
Renan Santos chama Sergio Moro de “rato, fraco e derrotado” durante congresso do Missão no Paraná
Candidato à Presidência pelo Missão atacou o ex-juiz e também criticou Deltan Dallagnol durante evento em Curitiba; Moro respondeu que adversário busca apenas “lacrar na internet”
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, elevou o tom das críticas contra antigos nomes associados à Operação Lava Jato durante congresso do partido realizado no sábado (8), em Curitiba (PR). Em discurso diante de apoiadores, o dirigente classificou o senador e candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro (PL), como “rato, fraco e derrotado” e também fez ataques ao ex-deputado e candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo-PR).
Ao falar sobre Moro, Renan afirmou que tinha poucas críticas à atuação do ex-juiz durante a Lava Jato, operação que ganhou projeção nacional por investigações sobre corrupção e lavagem de dinheiro e que levou à prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018. Segundo Renan, entretanto, sua avaliação mudou depois que Moro entrou para a política.
“Agora, no entanto, o político e homem público é um rato, um fraco, um derrotado”, declarou.
Renan também afirmou que Moro teve participação importante no combate ao PT e relembrou as manifestações que antecederam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.
“O Moro passou pelo mesmo drama que a gente. Ele viveu a destruição do petismo, não apenas diante dos olhos dele, mas nas mãos dele. Esteve nas nossas mãos a organização das maiores manifestações da história do Brasil, que derrubaram Dilma Rousseff. Esteve na mão dele a caneta que prendeu o Lula”, afirmou.
Críticas à atuação política de Moro
Apesar de reconhecer a atuação de Moro na Lava Jato, Renan passou a direcionar críticas à trajetória política do ex-juiz. Moro deixou a magistratura em 2018 e, posteriormente, assumiu o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. Depois, tornou-se senador pelo Paraná.
Em março de 2026, Moro se filiou ao PL, após enfrentar divergências no grupo político formado por União Brasil e PP, que dificultavam a continuidade de sua candidatura ao governo paranaense. A mudança também aproximou novamente o senador do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Atualmente, Moro integra o palanque de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Para Renan, a entrada de Moro na política representou uma ruptura com o legado que ele havia construído como juiz da Lava Jato.
As críticas, segundo o relato do evento, não ficaram restritas ao congresso realizado em Curitiba. No encontro nacional do Missão ocorrido em São Paulo em 1º de agosto, Renan já havia chamado Moro de “vassalo” e afirmado que o ex-juiz não teria tido “estatura” para defender o próprio legado.
Dallagnol também foi alvo
Renan Santos também atacou Deltan Dallagnol durante o congresso. O ex-deputado federal e ex-procurador da República, que integrou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, foi chamado de “roedor” pelo candidato presidencial.
Em outro momento, Renan afirmou que Dallagnol “nasceu para ser vagabundo”.
Dallagnol deixou o Ministério Público Federal para disputar eleições e foi eleito deputado federal em 2022. Em 2023, porém, teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em decisão relacionada à sua situação perante a Lei da Ficha Limpa. Atualmente, disputa uma vaga no Senado pelo Paraná pelo Novo.
Os ataques colocam Renan em confronto direto com dois personagens que tiveram papel central na trajetória política da Lava Jato e que, posteriormente, passaram a disputar espaço na política institucional.
Moro responde a Renan
Sergio Moro reagiu às declarações por meio de nota. O senador evitou responder diretamente aos termos utilizados por Renan e destacou sua atuação como juiz federal e posteriormente como autoridade responsável pela área de Justiça e Segurança Pública.
“Comandei a Lava Jato, prendi o Lula e isolei as lideranças do PCC em presídios federais de segurança máxima. Muito mais do que os ofensores jamais fizeram. Não vou responder a ofensas imaturas de quem quer apenas lacrar na internet”, afirmou Moro.
A resposta reforça a estratégia do senador de associar sua trajetória pública às ações realizadas durante a Lava Jato e às políticas de combate ao crime organizado implementadas durante sua passagem pelo Ministério da Justiça.
Confronto dentro da direita
O episódio evidencia também a disputa por espaço entre diferentes grupos da direita brasileira nas eleições de 2026. Renan Santos, presidente do Missão, tenta consolidar sua candidatura à Presidência enquanto mantém uma postura de confronto com políticos que, em diferentes momentos, estiveram ligados ao campo conservador.
Moro, por sua vez, disputa o governo do Paraná pelo PL e se aproximou novamente do grupo político ligado à família Bolsonaro. O senador também passou a apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
As críticas de Renan atingem, portanto, não apenas a atuação individual de Moro, mas também sua mudança de posição e suas alianças políticas após a saída da magistratura.
O confronto entre os dois ocorre em um cenário no qual antigos integrantes ou aliados da Lava Jato passaram a ocupar posições distintas no cenário político. Enquanto Moro e Dallagnol construíram suas carreiras políticas a partir da projeção obtida com a operação, Renan Santos passou a questionar justamente a trajetória política posterior dos dois.
As declarações feitas em Curitiba devem ampliar a disputa pública entre os grupos e aumentar a exposição de Renan na corrida presidencial, ao mesmo tempo em que colocam Moro e Dallagnol novamente no centro do debate sobre o legado político da Lava Jato.