Michelle Bolsonaro cobre rosto de Jair Bolsonaro após Justiça Eleitoral proibir uso de imagem em propaganda

Michelle Bolsonaro cobre rosto de Jair Bolsonaro após Justiça Eleitoral proibir uso de imagem em propaganda

Candidata ao Senado pelo Distrito Federal reagiu à suspensão de peça eleitoral que mostrava o ex-presidente ao seu lado; decisão foi tomada pelo TRE-DF após representação de Erika Kokay

A ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) reagiu à decisão da Justiça Eleitoral que suspendeu uma propaganda de sua campanha com imagens de seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Michelle apareceu segurando uma fotografia do casal e cobriu com a mão o rosto de Bolsonaro.

A manifestação foi apresentada por Michelle como um protesto contra a proibição. “Como mulher, dói ser obrigada a esconder o rosto do meu marido”, afirmou. Ela também declarou que uma decisão judicial não mudaria a história vivida pelo casal.

O que aconteceu

Em 17 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) determinou a suspensão imediata de uma inserção da campanha de Michelle.

A representação havia sido apresentada pela campanha da também candidata ao Senado Erika Kokay (PT). Segundo a decisão do juiz auxiliar Rafael Moreira Mota, a propaganda combinava uma declaração atribuída a Bolsonaro com fotografias dele ao lado de Michelle, o que poderia transmitir ao eleitorado a ideia de apoio político do ex-presidente à candidatura da esposa.

Em caso de reapresentação da peça, foi estabelecida multa diária de R$ 5 mil.

A reação de Michelle

Após a decisão, Michelle decidiu transformar a própria imagem de Bolsonaro em elemento de protesto. Em vez de simplesmente retirar a fotografia, apareceu diante da câmera cobrindo o rosto do marido.

A candidata afirmou que Bolsonaro está “preso, isolado e com a voz silenciada” e declarou que considera injusta a situação enfrentada pelo ex-presidente. Essas afirmações são posicionamentos políticos de Michelle e fazem parte da reação dela à decisão judicial.

A campanha também informou que apresentou recurso contra a suspensão da propaganda.

Por que a imagem foi proibida

A decisão do TRE-DF está relacionada a uma determinação anterior do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que restringiu manifestações de caráter político-eleitoral envolvendo Bolsonaro, inclusive por terceiros.

O entendimento utilizado pela Justiça Eleitoral é de que determinados materiais de campanha que utilizem a imagem do ex-presidente podem funcionar como uma forma indireta de manifestação ou apoio político-eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral também já havia determinado, em decisão liminar, a suspensão de materiais impressos de campanha que utilizavam a imagem de Bolsonaro.

Repúdio da campanha

Para Michelle e sua equipe, a proibição representa um cerceamento da possibilidade de utilizar a imagem de seu próprio marido em sua campanha. A candidata questionou publicamente a medida e afirmou que, mesmo impedida de mostrar o rosto de Bolsonaro, não pretende apagar a história do casal.

O ponto de controvérsia está justamente nos limites entre a propaganda eleitoral e as restrições determinadas pela Justiça. A Justiça Eleitoral sustenta que a peça poderia transmitir apoio político de Bolsonaro; Michelle contesta essa interpretação e recorreu da decisão.

Partes envolvidas

  • Michelle Bolsonaro (PL) — candidata ao Senado pelo Distrito Federal e ex-primeira-dama, autora da reação pública e parte afetada pela suspensão da propaganda.
  • Jair Bolsonaro (PL) — ex-presidente e marido de Michelle, cuja imagem foi utilizada na peça eleitoral.
  • Erika Kokay (PT) — candidata ao Senado cuja campanha apresentou a representação que levou à suspensão da propaganda.
  • TRE-DF — Tribunal Regional Eleitoral responsável pela decisão que suspendeu a inserção.
  • Rafael Moreira Mota — juiz auxiliar que determinou a suspensão da peça.
  • Alexandre de Moraes (STF) — ministro cuja decisão anterior sobre manifestações político-eleitorais envolvendo Bolsonaro foi considerada no caso.
  • TSE — Tribunal Superior Eleitoral, que também analisou recentemente restrições ao uso da imagem de Bolsonaro em materiais de campanha.

O que ainda não está resolvido

A decisão contra a propaganda não encerra definitivamente a discussão. Michelle apresentou recurso e poderá apresentar seus argumentos à Justiça Eleitoral. O processo ainda deverá passar pelas manifestações previstas antes de uma decisão posterior.

O episódio, portanto, coloca em debate uma questão eleitoral relevante: até que ponto a imagem de uma figura política pode ser utilizada por familiares e candidatos durante uma campanha quando existem determinações judiciais restringindo manifestações político-eleitorais dessa mesma figura.

Para Michelle, esconder o rosto do marido é uma medida que ela considera injusta. Para a Justiça Eleitoral, a restrição decorre da necessidade de impedir que uma propaganda de terceiro produza, por meio de imagem e mensagem, um efeito equivalente a um apoio político-eleitoral de Bolsonaro.

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