
Venezuela registra novo tremor enquanto número de mortos sobe para 1.719 e buscas por sobreviventes entram em fase crítica
Tremor de magnitude 4,6 aumenta o medo da população após a maior tragédia sísmica do país em mais de um século; milhares seguem desabrigados e equipes internacionais continuam as operações de resgate.
Venezuela registra novo tremor enquanto número de mortos sobe para 1.719 e buscas por sobreviventes entram em fase crítica
A tragédia provocada pelos fortes terremotos que devastaram a Venezuela continua se agravando. Na manhã desta segunda-feira (29), um novo tremor de magnitude 4,6 voltou a atingir o norte do país, aumentando o clima de insegurança entre moradores que já enfrentam dias de medo, perdas e destruição.
O abalo sísmico teve epicentro na cidade de Caraballeda, localizada no estado de La Guaira, a aproximadamente 30 quilômetros de Caracas. Apesar de não haver relatos imediatos de novos desabamentos, o tremor reacendeu o temor de milhares de famílias que permanecem fora de casa após a sequência de terremotos registrada na última semana.
Número de mortos chega a 1.719
Segundo o mais recente balanço divulgado pelo governo venezuelano, a tragédia já deixou 1.719 mortos, além de 5.034 feridos e 15.866 pessoas desalojadas.
As autoridades também informaram que mais de 22 mil pessoas receberam atendimento médico desde o início da emergência. Os números, no entanto, são considerados provisórios e podem crescer à medida que as equipes avançam nas buscas.
Organismos internacionais alertam que a situação ainda é extremamente grave. Estimativas das Nações Unidas apontam que cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas, principalmente nas áreas mais afetadas pelos desabamentos.
Novo tremor aumenta tensão entre sobreviventes
O novo terremoto foi registrado às 7h no horário local (8h em Brasília), conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Moradores relataram momentos de pânico.
“Foi muito forte”, contou um residente da região de La Guaira à imprensa internacional.
Embora o governo venezuelano tenha informado que o novo abalo não provocou danos significativos, especialistas lembram que tremores secundários são comuns após grandes terremotos e podem continuar ocorrendo por dias ou até semanas.
Desde o desastre principal, a Venezuela já registrou diversos abalos secundários com magnitudes entre 4,2 e 4,6.
Mais de 770 edifícios desabaram
Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados na quarta-feira (24), provocaram um cenário de devastação em diversas cidades venezuelanas.
Segundo dados oficiais, pelo menos:
- 774 edifícios desabaram parcial ou totalmente;
- dezenas de hospitais sofreram danos estruturais;
- centenas de prédios residenciais ficaram comprometidos;
- rodovias, pontes e redes de infraestrutura foram seriamente afetadas.
O governo criou uma comissão técnica para avaliar a estabilidade das construções remanescentes. Os imóveis passarão por uma classificação de risco identificada pelas cores verde, amarela e vermelha, indicando desde estruturas seguras até locais com risco iminente de colapso.
Corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes
As operações de resgate seguem em ritmo intenso.
Mais de 25 mil socorristas, incluindo equipes internacionais, trabalham entre montanhas de concreto na tentativa de localizar vítimas ainda com vida.
Até o momento, 33 sobreviventes foram retirados dos escombros após dias soterrados, alimentando a esperança das famílias.
No entanto, especialistas explicam que as primeiras 72 horas após um terremoto representam o período mais importante para encontrar pessoas vivas. Com o passar do tempo, as chances diminuem significativamente.
Além da dificuldade causada pelos escombros, o calor intenso e o avanço da decomposição dos corpos tornam os trabalhos ainda mais complexos.
Ajuda humanitária internacional chega ao país
Diversos países mobilizaram equipes especializadas e enviaram ajuda humanitária para a Venezuela.
O Brasil está entre os países que colaboram com a operação, enviando aeronaves com equipamentos, suprimentos e profissionais para auxiliar nas buscas e no atendimento às vítimas.
Enquanto isso, milhares de venezuelanos permanecem em abrigos improvisados, dependendo de doações de alimentos, água potável, medicamentos e itens de primeira necessidade.
País permanece em estado de alerta
Mesmo após quase uma semana da tragédia, o risco ainda não passou.
Os constantes tremores secundários mantêm a população em estado permanente de alerta, enquanto autoridades monitoram a possibilidade de novos abalos.
A expectativa agora é que as equipes de resgate consigam localizar mais sobreviventes, ao mesmo tempo em que engenheiros avaliam a segurança das estruturas remanescentes para evitar novas tragédias.