
Flávio Bolsonaro elogia Pablo Marçal e prega união contra o PT na disputa presidencial
Candidato do PL chama empresário de “cara do bem”, defende convergência entre grupos da direita e afirma que eleição deve ser tratada como enfrentamento político ao PT
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, sinalizou nesta quinta-feira (20) disposição para construir pontes com o empresário Pablo Marçal, do PRTB, em meio à disputa eleitoral de 2026. Durante agenda no Mercado Municipal de São Miguel, na zona leste de São Paulo, Flávio classificou Marçal como “um cara do bem”, “preparado” e “bem-intencionado”.
A declaração representa uma tentativa de deslocar o foco das divergências pessoais entre nomes do campo conservador para uma estratégia de união eleitoral. Na avaliação apresentada por Flávio, a eleição deve ser encarada principalmente como uma disputa contra o PT, e não como uma competição individual entre lideranças.
“Todo mundo que se unir a favor do Brasil” deve ser acolhido, afirmou o candidato, ao defender a aproximação entre diferentes grupos políticos.
Flávio também elevou o tom contra o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao falar sobre a disputa, declarou: “Ou o Brasil vence ou o PT acaba com o Brasil”.
Na mesma linha, o senador apresentou uma espécie de frente política que, segundo ele, poderia reunir diferentes lideranças de São Paulo. Entre os nomes citados estavam o prefeito da capital, Ricardo Nunes, o presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado, o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, o governador Tarcísio de Freitas e o próprio Pablo Marçal.
Críticas a Lula
Durante o evento, Flávio também direcionou críticas ao governo federal. O candidato acusou a administração de Lula de “perseguir o povo de São Paulo”, sem que o material apresentado detalhe medidas específicas que sustentariam a acusação.
O senador afirmou ainda que pretende trabalhar politicamente ao lado de Tarcísio e Nunes. A aproximação com lideranças paulistas aparece como parte da estratégia de construção de uma base eleitoral mais ampla para a disputa presidencial.
Na área econômica, Flávio declarou que pretende enfrentar o endividamento por meio da redução de despesas públicas, com o objetivo de criar condições para juros menores.
Tarcísio ficou fora do ato
Apesar de ser citado diversas vezes por Flávio como integrante desse campo político, Tarcísio de Freitas não participou do ato realizado no Mercado Municipal de São Miguel.
Segundo integrantes da comitiva, o governador estava participando de uma sabatina promovida por CBN, Valor e O Globo. A expectativa informada pela equipe era de que Tarcísio pudesse se encontrar posteriormente com o grupo em compromissos previstos para a Vila Formosa ou a Mooca, também na zona leste paulistana.
A ausência do governador, portanto, não foi apresentada no material como um rompimento ou afastamento político, mas como consequência de uma agenda paralela.
Marçal entra no cálculo eleitoral
O movimento de Flávio ocorre depois de Pablo Marçal anunciar sua intenção de disputar a Presidência pelo PRTB. A entrada do empresário acrescenta mais um nome ao cenário eleitoral de 2026 e coloca em evidência a disputa pela liderança do eleitorado de direita.
Ao elogiar Marçal, Flávio adotou um discurso de convergência, deixando em segundo plano eventuais diferenças entre os dois grupos. A mensagem central foi a de que adversários internos não deveriam impedir uma eventual união diante da disputa com o PT.
O cenário, porém, também envolve questões jurídicas. O material fornecido pelo R7 relaciona a notícia a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo restrições à campanha de Marçal. Essas questões eleitorais podem influenciar diretamente a capacidade do empresário de participar da disputa e precisam ser acompanhadas separadamente das declarações políticas feitas por Flávio.
Assim, a fala desta quinta-feira combina dois movimentos: de um lado, Flávio tenta ampliar o arco de alianças em torno de sua candidatura; de outro, procura consolidar a narrativa de que a eleição presidencial será marcada por uma disputa mais ampla entre o campo político que representa e o PT.
A declaração sobre Marçal, nesse contexto, funciona como um sinal público de abertura para a construção de uma frente eleitoral mais abrangente, enquanto as críticas a Lula mantêm o eixo central da campanha baseado na polarização política.