Alexandre Frota faz o “L” para Lula e revive a pergunta: afinal, qual é o lado político?

Alexandre Frota faz o “L” para Lula e revive a pergunta: afinal, qual é o lado político?

Ex-bolsonarista eleito pelo PSL em 2018, Alexandre Frota rompeu com Bolsonaro, passou por outros partidos, declarou apoio a Lula e agora aparece de vermelho em caminhada petista; a trajetória alimenta críticas sobre coerência e identidade política

Alexandre Frota voltou a protagonizar uma cena que resume, de maneira quase cinematográfica, sua trajetória política recente.

Neste sábado (3), na reta final da campanha presidencial de 2026, o vereador de Cotia (SP) Alexandre Frota, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), participou da caminhada de encerramento da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo.

Vestido de vermelho, com adesivos de apoio ao petista, Frota fez o conhecido “L” e apareceu ao lado do candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin, também em clima de campanha. O ato percorreu a região central de São Paulo e terminou na Praça Roosevelt.

Até aí, tudo absolutamente permitido dentro de uma democracia.

O problema — ou, para quem acompanha a trajetória de Frota, a parte curiosa — está em lembrar quem era Alexandre Frota quando começou sua carreira eleitoral nacional.

Em 2018, ele foi eleito deputado federal pelo então Partido Social Liberal (PSL), legenda pela qual também estava Jair Bolsonaro. Frota recebeu 155.522 votos naquele pleito e se aproximou do grupo político bolsonarista.

Mas a parceria não durou.

Em 2019, Frota rompeu com o governo Bolsonaro e acabou expulso do PSL. Depois passou pelo PSDB e, posteriormente, pelo PDT. Em 2022, quando o PSDB decidiu apoiar Bolsonaro no segundo turno, Frota deixou a legenda e declarou apoio a Lula. Em 2024, já filiado ao PDT, foi eleito vereador de Cotia.

Agora, em 2026, aparece fazendo o “L”.

É política brasileira em estado puro.

De “bolsonarista” a militante de Lula

A cena chama atenção justamente porque Frota não está apenas declarando voto.

Ele foi ao ato.

Vestiu vermelho.

Colocou adesivos de Lula.

Fez o “L”.

E ainda convocou eleitores a votar no petista.

Em entrevista à TVT, Frota afirmou que aquela seria “a eleição das nossas vidas” e defendeu que Lula fosse eleito já no primeiro turno. Também pediu que jovens e idosos comparecessem às urnas.

Frota disse que seu voto estaria relacionado à defesa da liberdade, da liberdade de expressão e à oposição ao bolsonarismo.

Também afirmou que os eleitores deveriam votar contra o que chamou de “maior escândalo financeiro que o país está vivendo”, em referência ao caso envolvendo o Banco Master.

E aqui começa a parte que merece reflexão.

Pessoal, afinal, qual é o lado?

Imagine o eleitor comum acompanhando tudo isso.

Em 2018:

Frota com Bolsonaro.

Depois:

Frota rompendo com Bolsonaro.

Depois:

Frota em outras legendas.

Em 2022:

Frota declarando apoio a Lula.

Em 2024:

Frota eleito vereador pelo PDT.

Em 2026:

Frota de vermelho, fazendo o “L” e pedindo voto para Lula.

A pergunta que fica é inevitável:

afinal, qual é o projeto político de Alexandre Frota?

Porque mudar de opinião é legítimo.

Mudar de partido é legítimo.

Romper com um antigo aliado é legítimo.

A política democrática permite tudo isso.

Mas o eleitor também tem o direito de perguntar:

o que mudou?

Quais princípios permaneceram?

Quais foram abandonados?

E qual será o próximo capítulo?

A ironia está pronta

E aqui entra a ironia.

Hoje é Lula.

Amanhã, quem sabe?

Talvez o próximo personagem seja Renan Santos.

Depois, dependendo do vento político, aparece outra fotografia.

Depois outra.

E outra.

Daqui a pouco alguém poderá perguntar:

“Frota, afinal, você está apoiando quem?”

E a resposta poderá depender do capítulo seguinte.

É justamente essa percepção de mudança constante de campo que alimenta as críticas à trajetória política do vereador.

Mas há uma ressalva importante: mudar de posição não significa automaticamente falta de caráter ou desonestidade. Políticos podem mudar de opinião diante de acontecimentos, governos, partidos e circunstâncias diferentes.

O problema democrático está em outra pergunta:

o eleitor consegue identificar quais são os princípios permanentes por trás dessas mudanças?

Essa é uma cobrança legítima.

A política também precisa de coerência

Uma pessoa pode ter apoiado Bolsonaro e posteriormente concluir que estava errada.

Pode ter apoiado Lula e depois concluir que também estava errada.

Pode trocar de partido.

Pode mudar de posição.

Pode pedir desculpas.

Pode reconhecer erros.

Tudo isso faz parte da liberdade política.

Mas, quando a mudança acontece repetidamente, é natural que o público passe a exigir explicações.

Não basta aparecer em uma caminhada.

Não basta fazer o “L”.

Não basta vestir vermelho.

É preciso explicar por que a mudança aconteceu e quais convicções permanecem.

Porque política não deveria ser apenas uma coleção de fotografias.

Frota e o simbolismo do “L”

O gesto feito por Frota tem um significado político evidente naquele contexto: ele representa apoio a Lula.

A fotografia ao lado de Geraldo Alckmin reforçou a mensagem.

O Poder360 registrou que Frota participou da caminhada de encerramento da campanha petista, usando adesivos de apoio ao presidente e fazendo o “L”.

O curioso é que a mesma pessoa que, poucos anos atrás, estava associada ao grupo político que levou Bolsonaro ao Palácio do Planalto agora participa de um ato para reelegê-lo adversário.

Isso não é ilegal.

Não é antidemocrático.

Mas é politicamente significativo.

E justamente por ser significativo, merece ser analisado.

“A eleição das nossas vidas”

Frota afirmou que aquela seria “a eleição das nossas vidas” e pediu que os eleitores fossem às urnas.

Também disse que não queria que “aquela gente” assumisse a direção do país, referindo-se aos adversários de Lula, e associou seu discurso à defesa da liberdade e ao combate à violência contra as mulheres.

Mais uma vez, o eleitor pode concordar ou discordar.

Mas existe uma pergunta interessante:

quantas vezes a “eleição das nossas vidas” muda de significado conforme muda o candidato apoiado?

Essa é a crítica que a trajetória de Frota inevitavelmente provoca.

O eleitor não é obrigado a acompanhar a mudança

E existe outro ponto fundamental.

Frota tem liberdade para mudar.

Mas o eleitor também tem liberdade para não acompanhar.

Esse é o elemento que frequentemente desaparece no debate político.

O político pode trocar de partido.

O político pode mudar de candidato.

O político pode mudar de discurso.

Mas o eleitor pode olhar tudo isso e dizer:

“Eu quero entender primeiro por que você mudou.”

E isso não é perseguição.

É cobrança democrática.

De Bolsonaro a Lula: uma trajetória que virou símbolo

Alexandre Frota acabou se transformando em um dos exemplos mais conhecidos de mudança de posicionamento dentro da política brasileira recente.

Em 2018, sua imagem estava associada à onda eleitoral que levou Bolsonaro à Presidência.

Pouco depois, veio o rompimento.

Em 2022, declarou apoio a Lula.

Em 2026, voltou a aparecer publicamente ao lado do petista, agora fazendo campanha e pedindo votos.

A sequência está registrada em sua própria trajetória eleitoral e partidária.

E talvez seja justamente por isso que a imagem de Frota fazendo o “L” provoque tanta repercussão.

Não é apenas uma fotografia.

É uma fotografia acompanhada de um histórico.

E amanhã?

Essa é a pergunta que fica.

Se hoje é Lula, amanhã será quem?

Renan Santos?

Outro candidato?

Outro partido?

Outro grupo?

Outra bandeira?

Não há como saber.

E seria injusto afirmar antecipadamente qual será o próximo destino político de Frota.

Mas uma coisa é possível afirmar:

o histórico já é suficientemente movimentado para que o eleitor faça perguntas.

E talvez a pergunta mais simples seja também a mais importante:

Alexandre Frota mudou apenas de candidato ou mudou de convicções?

Porque trocar de candidato é parte da democracia.

Mas explicar ao eleitor por que se trocou de lado também deveria fazer parte dela.

No fim, a política pode mudar de cor.

Pode trocar de partido.

Pode trocar de discurso.

Pode trocar de fotografia.

Mas quem não deveria ser tratado como figurante é o eleitor.

É ele quem coloca o voto na urna.

E é ele quem tem o direito de perguntar, olhando para a próxima fotografia:

“Frota, desta vez é para valer?”

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