
Trump sobe o tom na ONU, exalta força dos EUA e ameaça aniquilar o Irã
Presidente americano defende a força militar dos Estados Unidos, critica adversários e coloca sobre a mesa duas alternativas para Teerã: acordo ou escalada do conflito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), para reafirmar a força econômica e militar americana e fazer uma dura advertência ao governo do Irã.
Logo após o discurso de Luiz Inácio Lula da Silva, Trump subiu à tribuna da ONU e apresentou uma mensagem centrada na capacidade dos Estados Unidos de defender seus interesses e enfrentar ameaças internacionais.
O ponto mais contundente da fala foi dirigido ao Irã. Trump afirmou que, sem um acordo, os Estados Unidos poderiam “aniquilar” o país. Segundo a Reuters, o presidente americano apresentou a possibilidade de um acordo de paz como alternativa à continuidade da guerra.
A declaração representa mais uma escalada retórica de Trump em relação ao conflito com Teerã, que já dura meses e envolve também questões relacionadas ao programa nuclear iraniano, à segurança regional e ao Estreito de Ormuz.
Trump coloca força americana no centro do discurso
Em sua manifestação, Trump procurou destacar aquilo que considera uma das principais ferramentas da política externa americana: a superioridade militar e econômica dos Estados Unidos.
O presidente apresentou seu país como uma potência capaz de utilizar sua força para proteger seus interesses e pressionar adversários.
A mensagem foi direta: Washington não pretende aceitar que o Irã desenvolva capacidade nuclear que, segundo o governo americano, possa ameaçar os Estados Unidos, Israel ou outros aliados na região.
O secretário de Estado Marco Rubio também afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos estão abertos a conversas com representantes iranianos durante a Assembleia Geral, desde que exista possibilidade de produzir resultados concretos, especialmente em relação à questão nuclear.
“Aniquilar” o Irã ou buscar um acordo
A ameaça feita por Trump não surgiu isoladamente.
Nos dias anteriores à Assembleia Geral, o presidente americano já havia afirmado que as opções diante do governo iraniano envolviam um acordo ou uma escalada capaz de levar o país à ruína.
Em 20 de setembro, Trump declarou que discutia com sua administração se deveria chegar a um acordo ou “explodir todo o Irã”, ao mesmo tempo em que dizia permanecer aberto à possibilidade de negociação.
Na ONU, a mesma estratégia apareceu em uma versão ainda mais explícita: Trump afirmou que poderia escolher entre um acordo e a destruição do regime iraniano caso não houvesse entendimento.
O presidente americano também indicou que um eventual acordo poderia ocorrer depois das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para novembro.
A questão nuclear
Um dos argumentos centrais de Washington é impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.
Rubio reiterou nesta terça-feira que o objetivo das negociações seria garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear.
O governo americano sustenta que a questão nuclear representa uma ameaça de segurança que não pode ser ignorada.
Teerã, por sua vez, permanece no centro de uma disputa internacional que envolve sanções, ataques militares, negociações e acusações de ameaças à segurança regional.
O conflito já afeta a economia mundial
A guerra também ultrapassou as fronteiras do Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo, tornou-se um dos pontos estratégicos do conflito. A instabilidade na região tem provocado preocupação nos mercados internacionais e contribuído para a volatilidade dos preços da energia.
Nesta terça-feira, o petróleo Brent chegou a ser negociado próximo de US$ 100 por barril, enquanto investidores acompanhavam as declarações de Trump sobre o futuro da guerra e a possibilidade de um acordo.
A guerra também representa um custo significativo para os próprios Estados Unidos. Segundo levantamento do Congressional Budget Office (CBO) citado pela Reuters, o conflito já havia custado cerca de US$ 38 bilhões aos americanos até 1º de agosto, com uma estimativa de acréscimo de aproximadamente US$ 3 bilhões por mês.
Trump também critica instituições internacionais
O discurso não ficou limitado ao Irã.
Trump também voltou a criticar instituições internacionais e defendeu a soberania dos Estados Unidos diante de organismos multilaterais.
O presidente americano atacou especialmente o Tribunal Penal Internacional (TPI), que classificou como uma instituição fora de controle, e pediu que os países integrantes deixassem a organização.
A posição reforça uma característica recorrente de sua política externa: a defesa de que os Estados Unidos não devem aceitar mecanismos internacionais que, na visão de seu governo, possam limitar a autonomia americana.
O contraste com o discurso de Lula
Trump falou imediatamente depois de Lula na Assembleia Geral.
Enquanto o presidente brasileiro concentrou sua fala em soberania, multilateralismo, conflitos internacionais e críticas à interferência estrangeira, Trump adotou um discurso mais centrado na força americana, na segurança nacional e na disposição de utilizar pressão econômica e militar contra adversários.
O contraste entre os dois discursos chamou atenção porque ocorreu no mesmo palco e em sequência.
Lula defendeu que nenhum país deve interferir nos assuntos internos de outro. Trump apresentou a capacidade americana de exercer pressão internacional como instrumento de defesa dos interesses dos Estados Unidos.
São visões diferentes sobre o papel de uma grande potência no cenário internacional.
A mensagem de Trump ao mundo
A fala do presidente americano pode ser resumida em dois elementos centrais: força e negociação.
Trump não descartou um acordo com o Irã. Ao contrário, afirmou que ainda existe possibilidade de negociação. Mas deixou claro que, sem entendimento, sua administração considera novas ações contra Teerã.
Essa combinação entre oferta de negociaçã