade de Jair Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula acabou indicando Gonet em novembro de 2023.

A escolha foi vista como vitória de setores que apoiavam seu nome e como decisão política do presidente para além da lista tríplice.

É justamente esse passado que voltou ao debate após a divulgação das mensagens com Vorcaro.

A lista tríplice volta ao centro da discussão

A discussão agora ganhou outro sentido.

O problema não é afirmar que Gonet se tornou procurador-geral por causa de Daniel Vorcaro. Não há evidência apresentada pelas reportagens que sustente essa conclusão.

A questão levantada politicamente é outra:

o chefe do Ministério Público Federal, escolhido diretamente pelo presidente da República fora da lista tríplice, aparece em mensagens que revelam proximidade com um empresário investigado e, posteriormente, atua institucionalmente em um caso relacionado a esse empresário.

Esse encadeamento pode gerar questionamentos sobre independência e aparência de imparcialidade.

Mas não autoriza, sem provas adicionais, afirmar que sua nomeação ou sua atuação na PGR foram condicionadas por essa relação.

COLUNA CRÍTICA — Quando a intimidade encontra a função pública

O caso não precisa de exageros para ser sério.

A mensagem “tomara que tenha charuto e Macallan” não é, por si só, um escândalo.

A frase “já estou com saudade de você” também não é crime.

Nem um convite para um evento.

Nem a autorização para o filho de uma autoridade participar de um encontro.

O problema nasce quando esses fatos são colocados dentro de uma mesma sequência.

Há um banqueiro poderoso.

Há uma autoridade que chefia o Ministério Público Federal.

Há um intermediário com acesso aos dois.

Há contatos privados e telefonemas.

Há convites.

Há despesas que seriam pagas pelo banqueiro.

Há participação em eventos patrocinados por uma instituição financeira.

E existe, posteriormente, uma atuação institucional do procurador-geral em uma investigação relacionada a esse mesmo empresário.

Essa combinação justifica escrutínio.

Não justifica condenação antecipada.

É importante também não cair na tentação de usar a expressão “lavagem institucional” ou outras acusações criminais sem prova. O jornalismo sério não pode transformar uma sucessão de fatos estranhos em uma sentença.

Mas o jornalismo também não deve fazer o caminho inverso e tratar tudo como mera coincidência sem fazer perguntas.

A questão não é se Paulo Gonet pode ter amigos empresários. A questão é se a proximidade registrada nas mensagens é compatível com as exigências de independência, imparcialidade e aparência de integridade esperadas do procurador-geral da República.

O ponto que exige esclarecimento

Uma das perguntas mais importantes é objetiva:

o que Daniel Vorcaro pretendia obter com essa proximidade?

E outra é igualmente importante:

o que Paulo Gonet esperava dessa relação?

A resposta pode ser banal.

Pode ser uma amizade pessoal sem qualquer contrapartida.

Pode ter sido uma relação social.

Pode ter sido apenas uma aproximação típica do ambiente de Brasília.

Mas, se for assim, isso também pode ser demonstrado.

Bastaria esclarecer os contatos, os eventos, os pagamentos, as viagens e a natureza das relações.

O que está documentado e o que ainda não está

Está documentado no relatório da PF, segundo as reportagens, que:

Paulo Gonet e Daniel Vorcaro conversaram por telefone;

Ciro Soares intermediou os contatos entre os dois;

foram encaminhadas mensagens atribuídas ao procurador-geral;

Gonet falou em saudade e afirmou torcer por Vorcaro;

Gonet aceitou participar de evento em Londres;

uma mensagem atribuída a Gonet menciona charuto e Macallan;

Ciro informou a Vorcaro que Gonet queria levar o filho;

Vorcaro autorizou a inclusão;

posteriormente, Vorcaro autorizou “Pedro e Ciro” entre os convidados com despesas pagas;

o evento planejado para Londres em 2025 acabou cancelado, segundo as reportagens.

O que não está comprovado apenas por essas mensagens é que tenha havido crime, vantagem indevida, promessa de contrapartida ou atuação funcional de Gonet em favor de Vorcaro.

Essa diferença precisa permanecer explícita.

O segundo problema: quem investiga Gonet?

A controvérsia ganha maior dimensão porque a PGR questiona a própria investigação.

Gonet argumenta que André Mendonça não poderia ter ordenado determinadas diligências.

A discussão sobre competência precisa ser resolvida juridicamente.

Mas, caso os elementos envolvendo Gonet também precisem ser investigados, surge a necessidade de definir uma autoridade independente para fazer isso.

Esse é talvez o problema institucional mais delicado de todos.

Não seria adequado que uma autoridade diretamente mencionada nos documentos fosse a única responsável por decidir o destino das informações que a atingem.

Da mesma forma, também não seria adequado ignorar regras constitucionais de competência apenas porque os fatos produziram enorme repercussão política.

O caso Master e a rede de relações

As mensagens sobre Gonet não aparecem isoladas.

O mesmo aparelho de Daniel Vorcaro reuniu registros que aproximaram o banqueiro de outras autoridades, entre elas Alexandre de Moraes.

Também aparecem referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e a diferentes interlocutores políticos e jurídicos.

A PF está, portanto, reconstruindo uma rede de relacionamento em torno do Banco Master.

É essa rede, mais do que uma mensagem individual, que dá dimensão ao caso.

O episódio também atinge a credibilidade da PGR

Mesmo sem conclusão criminal, a controvérsia produz um efeito institucional.

A PGR depende de credibilidade para exercer suas funções.

Quando seu chefe aparece em mensagens informais com um banqueiro investigado, participa ou aceita participar de eventos associados ao empresário e depois se envolve diretamente na discussão jurídica sobre a investigação, a instituição precisa responder com clareza.

Não basta dizer que o procedimento é nulo.

Também será necessário explicar a natureza da relação.

CONCLUSÃO — da lista tríplice ao Macallan

A história que emergiu do celular de Daniel Vorcaro começa com um advogado funcionando como intermediário e termina no centro de uma discussão sobre a independência do Ministério Público Federal.

Paulo Gonet aparece nas mensagens como alguém próximo do banqueiro, demonstra saudade, diz estar na torcida, aceita um convite para Londres, brinca sobre charuto e Macallan e, segundo o relatório, autoriza a possibilidade de o filho acompanhar o grupo com despesas bancadas por Vorcaro.

Ao mesmo tempo, Gonet é o procurador-geral da República, chefe do MPF e integrante da estrutura institucional que tem papel relevante nas investigações envolvendo o próprio Vorcaro.

Depois da divulgação do relatório, a PGR pediu a nulidade dos atos de André Mendonça que resultaram no aprofundamento da investigação.

É nesse ponto que o caso deixa de ser apenas uma história de mensagens privadas.

Passa a ser uma discussão sobre proximidade, aparência de conflito, independência institucional e controle sobre o chefe do Ministério Público Federal.

As informações também recolocam em circulação o debate sobre a escolha de Gonet fora da lista tríplice da ANPR. Essa escolha foi constitucionalmente possível, mas rompeu com uma tradição dos governos Lula.

Não há base, nas informações disponíveis, para afirmar que a escolha de Gonet tenha sido consequência da relação com Vorcaro.

Mas a sequência dos fatos produz uma pergunta política legítima:

até que ponto a PGR pode manter sua autoridade e independência quando seu próprio chefe aparece em mensagens de proximidade com um banqueiro investigado e, posteriormente, assina uma manifestação destinada a questionar a investigação que expôs essas mensagens?

Essa resposta não pode ser construída por torcida.

Também não pode ser encoberta por tecnicalidades.

Precisa vir dos documentos, dos envolvidos e de uma apuração capaz de estabelecer, com independência, onde termina uma relação pessoal e onde começaria eventual incompatibilidade com a função pública.

Por enquanto, o que as mensagens demonstram é uma relação de proximidade.

O que elas significam juridicamente ainda precisa ser descoberto.

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