
Trump lidera Escudo das Américas contra PCC e Comando Vermelho: uma nova ofensiva internacional contra o crime organizado
Aliança reúne Estados Unidos e outros 14 países para tratar 24 organizações como ameaças narcoterroristas e prevê congelamento de bens, restrições de vistos e punição a quem fornecer apoio material ou logístico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu transformar o combate ao crime organizado transnacional em uma agenda conjunta de parte significativa do continente americano. Em 22 de setembro de 2026, o chamado Escudo das Américas, iniciativa criada por Trump em março, anunciou sua primeira ação conjunta contra 24 organizações criminosas classificadas na declaração como organizações narcoterroristas transnacionais. Entre elas estão duas das maiores facções criminosas brasileiras: Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
O anúncio ocorreu em Nova York, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, durante uma reunião dos integrantes da coalizão. A declaração conjunta prevê que os países adotem, conforme suas próprias legislações e obrigações internacionais, medidas como congelamento de ativos, restrições de imigração e vistos e responsabilização criminal de pessoas que conscientemente forneçam apoio material ou logístico às organizações incluídas na lista.
A iniciativa dá dimensão internacional ao enfrentamento de grupos que movimentam drogas, armas, dinheiro e integrantes através das fronteiras.
O mérito de Donald Trump
O principal mérito político da iniciativa está em reconhecer que o crime organizado transnacional não pode ser enfrentado apenas de maneira isolada por cada país.
PCC e Comando Vermelho, por exemplo, são organizações brasileiras, mas suas redes de atuação e financiamento ultrapassam as fronteiras do Brasil. O mesmo ocorre com diferentes cartéis e grupos criminosos existentes em outros países americanos.
Trump decidiu colocar esse problema no centro da agenda regional e reuniu governos dispostos a coordenar medidas contra essas organizações.
A declaração assinada pelos 15 governos — Estados Unidos mais 14 parceiros — é apresentada como a primeira ação conjunta do Escudo das Américas. O documento estabelece três grandes áreas de cooperação: defesa econômica, segurança e coordenação multilateral.
É nesse contexto que a atuação de Trump merece destaque: o presidente americano não ficou apenas no discurso sobre o combate ao narcotráfico. Sua administração articulou uma estrutura internacional destinada a pressionar financeiramente e logisticamente as organizações criminosas.
PCC e Comando Vermelho entram na lista
A inclusão do PCC e do Comando Vermelho é especialmente relevante para o Brasil.
As duas facções aparecem entre as 24 organizações apontadas pela coalizão como ameaças compartilhadas. A lista também inclui grupos como Mara Salvatrucha (MS-13), Tren de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nueva Generación, Clan del Golfo, ELN, dissidências das FARC e Sendero Luminoso, entre outros.
Os Estados Unidos já haviam designado PCC e CV como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) em maio de 2026, com a intenção de também classificá-los como Organizações Terroristas Estrangeiras. O Departamento de Estado americano justificou a medida afirmando que as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e possuem redes ilícitas que ultrapassam o território brasileiro.
Agora, a iniciativa de Trump amplia a pressão ao buscar a adesão de outros governos americanos.
As medidas previstas
O acordo não estabelece automaticamente uma legislação única para todos os países.
Cada governo deverá aplicar as medidas de acordo com sua legislação nacional e suas obrigações internacionais. Ainda assim, os signatários declararam a intenção de adotar mecanismos coordenados.
Entre eles estão:
- congelamento de ativos ligados às organizações;
- restrições migratórias e de vistos para integrantes, associados e apoiadores;
- responsabilização criminal de pessoas que conscientemente forneçam apoio material;
- combate ao apoio logístico às organizações;
- maior compartilhamento de informações;
- coordenação de ações financeiras e de segurança;
- mecanismos de cooperação multilateral por meio da Organização dos Estados Americanos (OEA).
A estratégia procura atingir não apenas os integrantes que praticam diretamente atividades criminosas, mas também a infraestrutura financeira e logística que permite que essas organizações continuem funcionando.
Os 15 países do Escudo das Américas
A declaração foi assinada por:
Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
O grupo reúne governos com diferentes realidades políticas e de segurança, mas que concordaram em tratar o narcoterrorismo transnacional como uma ameaça compartilhada.
Entre os principais líderes envolvidos estão Donald Trump, nos Estados Unidos; Javier Milei, na Argentina; e os presidentes dos demais países signatários.
A presença de governos como Argentina, Equador, El Salvador, Colômbia e Peru demonstra que a iniciativa ganhou adesão regional e não ficou restrita a Washington.
Trump endurece o discurso na ONU
No mesmo dia da assinatura, Trump fez um discurso contundente na Assembleia Geral da ONU.
O presidente americano defendeu uma ação mais dura contra os cartéis e afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a utilizar seu poder para enfrentar organizações criminosas que considera ameaças à segurança do continente.
O discurso e a reunião do Escudo das Américas ocorreram praticamente em sequência, reforçando a estratégia de Washington de conectar segurança nacional, combate ao narcotráfico e cooperação internacional.
Trump afirmou que os cartéis representam uma ameaça contra a civilização e defendeu medidas severas contra essas organizações.
O Brasil ficou fora
E é justamente aqui que a situação se torna particularmente relevante para os brasileiros.
O Brasil não participa do Escudo das Américas.
México também está fora da coalizão. Os dois países possuem enorme importância regional e, no caso brasileiro, justamente as duas facções nacionais mais conhecidas internacionalmente — PCC e CV — estão entre os grupos atingidos pela iniciativa.
A diplomacia brasileira, segundo informações publicadas após o anúncio, teria sido surpreendida pela declaração divulgada durante a Assembleia Geral da ONU. O governo Lula passou a avaliar o conteúdo da iniciativa.
O fato político é objetivo: Estados Unidos e outros 14 países decidiram coordenar medidas contra organizações que incluem duas das principais facções criminosas brasileiras, enquanto o governo brasileiro permaneceu fora dessa aliança.
Repúdio à postura de Lula por ficar fora da iniciativa
A ausência brasileira merece ser questionada politicamente.
O Brasil não precisa abrir mão de sua soberania para cooperar internacionalmente no combate ao crime organizado. Também não significa que as autoridades brasileiras não combatam PCC e CV por meio das instituições nacionais.
Mas existe uma diferença entre combater internamente e participar de mecanismos internacionais de cooperação.
Quando uma organização criminosa possui ramificações internacionais, a troca de informações, o rastreamento de recursos, a cooperação policial e o bloqueio de ativos em diferentes jurisdições podem ampliar a capacidade de enfrentamento.
Por isso, a decisão do governo Lula de permanecer fora do Escudo das Américas levanta uma pergunta legítima: por que o Brasil não está participando de uma iniciativa internacional que tem entre seus alvos justamente organizações criminosas brasileiras?
A crítica não precisa significar apoio irrestrito a todas as ações dos Estados Unidos. É possível defender a soberania brasileira e, simultaneamente, reconhecer o valor da cooperação internacional contra organizações criminosas.
O Tratado do Rio também entra na discussão
Outro ponto importante da declaração é a intenção dos integrantes de solicitar ao Conselho Permanente da OEA uma reunião de consulta relacionada ao Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), também conhecido como Tratado do Rio.
A ideia é discutir mecanismos que possam facilitar ações coletivas contra organizações consideradas narcoterroristas.
O Brasil é signatário do Tratado do Rio, embora não faça parte do Escudo das Américas.
Isso torna o cenário ainda mais relevante para Brasília: o país não está dentro da coalizão, mas poderá acompanhar discussões em estruturas interamericanas que envolvam o enfrentamento dessas organizações.
Uma mudança no tratamento internacional do crime organizado
A grande mudança trazida pelo Escudo das Américas está na tentativa de tratar o crime organizado transnacional como um problema de segurança coletiva.
Durante décadas, PCC, CV, cartéis mexicanos e outras organizações foram tratados principalmente como questões de segurança pública ou criminalidade organizada dentro de seus respectivos países.
A estratégia de Trump procura elevar o problema para uma dimensão internacional.
Na prática, isso pode aumentar a pressão sobre contas, empresas, pessoas, rotas financeiras e redes de apoio associadas às organizações.
Também cria dificuldades para integrantes e colaboradores que dependam de circulação internacional.
Parabéns a Trump pela iniciativa de combate ao crime organizado
A criação do Escudo das Américas e a primeira ação conjunta contra 24 organizações representam uma iniciativa de grande alcance regional.
Donald Trump merece crédito por colocar o combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional no centro da agenda das Américas e por buscar transformar esse combate em uma ação coordenada entre governos.
O enfrentamento ao crime organizado exige inteligência, cooperação policial, investigação financeira, controle de fronteiras e responsabilização dos integrantes das organizações criminosas. Nenhum desses instrumentos precisa depender exclusivamente de uma única nação.
A proposta de Trump parte justamente dessa realidade.
E a inclusão do PCC e do Comando Vermelho mostra que o problema brasileiro já possui uma dimensão internacional reconhecida por outros governos.
A questão que fica para o Brasil
O episódio deixa uma questão que o governo Lula precisará responder à sociedade brasileira:
se PCC e Comando Vermelho são considerados ameaças narcoterroristas por Estados Unidos e outros 14 países, por que o Brasil não está participando da iniciativa internacional criada para enfrentá-los?
A resposta do governo pode envolver soberania, legislação brasileira, diferenças diplomáticas e discordâncias sobre a estratégia americana. Esses argumentos precisam ser apresentados e debatidos.
Mas não se pode ignorar o fato de que o crime organizado brasileiro ultrapassou as fronteiras nacionais.
O Escudo das Américas tenta responder a esse fenômeno com uma frente internacional.
Trump tomou a iniciativa, reuniu aliados e colocou PCC e CV no centro de uma estratégia continental contra o narcoterrorismo.
Para quem defende uma política de segurança mais dura contra as grandes organizações criminosas, o recado é claro: o crime organizado passou a ser tratado como uma ameaça que exige cooperação internacional.
E, diante disso, a ausência do Brasil não pode simplesmente ser ignorada. Ela precisa ser explicada pelo governo Lula e debatida pela sociedade brasileira.