
Videovigilância mostra deputado do Chega entrando no Parlamento às 7h; investigação apura suposta invasão ao gabinete de André Ventura
Imagens de segurança colocam deputado Francisco Gomes no Parlamento na manhã do incidente; Polícia Judiciária investiga denúncia de vandalismo feita pelo líder do Chega
A investigação sobre a alegada invasão e vandalização do gabinete do presidente do Chega, André Ventura, ganhou novos elementos nesta terça-feira (28), após imagens do sistema de videovigilância da Assembleia da República mostrarem que o deputado Francisco Gomes entrou no Parlamento por volta das 7h da manhã, poucas horas antes da denúncia pública do caso.
Segundo informações divulgadas pela SIC Notícias e confirmadas pelo Jornal de Notícias (JN), fontes ligadas à investigação informaram que o gabinete de André Ventura permaneceu aberto durante toda a noite, circunstância que passou a ser analisada pelas autoridades responsáveis pelo caso.
A Polícia Judiciária (PJ), por meio da Unidade Nacional Contraterrorismo, conduz as diligências para esclarecer o episódio, enquanto a Assembleia da República também acompanha a investigação.
André Ventura denunciou gabinete remexido
O caso veio a público quando André Ventura publicou fotografias nas redes sociais mostrando o interior do gabinete completamente remexido.
Nas imagens era possível observar documentos espalhados pelo chão, armários abertos, gavetas reviradas, dossiês fora do lugar e diversos objetos deslocados.
Ao comentar o episódio, Ventura afirmou que alguém entrou no gabinete durante a noite em busca de documentos específicos.
Segundo o líder do Chega, desapareceram:
- documentos relacionados ao gabinete do primeiro-ministro;
- documentos referentes à comissão parlamentar de inquérito que o partido pretende criar sobre Luís Neves;
- dispositivos de armazenamento (pen drives);
- alguns pertences pessoais.
Ventura classificou o episódio como um “ato de intimidação” e afirmou que o ocorrido representa “o grau zero da democracia”.
Videovigilância registra entrada de deputado
As imagens das câmeras de segurança revelaram que o deputado Francisco Gomes entrou na Assembleia da República pouco depois das funcionárias da limpeza, aproximadamente às sete horas da manhã.
De acordo com fontes ouvidas pela SIC Notícias, quando questionado pelos investigadores, o parlamentar afirmou que entrou no gabinete para gravar um vídeo destinado ao TikTok.
No entanto, a emissora apurou que o vídeo publicado naquela manhã não foi gravado no gabinete de André Ventura.
Também foi uma funcionária da limpeza quem alertou os serviços de segurança sobre a situação encontrada no gabinete.
Deputados levantam questionamentos
Deputados de outras bancadas ouvidos pela SIC demonstraram dúvidas sobre alguns aspectos do caso.
Entre os principais questionamentos levantados estão:
- por que Francisco Gomes foi ao Parlamento tão cedo, durante o período de férias parlamentares, quando não havia trabalhos legislativos;
- por que o deputado dirigiu-se diretamente ao gabinete de André Ventura;
- por qual motivo um gabinete que, segundo Ventura, guardava documentos considerados sensíveis permaneceu aberto durante toda a noite.
Esses pontos passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.
Gabinete teria permanecido aberto
Segundo fontes da investigação citadas pela SIC, André Ventura deixou o Parlamento na segunda-feira por volta das 19h.
As forças de segurança responsáveis pela Assembleia realizam rondas noturnas para verificar portas, corredores e gabinetes.
Até o momento, segundo as informações divulgadas, não foram registrados sinais de arrombamento nem qualquer ocorrência de distúrbio durante a madrugada.
A informação de que o gabinete permaneceu aberto durante toda a noite tornou-se um dos principais focos da investigação.
Pen drive não teria sido comunicada à Polícia Judiciária
Outro ponto revelado pela SIC envolve uma suposta divergência entre as declarações públicas de André Ventura e o relato apresentado às autoridades.
Embora o líder do Chega tenha afirmado aos jornalistas que uma pen drive contendo informações relevantes para a futura comissão parlamentar de inquérito teria desaparecido, fontes da investigação afirmam que esse desaparecimento não foi mencionado no primeiro relato apresentado à Polícia Judiciária.
A informação deverá ser analisada durante o andamento das diligências.
Polícia Judiciária mantém investigação
A Polícia Judiciária confirmou oficialmente que assumiu a ocorrência e informou que a investigação está a cargo da Unidade Nacional Contraterrorismo.
Até o momento, as autoridades portuguesas não divulgaram conclusões sobre a existência de invasão, furto ou vandalismo, nem apontaram suspeitos.
O objetivo da investigação é esclarecer:
- se houve efetivamente acesso indevido ao gabinete;
- quais objetos ou documentos eventualmente desapareceram;
- como o gabinete permaneceu aberto durante a noite;
- qual foi a movimentação registrada pelas câmeras de segurança;
- e se houve qualquer prática criminosa relacionada ao episódio.
Primeiro-ministro condena eventual vandalismo
Após a denúncia, o primeiro-ministro português afirmou que, caso seja confirmada a ocorrência de vandalismo dentro da Assembleia da República, o episódio é incompatível com o funcionamento de uma democracia.
Segundo o chefe de governo, qualquer ataque às instituições democráticas deve ser investigado e os responsáveis, caso identificados, devem responder pelos seus atos.
Enquanto isso, a Polícia Judiciária segue recolhendo imagens, depoimentos e demais elementos para esclarecer o caso envolvendo o gabinete do presidente do Chega, André Ventura.